# 719



"E o chão doía a cada passo meu porque caminhava descalça de ti".

Texto: Helena Silva
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 718



"Eram mais que amigos. Eram irmãos, não de sangue mas de vida."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Sónia Silva

# 717



"Desconfio da aparência da tua vontade quando a mão que estendes é fria nos gestos."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Maria João Alves

# 716



"- Já te disse, hoje, as saudades que tenho da tua voz? Da sua vibração no meu tímpano? Já te disse? O caminho que esse teu, tão teu, timbre percorreu e sobressaltou? Creio que sabes... não preciso de o dizer, então."

Texto: Clara Vales
Foto: Rui Mãos de Cenoura

# 713



"Toda a expectativa é devassa."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Maria João Faísca

# 712



"Às vezes sinto-me presa por um cordel e tenho medo. Medo que alguém o puxe e o parta."

Texto: Vanda Balão
Foto: Ana Marques

# 709






"Ela envolve-lhe a cintura com as pernas, o tronco com os braços, une a boca à sua, e os dois corpos tornam-se um só, que ondula e se movimenta pela casa contra portas, contra paredes, contra móveis, até aterrar na maciez da cama, onde se amam com a voragem de uma fome que nunca se poderá saciar."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Fotos: Florbela Leopoldo

# 708



"A tarde e as certezas vão caindo, mas fico aqui porque o tempo é meu."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Ana Gilbert

# 707



"Enquanto existires, jamais me sentirei só. Disse a onda ao barco."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Sílvia Bernardino

# 706



"Ninguém se preocupa com ela ao ponto de poupá-la. Falta quem a proteja ou ataque. Vento fraco incomoda, despenteia pouco. Passa."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Rosa Paixão

# 705



"Diz-me onde estás. Vem-me buscar."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Ana Marques

# 704



"Tenho uma grande herança... Carrego comigo tantas coisas que não são minhas e são ao mesmo tempo parte de mim."

Texto: Cláudia Rocha
Foto: Teodora Baruc

# 703



"Estou à procura dos pássaros que cantam o amor. Mas hoje não vieram."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Tânia João

# 702



"Cada ser reconhece o seu ponto de fuga."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Maria João Faísca

# 701



"A melancolia é como uma meia luz, um quase anoitecer."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Rita Fernandes

# 700



"Estás enganada. Não tenho a cabeça cheia de pensamentos. Tenho a cabeça cheia de nuvens."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Carla de Sousa

# 699



“Os silêncios são feitos de palavras invisíveis que forram a alma.”

Texto: Vanda Balão
Foto: Mónica Brandão

# 698



"Estou a escolher o tempo minuto a minuto. As minhas mãos guardam a ansiedade da espera. Mas talvez não chegues."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Maria João Alves

# 697




"Correu os dedos pelo cabelo. Foi um impulso aquele corte. Nos primeiros minutos pareceu-lhe o máximo. Agora reencostada na cadeira velha do jardim, observava os brinquedos desmantelados, por ali espalhados como carcaças sem cor, sem vida a habitarem uma relva crescida já murcha.
Podia ter tirado tudo aquilo dali. Mas teve medo. Podia perder o sentido da vida. Sempre contavam histórias aquelas carcaças. Ela lembrava-se de todas. Ainda.
Sorriu. Suspirou. Os olhos ficaram húmidos, passou as mãos pelo cabelo, cinco ou dez vezes. Não se sentia ela própria. Talvez isso fosse bom. Sentiu frio. Aborreceu-se, não pelo corte, nem pelos brinquedos, só pelo tempo. Tempo perdido."

Texto: Andreia Monteiro
Foto: Rui Mãos de Cenoura

# 696



“Nada parecia existir, nem fora nem dentro da janela, que lhe mantivesse a vontade de continuar.”

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Sónia Silva

# 695



"Pessoas passam e passam e passam. É tudo o que sabem fazer: passar pelo mundo. Deixá-las passar. Deixá-las sonhar."

Texto: Miguel Clemente
Foto: Florbela Leopoldo

# 694



"A honestidade é o que vês."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Inês Sarzedas

# 693



"E há sempre os teus olhos que chegam nas minhas manhãs de nevoeiro."

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Rosa Paixão

# 692



"Não esqueço. Era um dia soalheiro reflectido nas folhas da tua atenção. Quis falar-te. Faltaram-me as forças. Olhei intensa, algum tempo. Não o bastante para te desconcentrar. Foi a última vez que nos não vimos."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Carla de Sousa

# 691


"Deixaste que toda a luz se extinguisse. Agora, só a escuridão te dá sentido."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Rui Mãos de Cenoura

# 688



"É como se trouxéssemos uma vela acesa dentro de nós, que devemos cuidar como algo precioso e vulnerável; uma vela encaixada entre o fígado e o estômago e as costelas, frágil e periclitante como apenas uma vela pode ser. Consegues imaginar isto? Uma vela que nos ilumina interiormente; e se alguma vez permitirmos que se apague, extingue-se a nossa luz e seremos apenas escuridão interior."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Ana Marques


# 687



“Tudo o que te ensinei pode ser utilizado para construir um mundo onde se possa sonhar.”

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Ana Gilbert

# 686



"Todos os dias, pela manhã, se interroga quem lhe terá apagado as tarde e as noites."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Vilma Serrano

# 685



"Parece que flutuam, como que, se no meio daqueles sons todos, a rua fosse habitada apenas por espíritos, porque lhes falta o som dos passos no caminho que fazem à minha frente."

Texto: Cláudia Rocha
Foto: Teodora Baruc

# 684



"Não pertencia a sítio nenhum e talvez isso o deixasse constantemente a meio caminho de todos os lugares."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Tânia João

# 683



"Tu não vives; existes."

Texto: Miguel Clemente
Foto: Ana Moderno

# 682



"Não podemos fugir à escuridão, não podemos fugir àquilo que somos."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Mónica Brandão

# 681



"Há mais certeza neste azul do que na minha vida toda."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Maria João Faísca

# 680



“Todos os dias, pela manhã, se interroga quem lhe terá apagado as tardes e as noites.”

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Rita Fernandes

# 679



"Os travões do autocarro projetam a multidão e ninguém repara no homem magro de rosto macilento que cai desamparado no chão metálico e sujo do autocarro, se levanta devagar e sacode o fato, nem na quase lágrima que quase aflora o olhar fundo e triste, uma lágrima pela perda da quase inconsciência e do quase silêncio que parecia quase chegar."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Inês Sarzedas

# 678


"Meu amor,
Escrevo-te para te comunicar o nosso fim. "Nunca digas nunca" - disseste um dia. Mas adiando o presente, corremos o risco de nunca existirmos. O presente esfumou-se. Ficou o frio."

Texto: Clara Vales
Foto: Luís Cunha Louro

# 677



"O tempo não voa, o tempo esconde-se atrás das árvores para não ser visto."

Texto: Cláudia Rocha
Foto: Teodora Baruc

# 676



"A noite deixa cair coisas raras como o teu amor."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Sílvia Bernardino

# 675



"A excitação que sentes no corpo inflama-te a mente."

Texto: Miguel Clemente
Foto: Maria João Alves

# 674



"Escapa-me, continuamente, o lugar a que pertenço na solidez da vida. Escapo-me continuamente, em reflexos fugazes, perdido entre o mundo que flui no meu interior e o que flui fora de mim."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Ana Marques

# 673



"ao longe
crispações microscópicas
minúsculos incêndios de silêncio
ínfimos cortes com a ponta da tesoura
arqueiros certeiros que apontam aos poros"

Texto: Sónia Oliveira
Foto: Rui Mãos de Cenoura