# 2432



Consegues perceber que vou esperar sempre por ti?

Texto e foto: Teresa Maria dos Santos

# 2431



Sem darem conta, iluminaram o entardecer quando os seus olhares se tocaram...

Texto: Liliana Silva
Foto: Ana Margarida Lopes

# 2430



Tenho os olhos fixos na matéria-prima desse sonho que me ofereces.

Texto: Mónia Camacho
Foto: Teresa Lamas Serra

# 2429



Saudades é o preço que pagamos por ser felizes.

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Selma Preciosa

# 2428



se o amor fosse uma casa
tinha tecto de céu, chão de luz e janelas para os dias felizes

Texto: Isabel Pires
Foto: Sílvia Bernardino

# 2427




- Sorri! - disse-lhe a mãe, e de repente um clarão forte iluminou a janela do sótão.
É sempre assim, devemos sorrir ao medo que nos envelhece as expressões.

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Ana Leiria

# 2426








"Tenho tido um sonho. Já dura há dois anos.Um pensamento estranho. Isolamento. No meu sonho, pensamento vou até uma ilha. Vou carregada de peso, em mim. Chego quase por magia. Ou por magia. Num barco pequeno. Sei exatamente para onde tenho de ir. Mas não quero ir. Arriscar. Mentalmente sei exatamente o caminho. Mas nunca ali estive. Abandono o barco a custo. Salto. Água até aos joelhos. Molho as calças. Sinto ainda mais peso. Caminho na areia. Pesadamente. Com pressa mas sem resultado. Há peso nos ombros, como um casaco de peles. Caminho até uma espécie de casa. É só uma cabana. Simples. Há coisas a esvoaçar. São panos brancos. Subo uma rampa de madeira comida pelo sol. Sei que tenho de entrar. Foi algo que prometi. Entro mas não há porta. Há uma cama grande. Tem um tecido branco como colcha ou lençol. Ao lado um banco. Uma espécie de mocho. Em cima duas velas virgens. Um caixa de fósforos velha. Acendo-as. Agora é de noite. Mas era tão de dia. Talvez. Dispo-me. Parece-me passar uma hora. Nada saí do corpo. Penso tomar banho no mar. Mas o medo da falta de pé. Acobardo-me. Tenho medo de arriscar. Deito-me na cama. Em frente há um chuveiro, no meio do nada, ao fundo do quarto. Ou cabana. Levanto-me concentrada. Tomo banho. Água gelada. Choro. Volto à cama. Cheira bem. Não há toalhas. Cola-se o tecido branco ao corpo. Obrigo os olhos a ver-me. Nua. Não quero ver. Fecho os olhos o mais rápido que consigo. Ardem. Acordo. Não sei se dormi. O sol ilumina o quarto. A cabana. As velas quase intactas. Apagaram-se a meio do sonho. Fixo o olhar nelas. Acordo. Queria voltar lá. Não posso, tenho de esperar todo o dia, até dormir. Toda a monotonia de um dia inútil. Já na noite tenho de esperar o sono. Já no sono espero a tristeza. Já triste sonho. Com sorte volto à ilha. À cabana. À conclusão de tudo isto.

Texto: Andreia Monteiro
Fotos: Ana Gilbert

# 2425



Quando o céu clareia cada dia, faz uma vida inteira.

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Francisco Válga

# 2424



Voavam todos alinhados. Rumo a não sei bem onde, em busca de não sei bem o quê e a pairar por cima de mim. Seriam abutres ou araras?

Texto: Maria João Faísca
Foto: João Oliveira

# 2423



No (des)equilíbrio das tábuas. Efeito pendular e incerto do amor, que chama ao cais as embarcações, na ânsia de pintar a rosa muitos entardeceres.

Texto: Renata Barbosa
Foto: Teresa Bret Afonso

# 2418




Sigo-o pela sombra até encontrar a sua luz.

Texto: Maria João Faísca
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 2417




... E hoje, já permitiste o teu coração sonhar?


Texto: Liliana Silva
Foto: Sílvia Bernardino

# 2416



Se alguém vivesse os teus medos, eles seriam teus?

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Licínio Florêncio

# 2413




Estamos a perder. A deixar de ser. Para ser outra coisa. A fragilidade humana é isto. Ter de viver sem saber o que se é.

Texto: Mónia Camacho
Foto: Selma Preciosa

# 2412




A imortalidade acontece no instante em que a beleza se deixa enlaçar.

Texto: Catarina Vale
Foto: Rosa Paixão

# 2411




... E hoje, já permitiste o teu coração sonhar?


Texto: Liliana Silva
Foto: Maria João Faísca

# 2410



As nuvens passam, vagarosas e indiferentes.
Porque nunca param para nos escutar?

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Ana Gilbert

# 2409



se o amor fosse uma casa
tinha tecto de céu, chão de luz e janelas para os dias felizes


Texto: Isabel Pires
Foto: Teresa Bret Afonso

# 2408



As mãos. O espaço vazio entre os dedos. Há quanto tempo estaria assim, por preencher?

Texto: Catarina Vale
Foto: Fernando Silva

# 2407



Não tragas o tempo contado. Chega sem anunciar a partida. Demora-te na delicadeza da tua respiração enquanto acelera a minha, no corpo que roga pelo teu. Cerro os olhos, é nas memórias que te quero ver, nos instantes em que os olhares fascinados se convertiam num só, e os sentidos confundiam-se a qual de nós pertencer.
Esse toque, tão delicado, que sempre se faz sentir, serás tu ou, talvez, só a sede de te ter.
Serei algo mais do que espera?
Sussurra o meu nome e saberei que ainda existo...

Texto: Catarina Vale
Foto: Sónia Silva

# 2406



Sinto o aperto dos teus braços num pensamento que me consome a alma.

Texto: Maria João Rocha
Foto: Rosa Paixão

# 2405



Há momentos em que nos sentimos tão especiais que queremos eternizá-los, guardá-los carinhosa e calorosamente nas nossas memórias. Tal e qual eles nos se apresentam.
Sabes como se faz? Ensinas-me?

Texto: Patrícia Grilo
Foto: José Luís Jorge

# 2404



A solidão é clientela habitual da loja da alma.

Texto: Leonor Dias
Foto: Teresa Maria dos Santos

# 2403



Mergulho em mim, acendo o sol, encontro a lua, brilhando na ponta dos dedos que soltam os risos de puro prazer.

Texto: Catarina Vale
Foto: Mar Graciosa

# 2402



Rasguei as águas à procura de paz. Encontrei o silêncio da solidão.

Texto: Lia Wolf
Foto: Rah Pha

# 2401



Que importam as descidas e subidas se caminhas livre?

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 2400




A frescura do lugar convidou a ficar. Viajei, sem não mais sair de lá. Pelas letras das páginas-viagem que a brisa virou.


Texto: Renata Barbosa
Foto: José Luís Jorge

# 2399




Não há passos cansados nos caminhos da imaginação. Nem nos sonhos...

Texto: Catarina Vale
Foto: Teresa Bret Afonso

# 2398








Das histórias com borboletas

Desenhaste-me sorrisos com as palavras que tão bem sabes pintar. Os meus sorrisos, que não são nada fáceis de arrancar, ganharam comprimento para bater à tua janela. Queria que me ajudasses a fixá-los nos contornos da minha boca. Foi o que te pedi enquanto calçava as meias de que mais gostas. Uma carta que sofre de quebras de tensão e que queria equilibrada com a tua sensibilidade e lucidez.
Não sei o que fizeste aos lápis de cor.
Não sei o que fizeste às aguarelas novas.
Não sei o que fizeste à tela que te comprei.
Temi não poder saber se continuavas a respirar. Temi não poder confirmá-lo.
Não se morre só da carne, dos ossos e do coração que decide parar. Também se morre pelas borboletas que deixaram de voar.
Com os dedos, tatuámos um acordo. Nos dias em que quisermos escorrer doçura, abriremos a porta do borboletário. Para que a maior, a belbellita de asas de veludo negro e pintas vermelhas, possa treinar o voo nas entrelinhas do nosso passeio.


Texto: Isabel Pires
Fotos: Cristina Vicente

# 2397



Chegará o instante em que a alma abandona o corpo, em que regressarei sozinha de ti mas mais comigo do que nunca.

Texto: Catarina Vale
Foto: Peter A. Gilbert

# 2396



Já fui tantas de mim que já nem sei quem sou.

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Licínio Florêncio

# 2395




nas dunas douradas do corpo que venera
vinca como suas as pegadas da descoberta 
alongadas as curvas, estende-se
toma balanço, não segue um mapa...
dedilha com suavidade a volúpia dos sentidos
provoca, sorrindo, a insensata luxúria
sabe que não se arrependerá
na inconsciente certeza da perdição.

Texto: Diana R. Castro
Foto: Sílvia Bernardino

# 2394



Ao observar a luz que me ofereceste, sorrio em despedida.

Texto: Leonor Dias
Foto: Teresa Maria dos Santos

# 2393



A maior parte das minhas horas são paralisia.

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: João Oliveira