# 2597



Queremos sempre alguém a quem chamemos casa.

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Ana Moderno

# 2596




[passado]
Memórias são recortes rasgados,
embebidos em álcool e solidão.
Memórias são fardos pesados,
de gritos engolidos na escuridão.

Texto: Andreia Marques
Foto: Raquel Ferreira Coimbra

# 2595




Enfrentar os medos era ficar sem eles. Não havia outro caminho.

Texto: Ana Miguel Socorro
Foto: Frankie Boy

# 2594




Meti a mochila às costas e parti. Já me perdi vezes sem conta mas permaneço com a esperança de me encontrar num outro presente... Aquele onde habitas. Aquele onde tão bem desarrumas o meu coração...

Texto: Liliana Silva
Foto: Ana Leiria

# 2593



Os dias repetem-se. Apenas o sol é novo.

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Teresa Maria dos Santos

# 2592




[renascer]
Grita menina, grita.
Grita até não poderes mais.
Grita o sangue, a carne,
grita os pulmões!
Grita tudo.
Grita-te para fora de ti.
Deixa sair as vísceras,
com as mágoas e as frustrações.
Arranca de ti as tristezas,
as ansiedades e todas as emoções.
Mas grita agora menina.
Que o silêncio esgota-te.
E grita bem alto,
que a tua voz está pronta,
e tu precisas de renascer.

Texto: Andreia Marques
Foto: Regislayne Morais

# 2591




Em andamento, a imaginação tem dificuldade em parar. Por isso, quieta, voltei a mim e senti o corpo crescer. Quando paramos crescemos. E eu sentia-me alta.

Texto: Rita Rosa
Foto: Renata Barbosa

# 2590




Tinha a ilusão de que o amor era para sempre, o tempo era o de sempre e sempre era tudo o que queria.

Texto: Ana Miguel Socorro
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 2589



invento uma árvore para te dizer
os braços nus
busco a sombra da ramagem
crescem feixes de sol
sobre a plumagem das aves
amanhece
no alvor dos teus dedos.

Texto: Helder Magalhães
Foto: Ana Trindade

# 2588




Não envelhecer
é descobrir a alma
antes de o corpo padecer

Texto: Crow Xposure
Foto: Francisco Válga

# 2587




Ainda tinha frio quando abri os braços à névoa. Envolveu-me sufocante e num sussurro triste desapareci.

Texto: Andreia Monteiro
Foto: Ana Moderno

# 2586




Das interrogações nascia a curiosidade.

Texto: Ana Miguel Socorro
Foto: Selma Preciosa

# 2585




Agasalha-te na tua própria solidão.

Texto: Vítor Vieira
Foto: Vilma Serrano

# 2584




[passado]
Memórias são recortes rasgados,
embebidos em álcool e solidão.
Memórias são fardos pesados,
de gritos engolidos na escuridão.

Texto: Andreia Marques
Foto: Sónia Silva

# 2581



Como são os teus medos? Quanto medem? Têm cores? São diários ou intermitentes? Duram muito ou pouco tempo? A que sabem? São partilhados ou enterrados?

Texto: Vítor Vieira
Foto: Ana Gilbert

# 2580




Enfrentar os medos era ficar sem eles. Não havia outro caminho.

Texto: Ana Miguel Socorro
Foto: Ana Leiria

# 2579




Brilhar é ter alma de criança.

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Teresa Maria dos Santos

# 2578




Sem darem conta, iluminaram o entardecer quando os seus olhares se tocaram...

Texto: Liliana Silva
Foto: Rosa Paixão

# 2577



Tantas vezes sucumbi na libertária negritude da tatuagem do teu peito que acabei por esquecer o que sempre entendi celebrar. Recordo apenas a incorpórea imensidão voluptuosa do teu olhar azul impelindo-me a mergulhar sem rede no palpitante pulsar que nos fuzilava naqueles épicos instantes em que éramos vórtice e precipício. Esgotámo-nos felizes naquele abismo de ódio e paixão libertando sem dor o patético vulcão que pulverizámos. Sem gelo e sem vírgulas. Apenas inícios sem fim.

Texto: José Alberto Vasco
Foto: Crow Xposure 

# 2576



No dia em que a lua comeu o sol nasceu a noite onde nos perdemos. E foi quando o sol se libertou que nos vimos. Pintados pelos raios de luz que trespassavam buracos na persiana.

Texto: Renata Barbosa
Foto: Peter A. Gilbert 

# 2575





Os pássaros voam, tentando desmascarar o anjo que há em mim. Pouca sorte: sou um anjo de auréola vermelha, a meio caminho da metamorfose em demónio. Para voar, não basta abrir as asas.

Texto: A. M. Catarino
Fotos: Cristina Vicente

# 2574




As pessoas boas são lugares.

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Francisco Válga

# 2573



As nuvens passam, vagarosas e indiferentes.
Porque nunca param para nos escutar?

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Sílvia Bernardino

# 2572




A inversão poderá ser a forma direita de encaixar o que está torto.

Texto: Renata Barbosa
Foto: José Luís Jorge

# 2571




De Física pouco mais sei para além de que me apaixona. Tenho também esta ideia de que tudo é energia. As casas, as árvores, os corpos dos animais, os pensamentos, vêm do mesmo sítio, existem pela mesma razão fundamental, estão indelével e inexoravelmente ligados. Ontem procurava compreender, pela enésima vez, porque é que, à simples ideia de ti, o meu ser se transforma. Lembrei-me de que, se tudo é energia, a ideia de ti faz materialmente parte de mim. Sente-se, a parte do meu corpo que te pertence.

Texto e foto: Cristina Mamede

# 2570




Talvez, um dia, o mundo se esqueça de quem somos e a verdadeira liberdade aconteça.

Texto: Catarina Vale
Foto: João Oliveira

# 2569




Eu sempre fui para ti uma espécie de fruta da época. Mas o mundo pode mudar por causa de uma simples maçã, sabias?

Texto: Mónia Camacho
Foto: Ana Moderno

# 2568




O que fazer com cada momento, depois de o viver?

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Ana Gilbert

# 2567



[só]
Poeta só.
Porque só é a solidão de um poema.
Nevoeiro é o que vejo dentro do peito.
Rarefeito o racional, banal o carnal.
Bacanal de emoções vãs.
Só está a solitude de uma prosa.
Nua de versos ou ritmos.
Crua e incerta
inserta a solidão no poeta.
Fico só com estas letras.
Chove do lado de fora da janela,
dentro do peito só nevoeiro,
orvalho e melancolia.
Só.

Texto: Andreia Marques
Foto: António Carreira

# 2566



Estou a atirar pedras ao tempo e a falhar.

Texto: Mónia Camacho
Foto: Frankie Boy

# 2565



Porque não me escreves uma carta de amor? Pergunto-me, todos os dias, enquanto subo vagarosamente as escadas.

Texto: Renata Barbosa
Foto: Crow Xposure

# 2564



A minha casa existe em partes de luz e sombra, de ausência e dor. Existe à beira do mundo, das coisas, assim, em pedaços. Como uma flecha que se divide ao ser lançada ao espaço, num gesto autônomo que acontece por si.
Escrevo em busca da casa inteira, das imagens que levantarão as paredes, que completarão a costura, que anteciparão a quebra.

Texto: Ana Gilbert
Foto: Francisco Válga

# 2563




A pretensão de que se pode deixar uma marca no mundo é uma arrogância divertida. E precisamos conseguir rir das nossas arrogâncias. Precisamos aprender a rir de nós.

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Carlos Barros

# 2562




Sonhei-te e eras a manhã,
um oceano de sedução e cerejas.
Existes e és o mar.

Texto: José Alberto Vasco
Foto: Ana Leiria

# 2561



Lembra-se da emoção do momento, o momento que antecede as grandes coisas. Lembra-se do nervosismo que sentiu, do corpo mole e do estômago a doer. Da excitação. Da antecipação das possibilidades.

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Raquel Ferreira Coimbra

# 2560



Estou a entrançar os dias nos cabelos, à tua espera.

Texto: Mónia Camacho
Foto: Carla de Sousa

# 2559




Como dizer-te que as minhas mãos
padecem de outono
caindo sobre a tua pele?

Texto: Helder Magalhães
Foto: Cristina Vicente

# 2558




Já tive pressa, agora não. Vou devagar.

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Regislayne Morais

# 2557






Poderemos tornar os outros nossos sem nos darmos também?
Poderemos dar-nos sem sentir que os outros são nossos também?

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Fotos: Teresa Marques dos Santos

# 2556




E no balanço dos dias, por vezes encontra-se um momento de equilíbrio. 
 
Texto: Paulo Kellerman
Foto: Teresa Bret Afonso

# 2555




As pessoas boas são lugares.

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Sofia Sousa Silva

# 2554




Quando, um dia, me perguntou se sabia o que era o amor, respondi: são bolos.

Texto: Ana Miguel Socorro
Foto: Ana Moderno

# 2553




Faz do meu corpo o teu papel. Escreve nele uma história e um caminho feliz.

Texto: Renata Barbosa
Foto: Sílvia Bernardino

# 2552



Perante o desejo, o medo verga-se e deixa de respirar.

Texto: Catarina Vale
Foto: Crow Xposure