# 1214



"Urgência perdida na indefinição. Um tanto faz de querer sem saber que o quer. Formas inventadas para um não existir. Tempo perdido guardado na algibeira de um casaco vulgar. A luz que não brilha no quarto que afaga. Sussurros que ecoam entre o céu e o mar. Bilhete de volta rasgado na ida. Promessas de giz baralhadas no ar. Árvore de sonhos desprovida de si. O café que transporta sem sequer despertar. Livro de letras atiradas para ali. Pálpebras que fecham prostradas de ler. A mão, enlevada, folheando a enlouquecer..."

Texto: Catarina Vale
Foto: Carla de Sousa
 

# 1213



"Poderá a soma dos corpos subtrair a solidão?"

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Elisabete Antunes

# 1211



"O tempo é um consumível escasso que não permite reutilização."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Sónia Silva

# 1210



"Os segredos das crianças são chaves que mais tarde vão abrir a vida."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Teresa Bret Afonso

# 1209



"Só que o meu corpo pensado era um corpo estranho. O que tem para oferecer um corpo que é todo ideias e nenhum tacto?"

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Maria João Alves

# 1208



“A minha bússola interior és tu. O caminho é apenas o caminho.”

Texto: Mónia Camacho
Foto: Ana Pinheiro

# 1206



"Por vezes, perguntava a si próprio: será que as raízes da minha alma têm profundidade suficiente?"

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Tânia João

# 1203



"Dou-te o céu, disse a mãe.
Não sabia que a liberdade era azul, respondeu o filho."


Texto: Paulo Kellerman
Foto: Sílvia Bernardino
 

# 1202



"Se te disser, ao ouvido, de segredo
que és o alimento que afasta o medo."

Texto: Clara Vales
Foto: Carla de Sousa

# 1201



"As nuvens são o casamento entre o céu e a terra."

Texto: A. M. Catarino

Foto: Teresa Maria dos Santos

# 1200



“Porque o mundo está em permanente estado de espera e um banco vazio representa isso mesmo: espera. Mas também possibilidade; o vazio não significa ausência de tudo mas, pelo contrário, possibilidades infinitas. Se algo está vazio, há espaço para ser preenchido por qualquer coisa, por tudo. Seja um banco, seja uma vida.”

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Teresa Bret Afonso

# 1199



"Estou a escolher o tempo minuto a minuto. As minhas mãos guardam a ansiedade da espera."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Sónia Silva

# 1198



"A minha maior dor foi a tua."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Carina Martinho Coelho

# 1197



"Quando rimos, suspendemos o tempo. Quando suspendemos o tempo, somos imortais. Quando somos imortais, parecemos deuses. Ou crianças."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Maria João Alves

# 1196





"Ainda mal me conheces. Talvez nem me tenhas olhado bem. Passei por ti no turbilhão das emoções, estava em fogo ardente, a correr sem destino. Talvez nem me tenhas olhado bem. Sou eu. Eu mesma, meu amor. Não te lembras de mim? Um dia demos as mãos e caminhamos juntos. Um dia de verão na sombra daquele lugar só nosso, trocamos juras de amor eterno. Éramos crianças. Tão pequenos e tão grandes a imaginar o futuro.
Talvez não me tenhas olhado bem. Estou diferente. Mas lá no fundo sou a mesma pequena. A tua pequena.
Talvez não me tenhas sentido bem. Os anos passaram. Muitos anos passaram. Demasiados, diria. Talvez te falte a coragem. E te palpite o coração. Talvez te estremeça a mão quando procuras a minha. Ou te sequem as palavras com tanto calor que se não vê.
Talvez não tenhas lido as entrelinhas do meu ser. Nem as letrinhas pequenas. Mas tudo bem. Nada disso importa agora. É nas grandes que tudo está escrito. Basta ler, meu amor. É tudo tão simples e natural.
Talvez não me tenhas olhado bem. Mas eu passei a teu lado. Agora, já fui. Eu tinha que ir. Tinha mesmo que ir. Mas, em cada rabisco do nosso voo fica um rasto. Basta olhar o céu, meu amor. Basta olhar o céu..." 

Texto: Renata Barbosa
Foto: Ana Gilbert

# 1195



"Antônio, meus barcos são velhos, seus cascos trazem pequenas rachaduras, se enchem de mar. Submersos, velam as minhas funduras.
Mas há um, meu querido, que está sempre a correr. A proa indefesa a te lançar no reduto de minha ternura."

Texto: Lorena Kim Richter
Foto: Filipa Bocchi

# 1191



“Serei rio a sonhar ser árvore ou árvore a sonhar ser rio?”

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Sílvia Bernardino

# 1190



“Haverá algum momento em que uma pessoa consiga não estar à espera de algo, seja o que for, um fim ou um princípio ou um adiamento ou um atraso ou um intervalo?”

Texto: Miguel Clemente
Foto: Sónia Silva

# 1189



"O seu único talento: descortinar as subtilezas da vida."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Elisabete Antunes

# 1188



“Quando o sol conheceu a lua, ela já sabia que o amava. Que sem ele não existia. Quando o sol conheceu a lua o inverno tornou-se verão, os dias passaram depressa, numa enorme lentidão. Quando o sol conheceu a lua?”

Texto: Andreia Monteiro
Foto: Teresa Bret Afonso

# 1187



"Talvez essa fosse a função da passagem do tempo. Envelhecer as dores."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Sónia Silva

# 1185



"Temia que a realidade estivesse sempre pronta a fugir-lhe."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Carla de Sousa

# 1184



"Este é o tempo de passagem, na verdade todos os tempos são tempos de passagem... e ainda assim este é um tempo com baliza feita de passado e de futuro, como postes de um lado e doutro... sem nada por cima porque por cima do tempo não se pode colocar nada. Neste tempo não somos avançados ou médios, defesas ou árbitros... guardamos as redes em pleno meio campo virados para as bancadas centrais. Este é o tempo do sonho, sem espaço e sem ordem onde nos ordenamos para habitar o há-de vir. Este é o tempo favorável."

Texto: Cláudia Rocha
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 1183



"Não queiras prender-me. Mesmo que seja no interior do teu coração."

Texto: Miguel Clemente
Foto: Maria João Alves

# 1182



"Não é o que cobres com luz que me atrai. É a escuridão que escondes que me cega."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Sílvia Bernardino

# 1181



"Mas também, onde estava escrito que o destino final da humanidade era a felicidade?"

Texto: A. M. Catarino
Foto: Elisabete Antunes

# 1180



"Abri a porta. Olhei. Procurei e foi como se o frio do inverno me tivesse penetrado os ossos. Encontrei-o. Parado, imóvel espera por mim. Suavemente fiz deslizá-lo até o apertar na minha mão. Afinal era este o meu iogurte preferido."

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Ana Moderno

# 1179



"Olha longe. É lá que chegarás. Enganas com a tua voz de mimo, a lágrima fácil e esse beicinho de mel. Mas eu sei que é lá que chegarás. Onde poucos conhecem existência. É onde existirás!"

Texto: Renata Barbosa
Foto: Filipa Bocchi

# 1174



"Vim à tona. Coloquei os braços de fora, respirei, olhei e agarrei-me ao que de melhor tinha ali mesmo à mão, a vida. Segui-a."

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Sónia Silva

# 1173



"Naquele instante, ter-me-ia bastado olhar por cima do ombro. Pedir ajuda. Duas palavras impossíveis para quem nasceu desconfiado."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Maria João Alves

# 1172



"Trago-te vida. Toma, agarra-a."

Texto: Miguel Clemente
Foto: Sílvia Bernardino

# 1171



"Mertens dançante de regresso à minha rua,
devolvendo-me a Lua Cheia
em noite de chuva miudinha."

Texto: José Alberto Vasco
Foto: Teresa Bret Afonso

# 1170



"Se calhar, estava só perdido numa qualquer rua escura e assombrada do seu próprio pensamento."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Carla de Sousa

# 1169



"É quando o sol beija a terra que tudo se pinta de uma nova cor. A hora é certa. O minuto talvez. Mas é no segundo que tudo acontece. É rápido e veloz a percorrer cada centímetro de nós. Devora alegrias e tristezas como uma trituradora em filme de ficção. Petrifica o mal. E faz correr o vento, que leva as tempestades para longe. Hoje, o momento tem fim na mais bela cor pintada nos céus. Mas amanhã, ó artista dos céus pincelados, pintarás novamente essa cor em mim. Assim será amanhã, saberás tu. Quando, novamente, o sol lentamente descer a beijar terra."

Texto: Renata Barbosa
Foto: Elisabete Antunes

# 1168



"Não pertencia a sítio nenhum e talvez isso o deixasse constantemente a meio caminho de todos os lugares."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 1167



"À tua espera, passo os dias a inventar razões para o amor."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Tânia João