# 2104



"deve existir um alfabeto ou código para dizer
da camada indefinível que me leva a ti
do espanto
do conjunto em busca da harmonia que não quer chegar a ser
para se manter vontade
uma qualquer mistura dos silêncios em luz      entrecortados a bocas
e o corpo em desejo desenhado a mar e céu

vamos para ali
dito assim      meio lei meio convite

podia bem ser o era uma vez
das histórias com corações apressados
o murmúrio do grito de guerra      em amor
que desperta e incita

vamos
dito assim      sem som      a fazer caminhos"

Texto: Isabel Pires
Foto: Ana Gilbert

# 2101



"A escuridão aproxima. O silêncio une. E juntos, escutamos o mar."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Teresa Bret Afonso

# 2100











"Ela veio num raio de luz
chegou num sopro de vento
e tinha um mar no seu centro"

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Ilustrações: Maraia

# 2099



"Há que continuar. A vida empurra."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 2098



"A tua vida cabe em meia dúzia de sacos de plástico?"

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Teresa Maria dos Santos

# 2097



"Cada vibração da tua voz denuncia a tua vontade... E o silêncio, torna-se assim, tão perfeito."

Texto: Catarina Vale
Foto: Fernando Silva

# 2096



"Alguma vez saberás quantos universos foste incapaz de descobrir no meu olhar?"

Texto: Miguel Clemente
Foto: Elisabete Antunes

# 2095



"Não tem pressa, sabe que os sonhos esperam por si."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Ana Marques

# 2094



"O futuro não é o que poderia ter sido. Mas ainda está a tempo de ser uma coisa diferente daquilo que é."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Raquel Ferreira Coimbra

# 2093



"Os humanos perdem humanidade quando não se tocam. E é também na pele que o sentimento existe e se expande."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Frankie Boy

# 2092



"Tenho a alma crucificada ao corpo, por isso, gemo e sofro."

Texto: Rosa Boto Caiado
Foto: Maria João Alves

# 2091



"Poderemos partir de um sítio onde já não estamos? Alguém sentirá a nossa falta?"

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Maria João Faísca

# 2090



"O mais valioso de um tesouro é o que o faz sentir assim..."

Texto: Catarina Vale
Foto: Selma Preciosa

# 2087



"- Porquê teimas o olhar nesse rio?
- São as minhas memórias... - responde com secura.
- Não vais perdê-las se voares, estarão sempre contigo. São tuas! - insiste com uma sorridente doçura."

Texto e foto: Cristina Vicente

# 2086



“São sagrados os meus mistérios profanos.”

Texto: Rosa Boto Caiado
Foto: Chico Vilaça

# 2085



"Emergimos sem certezas da profundidade que foi possível alcançar. Talvez superfície e mergulhos em ilusão. Azul do céu fundido em azul do mar, confundindo inícios nos seus fins. Uma cor só...
A ambição de aparecer esquecendo que só com outros nos podemos distinguir. Ínfimos centros de mundos que são o próprio mundo em si. É sentirmo-nos grandes que nos torna assim tão pequenos.
Ruidosos na coragem que se silencia a cada vez que se deveria escutar. Palavras do que não chega a existir revestindo rostos naturais apenas nas sombras impossíveis de ocultar.
As imperfeições dilatam-se sempre na sua transposição. Crer que se é mais por não se deixar ser..." 

Texto: Catarina Vale
Foto: Maria João Faísca

# 2084





"E a água, como faz para atravessar a ponte?"

Texto: Paulo Kellerman
Fotos: Ana Gilbert

# 2083



"As árvores conhecem mais da vida numa folha do que os homens no corpo inteiro."

Texto: A. M. Catarino
Foto: Sílvia Bernardino

# 2082



"Um homem ia todos os dias ao parque da Vila, depois do trabalho. Levava consigo um saquinho com migalhas que despejava ao redor. Sentia prazer em que os passarinhos, quando o viam, se agitassem voando perto dele, para comer os restos de pão. Um dos passarinhos aparecia sempre. Tinha o bico cor de laranja e as penas muito pretas, raiadas aqui e ali de azul-marinho. Certo dia o homem cansou-se de levar o lanche, por nenhum motivo em especial. Continuava a sentar-se, diariamente, no mesmo banco, sem nada oferecer. Aquele passarinho já não comia, todavia, alegrava-se quando ele chegava. Fazia-lhe voos rentes aos pés e ali permanecia, saltitando trinados. Se quisesse, o homem poderia continuar a mimá-lo, sem perturbação dos seus dias. Escolhia não o fazer, envaidecendo-se com aquela presença. O bicho que nada entendia dos propósitos dos homens continuava a cantar, só para ele, refém da própria liberdade."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Fernando Silva

# 2081



"Quando viajamos sozinhos, abandonamo-nos livremente."

Texto e foto: Teresa Maria dos Santos

# 2080



"[dum lugar íntimo do espanto]

no vazio pachorrento que te fura
por ali passa a centelha
e enquanto passa
dilata-o."

Texto: calí boreaz
Foto: Maria João Alves

# 2079



"- Dora Bruder, Patrick Modiano?
- Esse todo. Com tangerinas e tudo. Mas é provável que a Olga Tokarczuck ligue agora melhor com as azeitonas.
- Sempre artístico e surpreendente!
- Tu é que tinhas uma inspiradora tangerina no balcão...
- Já percebi que foi a lembrança da tangerina.
- Concretizei-a no supermercado.
- Agora não apanhei!
- Senti-me tão inspirado que fui comprar tangerinas.
- Apetecia-me agora era aquele doce do segundo prémio...
- Vou já buscar!"

Texto: José Alberto Vasco
Foto: Rah Pha

# 2076



"Estamos a perder. A deixar de ser. Para ser outra coisa. A fragilidade humana é isto. Ter de viver sem saber o que se é."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Raquel Ferreira Coimbra

# 2075



"Agora, está barricado numa dor que serve apenas para lhe lembrar de onde veio."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Ana Gilbert

# 2074



"O que somos, quando as pequenas mentiras são a nossa grande verdade?"

Texto: Catarina Vale
Foto: Cristina Vicente

# 2073



"Se calhar, estava só perdido numa qualquer rua escura e assombrada do seu próprio pensamento."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Maria João Alves

# 2071



"Poderemos parar um momento e chamar-lhe eternidade?"

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Teresa Bret Afonso

# 2070



"Gosto de caminhos sem saída. Fazem parar, fazem olhar, fazem pensar. São um começo."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Tânia João

# 2069



"se olharmos bem 

se olharmos bem, pelos poros da cidade podemos ver bicicletas saindo. é garantido que podemos pegar numa dessas e pedalar por uma nova rua contra a lei da gravidade, amolecendo muros e morros e amarras. é certo que tudo pode não passar de um devaneio. no momento em que nos aproximamos das cercanias, de cabelos contornando o vento e pés descalços, talvez a gente perceba que não saiu daquele lugar imóvel de onde olhávamos a cidade de baixo pra cima, buscando a luz do movimento que — sabemos — mora no cerne de todas as coisas do mundo, até nos buracos mais duros. mas se a própria vida é um devaneio do humano, que lhe inventa sentidos e fronteiras, revidemos, revidemos. depois disto, é certo isto: o mesmo lugar já não é o mesmo lugar."

Texto: calí boreaz
Foto: Sílvia Bernardino

# 2068



"Olhava pela janela à procura de alguém que a visse a si própria como uma janela."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Carla de Sousa

# 2067



"Une-me, pelo sentir da pele. - disse-lhe como quem se deseja."

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Artur Gomes

# 2066



"Pudera eu saber com o que conto...
Se são botões, se são flores,
as linhas com que me coses o vestido."

Texto: Rute Violante
Foto: Rah Pha