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# 1813



"Nas intermitências dos dias, na brancura das noites, interpreto silêncios. Uns são longos, duram eternidades. Outros breves, duram instantes. Não são ausências. Pelo contrário. Sei-te presente em cada um desses silêncios. Como te sei presente em mim. Sinto neles, os teus duelos, as tuas resistências, os teus sorrisos e o... desejo. Sinto-o. Inevitável. Inexorável. Como a tua voz. E não sei escrever, não sei resistir a cristalizar em imagens, senão o que sinto."

Texto: Clara Vales
Foto: Cristina Vicente

# 1753



"Esta noite dormimos juntos. Nossos corpos perfilados, um junto ao outro. Nada aconteceu além do contacto da pele e do respirar, quase uníssono antes do estertor do adormecer. Ou será que tudo aconteceu? Aí. Simples. Assim. Estávamos exaustos. Senti o teu calor. O nosso calor. Preferi afastar o lençol a afastar o teu corpo de mim. E permanecemos no silêncio da noite. Algures. Suspensos no tempo. Até amanhecer. Não houve ali, contudo, noite. Apenas um profundo e sentido dia."


Texto: Clara Vales
Foto: Cristina Vicente

# 1750



"Primeiro, a voz.
Eco, entre as demais.
Arrepio na pele, incrédula.
E tu. Aqui.
Eu. Aqui.
Cruel escritor de vidas
Que, sabendo-as próximas,
Não as deixa tocar."

Texto: Clara Vales
Foto: Carla de Sousa

# 1696



"Houve tempos em que parti. Parti. Para um lugar longe de mim, onde tu não existes."

Texto: Clara Vales
Foto: Carla de Sousa

# 1607



"- Gosto de começar pelo princípio... adoro o princípio das coisas! - murmuraste-me assim ao ouvido. As tuas palavras são sempre um murmúrio que só eu ouço. As inflexões, o timbre, a ressonância sugam-me a atenção, como um ponto de fuga num desenho ou numa qualquer composição. Avançaste em direcção a mim, pela diagonal daquela sala escusa e cheia, fitando-me, para me anunciares esse prenúncio de início. Estremeci. Sei que tu sabes que estremeci. Sei que o teu princípio, o nosso princípio, é assim." 

Texto: Clara Vales
Foto: Luís Miguel Grou

# 1528



"Imagino-nos assim. No chão; num chão, qualquer. Deitados um sobre o outro, qualquer chão nos servirá. Consigo ouvir-te. Melhor, consigo ouvir o teu coração. Batimento cardíaco desordenado; Revolução. Nossos corpos, exaustos, cedem um ao outro, calor. Sorrimos, em silêncio. As palavras, ali, nada acrescentam, ao assombro do que fomos minutos antes. Somos, também ali, escombros de tudo o que vivemos e assim nos oferecemos, um ao outro. Imagino-nos assim. Um dia. Por que não há-de, entre nós, ser sempre noite."

Texto: Clara Vales
Foto: Frankie Boy

# 1468



“Não sei como dizer-te isto... mas adoro o que temos, não tendo. Gostaria de encontrar forma indolor de te dizer que tudo isto é perfeito.”

Texto: Clara Vales
Foto: Cristiano Justino

# 1453



"Queria registar a evidência de ter um coração perverso e avesso à lógica do lugar comum. Encontrar fundamento para a margem da margem que me habita quando te penso. Se a intensidade fosse, por si, razão, era irrefutável dizer... que te amo." 

Texto: Clara Vales
Foto: Peter A. Gilbert

# 1447



"Há dias que escrevo sem parar. Coisas dispersas. Algumas sem nexo. Um dia, quem sabe, farão parte de textos, complexos, onde ganharão vida e centelha própria. Hoje. São só palavras unidas pela voracidade do meu pensamento."

Texto: Clara Vales
Foto: Ana Moderno

# 1389



"Parti. Para um lugar longe de mim, onde tu não existes."

Texto: Clara Vales
Foto: Paula Melo

# 1385



"(…)

(Somos um espaço entre parêntesis. Nele, habitas as reticências que acomodo entre as minhas palavras e também todo o meu corpo. E assim, vivemos, confinados ao desejo que nos consome…)"

Texto: Clara Vales
Foto: Chico Vilaça

# 1367



"Conspiração

Sei-te igual.
Sei-te estranho.
Sei-te de cor.
Sei-te o sal,
O odor
e o intento.
Sei-te aqui.
Sei-te aí.
Sei-te onde for.
Sei-te como ser.
Sei-te o nome.
Sei-te o rosto.
Sei-te a boca.
Sei-te o corpo.
Sei-te o sexo.
E o desejo.

E não sei 

nada de ti."

Texto: Clara Vales
Foto: Ana Gilbert

# 1361



"Por momentos esqueci o horizonte:
a vida era aquele trapézio.
Sustive o equilíbrio num fio de cabelo.
Desfaleci no sopro da tua boca.
Qual suave amparo feito de turbilhão e maresia.
Por momentos esqueci. Vivi."

Texto: Clara Vales
Foto: Carla de Sousa

# 1340



“Quero-te. Não o querer de possuir. Mas o querer-ser eu em ti e tu em mim. Até nos esquecermos de nós.”

Texto: Clara Vales
Foto: Paula Melo

# 1325



"- Não te mintas
Sabes-me no teu corpo
Sabes-me na tua cabeça

- Sei-te. Todo... em mim."


Texto: Clara Vales
Foto: Tânia João

# 1302



"Meu amor,
Escrevo-te para te comunicar o nosso fim. "Nunca digas nunca" - disseste um dia. Mas adiando o presente, corremos o risco de nunca existirmos. O presente esfumou-se. Ficou o frio."

Texto: Clara Vales
Foto: Carla de Sousa

# 1293



"Podes fechar a cortina do quarto.
É no escuro, que te verei melhor."

Texto: Clara Vales
Foto: Ana Gilbert 

# 1265



"- Ainda assim, o teu melhor lado são os dois: o que se ilumina e o que se esconde na sombra.
- O que se sobrexpõe...
- ... e que, contudo, não se conta."

Texto: Clara Vales
Foto: Carla de Sousa