# 1187



"Talvez essa fosse a função da passagem do tempo. Envelhecer as dores."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Sónia Silva

# 1185



"Temia que a realidade estivesse sempre pronta a fugir-lhe."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Carla de Sousa

# 1184



"Este é o tempo de passagem, na verdade todos os tempos são tempos de passagem... e ainda assim este é um tempo com baliza feita de passado e de futuro, como postes de um lado e doutro... sem nada por cima porque por cima do tempo não se pode colocar nada. Neste tempo não somos avançados ou médios, defesas ou árbitros... guardamos as redes em pleno meio campo virados para as bancadas centrais. Este é o tempo do sonho, sem espaço e sem ordem onde nos ordenamos para habitar o há-de vir. Este é o tempo favorável."

Texto: Cláudia Rocha
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 1183



"Não queiras prender-me. Mesmo que seja no interior do teu coração."

Texto: Miguel Clemente
Foto: Maria João Alves

# 1182



"Não é o que cobres com luz que me atrai. É a escuridão que escondes que me cega."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Sílvia Bernardino

# 1181



"Mas também, onde estava escrito que o destino final da humanidade era a felicidade?"

Texto: A. M. Catarino
Foto: Elisabete Antunes

# 1180



"Abri a porta. Olhei. Procurei e foi como se o frio do inverno me tivesse penetrado os ossos. Encontrei-o. Parado, imóvel espera por mim. Suavemente fiz deslizá-lo até o apertar na minha mão. Afinal era este o meu iogurte preferido."

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Ana Moderno

# 1179



"Olha longe. É lá que chegarás. Enganas com a tua voz de mimo, a lágrima fácil e esse beicinho de mel. Mas eu sei que é lá que chegarás. Onde poucos conhecem existência. É onde existirás!"

Texto: Renata Barbosa
Foto: Filipa Bocchi

# 1174



"Vim à tona. Coloquei os braços de fora, respirei, olhei e agarrei-me ao que de melhor tinha ali mesmo à mão, a vida. Segui-a."

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Sónia Silva

# 1173



"Naquele instante, ter-me-ia bastado olhar por cima do ombro. Pedir ajuda. Duas palavras impossíveis para quem nasceu desconfiado."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Maria João Alves

# 1172



"Trago-te vida. Toma, agarra-a."

Texto: Miguel Clemente
Foto: Sílvia Bernardino

# 1171



"Mertens dançante de regresso à minha rua,
devolvendo-me a Lua Cheia
em noite de chuva miudinha."

Texto: José Alberto Vasco
Foto: Teresa Bret Afonso

# 1170



"Se calhar, estava só perdido numa qualquer rua escura e assombrada do seu próprio pensamento."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Carla de Sousa

# 1169



"É quando o sol beija a terra que tudo se pinta de uma nova cor. A hora é certa. O minuto talvez. Mas é no segundo que tudo acontece. É rápido e veloz a percorrer cada centímetro de nós. Devora alegrias e tristezas como uma trituradora em filme de ficção. Petrifica o mal. E faz correr o vento, que leva as tempestades para longe. Hoje, o momento tem fim na mais bela cor pintada nos céus. Mas amanhã, ó artista dos céus pincelados, pintarás novamente essa cor em mim. Assim será amanhã, saberás tu. Quando, novamente, o sol lentamente descer a beijar terra."

Texto: Renata Barbosa
Foto: Elisabete Antunes

# 1168



"Não pertencia a sítio nenhum e talvez isso o deixasse constantemente a meio caminho de todos os lugares."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 1167



"À tua espera, passo os dias a inventar razões para o amor."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Tânia João

# 1166



"Nunca tinha pensado que o silêncio de uma casa pudesse ser tão monótono, tão escuro, tão desolador."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Ana Gilbert

# 1165



"Diria que vejo o reflexo das estrelas espelhado num dia de sol. Diria que vejo as cores da lua a tocar nas do sol. Diria ainda que encontro aqui um amor maior. Um amor do sol à lua, que se apaga na noite só para a ver luzir no escuro. Um amor da lua ao sol, que se esconde no dia, ao vê-la brilhar!"

Texto: Renata Barbosa
Foto: Ana Pinheiro

# 1164



"Queria ser vento e ter raízes."


Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Vídeo: Maria João Alves

# 1163



"Sei agora que cantas como uma deusa e que atravessas o Alentejo com a eterna paixão de quem atravessa a vida."

Texto: José Alberto Vasco
Foto: Ana Moderno

# 1162



"Somos todos feitos de partes que não podemos entender e é essa a nossa condição."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Sónia Silva

# 1161



"O meu modo predador de te encarar nunca foi dissimulado. Se das meias palavras fizeste alimento de uma devoradora esperança estéril, a responsabilidade é tua."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Maria João Alves

# 1160



"Sempre me faltou
um poema sobre a morte,
embora prometa restar sempre vivo."

Texto: José Alberto Vasco
Foto: Elisabete Antunes

# 1159



"Absorvi cada momento como se fosse o último, como se tudo o que estava a começar estivesse a expirar. Devorei cada segundo com a intensidade de quem precisa de matar a fome e a sede. Era fome e sede de ti."

Texto: Helena Simão
Foto: Teresa Bret Afonso

# 1158



"Estava o céu a passear numa manhã de Inverno quando pensou: podia descansar um pouco aqui. E descansou, à beira de uma árvore."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Sílvia Bernardino

# 1157



"E o Sol de Lisboa, todo de uma vez, com ganas de aquecer corações solitários. "

Texto: Mónia Camacho
Foto: Filipa Bocchi

# 1156




"Encontraremos náufragos. Tristes como nós, mortos. Outros embarcaremos com vida. E no silêncio lento recuperemos o sol em seus cabelos. E os faremos meninos outra vez."

Texto: Lorena Kim Richter
Fotos: Ana Gilbert e Peter A. Gilbert

# 1154



"Janelas. Podemos abrir. Podemos fechar. Podemos semicerrar. Podemos deixar entrar a luz. Ou fechar, se queremos a escuridão. Podemos entreabrir e sussurrar, em misterioso lusco-fusco. E apreciar o movimento das sombras. Deixá-las lentamente fluir ou brincar com elas. Janelas. Há um sabor apimentado ao saltar a janela. Um cheiro a perigo e um sentir os pés em terreno movediço. Janelas. São muito melhor que portas. São as janelas."

Texto: Renata Barbosa
Foto: Teresa Bret Afonso

# 1151



"O tempo é um consumível escasso que não permite reutilização."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Tânia João

# 1150



"O teu olhar dança. Dança e faz dançar. E sei que queima. Muito."

Texto: José Alberto Vasco
Foto: Vilma Serrano

# 1149



"A mão que esconde é a mesma que oferece?"

Texto: Miguel Clemente
Foto: Maria João Alves

# 1148



"Não nasci no mundo. Foi o mundo que nasceu em mim e eu no mundo que em mim nascia. Fora de mim, o nada. Fora de mim, a irrelevância de ser ou não ser. Fora de mim, o que nunca poderei saber."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Inês Sarzedas

# 1146



"Hoje é o dia que os cravos serão sempre rosas. E o mais importante é isso mesmo, fazer com que essas rosas iluminem sempre o nosso caminho."

Texto: José Alberto Vasco
Foto: Carla de Sousa

# 1145



"As palavras cansam quando são ocas. Ou é o silêncio?"

Texto: Jorge Gomes Silva
Foto: Ana Pinheiro

# 1144



"Benditas as águas que nos fazem felizes. Sejam salgadas, bromadas ou até cloradas. Sejam lágrimas que nos aliviam as dores, sejam lágrimas que largamos de tanto rir, sejam as águas da chuva que nos lavam a alma e que arrastam os males pelas sarjetas. As melhores águas rebentaram-me há uns anos. E hoje, a cada dia, celebramos com água este nosso laço. Este elo umbilical que nos une e que assume a culpa do nó cego que há muito me cegou de amor. A melhor laçada da minha vida. E a única que nunca quererei desenlaçar..."

Texto: Renata Barbosa
Foto: Teresa Bret Afonso

# 1143



"Estou certa de poder emergir com ideias de revolução e liberdades urgentes. Livre. Enfim, livre. Afinal, completa."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Ana Marques

# 1141



“Engraçado como também as árvores parecem possuir as suas personalidades, parecem revelar os seus estados de alma.”

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Sílvia Bernardino 

# 1139



"Dançar dói. Às vezes muito: viver também. Depois há o prazer, essa parte exaltada das coisas. E é a mistura que é o segredo."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Rita Bastos
 

# 1138



"Caixa de alma

Vou colhendo fragmentos de vida e guardo-os numa caixa. A essa caixa chamo alma."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Ana Gilbert