# 1983



“Não conseguia decifrar em que pensava, o que sentia, a vontade que lhe subia ao peito e faria mover as mãos.”

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Frankie Boy

# 1982



"Quantos gestos livres tive hoje?"

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Teresa Maria dos Santos

# 1981



"Uma palavra, mesmo que não a certa, e o sangue perde-se no sentido a seguir."

Texto: Catarina Vale
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 1980



"Sabia-se personagem secundária da sua própria história.

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Artur Gomes

# 1979



"Havia obstáculos, o apelo à desistência, dúvidas-martírio e a solidão desmedida, só que era às estrelas que concedia importância."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Sónia Silva

# 1978





"hora de vagar

substrato da poesia
uns restos de tarde
ainda boiando
sobre o precipício ansioso
das horas
a desoras
um exílio costeiro
na costura de um sonho
sob o ato da poesia

(...)

dez horas
um vago lume se acende e eu vagamente
subo e trato da poesia"

Texto: calí boreaz
Foto de partida: calí boreaz
Fotos de chegada: Cristina Vicente

# 1977



"Cada vez que te digo o que sinto, abre-se uma janela. Um dia o meu coração voa e pousa no teu."

Texto: Guida Isabel Santos
Foto: Carla de Sousa

# 1976



"Ainda desejo este amor devoluto, por isso envolvo o teu corpo, como a trepadeira cega que abraça a casa à beira de ruir." 

Texto: Rosa Boto Caiado
Foto: Célia Guerra

# 1975



"A orfandade caiu sobre o seu coração como a noite. Tamanha sorte, a dela, haver amigos-luz rasgando a treva. Afagos para a melancolia a que haverá de ceder."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Maria João Alves

# 1974



"Sou livre. Até as ruas o sentem."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Sílvia Bernardino

# 1973



"Tenho de arranjar um par de olhos que não sejam os meus, para poder olhar para mim."

Texto e foto: Sandrine Cordeiro

# 1972



"Sou aquilo que não posso ser
Sou apenas o que me sonhei"

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Rah Pha

# 1971



"Sei o que sentir quando não há o que dizer. É com silêncios que se medem as distâncias."

Texto: Catarina Vale
Foto: Peter A. Gilbert

# 1969



"Devia haver sempre um cofre dentro de nós cheio de purpurinas.
Assim a nossa alma tinha sempre festa e os castelos não eram feitos de sonhos." 

Texto: Rute Violante
Foto: Fernando Silva

# 1968



"Como se as memórias se fizessem de pequenos frames que o olhar nos revela. E não faz?"

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Raquel Ferreira Coimbra

# 1966



“Algo me sustenta em meio à inconstância do meu mundo. Brota profundo, sólido; assiste impassível ao burburinho, à fluidez dos movimentos incessantes, por vezes inúteis. Seu silêncio é secular, brutal em sua pouca consideração por meus dias mesquinhos. Eu o adivinho, farejo seu olhar, e sei que nada mais importa.”

Texto: Ana Gilbert
Foto: Peter A. Gilbert

# 1965



“Ficamos a medir-nos como duas janelas por abrir.”

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Célia Guerra

# 1964



"Não tem pressa, sabe que os sonhos esperam por si."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Teresa Bret Afonso

# 1963



"Chegou o momento de nos despirmos da poeira, do bafio e do bolor que se incrustou no tempo. Chegou o momento de despir a casa que albergou tudo aquilo que invadiu cada fresta de madeira, cada espaço da trama dos tecidos e matar os ácaros do nosso colchão. Dar-lhe uma nova vida e perguntarmo-nos... Mas por que raio é que temos tantas almofadas?"

Texto e foto: Sandrine Cordeiro

# 1962



"Quando voou, percebeu o quanto cansada estava de andar."

Texto: Catarina Vale
Foto: Artur Gomes

# 1961



"Sou um simples gato preto, aqui colocado para que tu me olhes; se me vês ou não, pouco importa. Especialmente para mim: mesmo que não me vejas, continuarei aqui. Ou seja, o teu olhar é irrelevante; e o que fazes com o teu olhar também é irrelevante. Podes olhar, podes não olhar; podes ver, podes não ver. O que muda? Nada. O mundo permanece inalterado."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Sílvia Bernardino

# 1960



"Não sei se quero fugir. Embora seja a vontade natural de quem tem a porta fechada."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 1959



"Preencho o céu com memórias de mim e de quem fui... nele moram os sorrisos, os abraços que dei e que guardei. Os que recusei...
Percorro uma vida com gente que me faz gente, que fica ou que parte... construo-me.
Aprendo. Partilho. Mágoas e alegrias.
Há um céu onde os sonhos moram e nele saltito em nuvens de afagos e brisas de algodão...
Acredito."

Texto: Cristina Vicente
Foto: Carla de Sousa

# 1958



"Por sermos reflexos de luz só somos visíveis a quem nos consegue iluminar."

Texto: Catarina Vale
Foto: Frankie Boy

# 1957



"Todos os dias são, para ele, dias pela manhã. Não se sente a amanhecer. A escuridão avança. Anoitece. Nele."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Peter A. Gilbert

# 1956



"É tanto, e só, nas lembranças que existimos. Nós nos outros, os outros em nós..."

Texto: Catarina Vale
Foto: Fernando Silva

# 1955



"Parei numa velha estação da memória e encontrei-te como te lembro: fria, poderosa, capaz de transformar em ruínas todas as minhas possibilidades de futuro apenas com o teu silêncio." 


Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: José Luís Jorge

# 1954



"Como nos poderemos conhecer, se nunca paramos?
Ou não paramos porque tememos dar-nos a conhecer?"

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Teresa Maria dos Santos

# 1953



"Existo sem pressa."

Texto: Teresa Marques dos Santos
Foto: Sílvia Bernardino

# 1952



"Não sinto o passar dos dias
Não sinto o vazio das horas
Não me atormentam questões de sentido
Não me angustia a existência
Não fico presa no torpor da mágoa
Ou de amores não co-respondidos
Perco, na virtualidade do mundo, tudo aquilo que me faz humana."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Raquel Ferreira Coimbra

# 1951



"O telefone tocou, o fixo, naquele tempo, não havia dos não-fixos. Deitada na carpete da sala a ver o aparelho das imagens em movimento com som mesclado pelo toque do aparelho, fez-me descer as escadas num ápice. Uma mancha negra, grande e peluda subia-me pelo regaço. Gritei e sacudi. Numa outra ocasião, o grito (não o de Munch) refletiu-se na banheira.
Anos mais tarde, conheci a Louise e, a Louise tinha uma outra visão para com a aranha que, para além de protetora de insectos, era a representação da mãe, ela também protetora e tecedeira. Cada uma a tecer a teia à sua maneira, cada uma a proteger ao seu jeito. Desde então, deixei de gritar e a incapacidade de destruir teias tão subtis e habilmente construídas tomaram o seu lugar."

Texto: Sandrine Cordeiro
Foto: Artur Gomes

# 1950



"Se o teu olhar repousar em mim, serei parte de ti."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Maria João Alves

# 1949



"Deixo o Norte, não procuro o Sul... não há pontos cardeais para me orientar. Fecho os olhos e agora que estendo a mão, deixo que me guiem os sons, a melodia das palavras, os cheiros de memórias, soltas, procuradas. Seguirei o raio de luz que me trespassa e aquece, arrepiando a pele... sentirei a brisa que me fustiga, ou o vento agreste que me acaricia. Banhar-me-ei nas intempéries com o tempo que me resta... Solto-me, aos poucos, neste corpo que é meu, nesta liberdade que me abraça... numa solidão que não me desampara."

Texto: Cristina Vicente
Foto: Sónia Silva

# 1948

 


"Ouvi alguém dizer que a arquitetura termina quando ela passa a ser habitada pelo corpo. 
Uma arquitetura pensada no espaço vazio criado pela matéria, deixa de o ser, quando o corpo invade esse lugar. 
E quando o corpo desaparece dando lugar a esse vazio envelhecido, será que a arquitetura renasce? Pensei. Hum... 
Não me parece... a presença do corpo é memória nesse lugar antes-arquitetura." 

Texto e foto: Sandrine Cordeiro

# 1947




"o passeio

passeio:
passou enquanto eu passava.
tudo passa, mesmo que não dê um passo
fica pacificado
é isto: ex-isto."

Texto: calí boreaz
Foto de partida: calí boreaz
Foto de chegada: Ana Gilbert

# 1946



"Afastada prematura de quem podia partir-te o coração.
(Já o levavas quebrado.)"

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Carla de Sousa

# 1944



"Todos temos arestas e partes moles. Ambos ferem."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Célia Guerra

# 1943



"Intermitências de pensamentos nocturnos
Escuto e silenciam-se.
Aguardo, atenta...
Murmuram sussurros, entrecortam-se emoções
Sei-me ali. Na distância e na proximidade...
Desejos riscados de luz… acontece.
Refúgio escapado... protegido.
Energia… amanhece.
Sou eu. Sei-me ali... "

Texto e foto: Cristina Vicente

# 1942



"Da tua generalizada insatisfação já nada mais brota a não ser esse vazio
que está cada vez mais cortante."

Texto: Vítor Vieira
Foto: Fernando Silva

# 1941



"Como se a sua mente fosse um quarto percorrido por correntes de ar invisíveis, que provocam reacções e têm consequências, que agitam, mas são simples movimentações de ar; fluxos de ar; oscilações de ar."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Ana Gilbert

# 1940



"Nunca conhecemos as cidades, as vilas ou as aldeias por dentro. Quase sempre ficamos pelas fachadas, tal como as pessoas, inevitavelmente."

Texto: Vitor Vieira
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 1939



"Para toda a força existe a sua versão oposta e, sem exceção, tudo o que se opõe deriva da mesma fonte, por isso, naquela noite, existia a essência da luz manifestada, quer na luminescência assustadora dos raios enraizando o céu, quer numa arbórea luminosidade, compassiva e arredondada, desenhada como copa de árvore no topo de um candeeiro a petróleo, aceso no interior de uma casa."

Texto: Joana M. Lopes
Foto: Peter A. Gilbert

# 1938



"A verdade esquiva, felina, depende do ponto de vista.
Custa-te admiti-lo.
Viveste?"

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Maria João Alves