# 2193



"Abre-me as portas do amanhã."

Texto e foto: Elsa Margarida Rodrigues

# 2192



"Quando vejo árvores ao vento, penso:
Desde sempre
Muitos antes
Muito depois
Ouço-as sussurrarem
Rirem de mim baixinho:
Tão pequena, tão breve"

Texto: Lorena Kim Richter
Foto: Regislayne Morais

# 2187



"Sabemo-nos unidos na solidão. É a felicidade que nos resta."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Cristina Graça

# 2186



"Os meus sonhos são castelos que se vêem ao longe."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Maria João Faísca

# 2185



"Não deu conta de ir. Caminhos de sorrisos, de incontáveis palavras que mesmo sem voz se faziam ouvir. Não deu conta de voltar."

Texto: Catarina Vale
Foto: Maria João Dias

# 2184



“Olhar é rápido, ver, demora mais um bocadinho.”

Texto: Pedro Ferrão
Foto: Selma Preciosa

# 2183



"Porque destróis algo que demorou tanto a ser construído?"

Texto: Eva Henriques
Foto: Teresa Bret Afonso

# 2182




"Aproximei-me demasiado
de ti
e o meu peito rasgou-se,
nas arestas afiadas
do teu súbito silêncio."

Texto: Cristina Graça
Fotos: Cristina Vicente

# 2181



"Não penses no futuro, que ainda há tanto presente pela frente."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Ana Gilbert

# 2180



"Impressionam-me as pessoas austeras: impõem-se uma rigidez de costumes que condena antes do fim."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Vilma Serrano

# 2179



"Cresciam-lhe florestas por dentro, uivavam-lhe lobos nas ideias."

Texto: Joana M. Lopes
Foto: Maria João Alves

# 2178



"nisto do amor
talvez não me aconteça nada de especial ou extraordinário, se comparado com as outras pessoas.
talvez sejamos muito parecidos naquela parte de nos apaixonarmos por pequenas coisas, muitas pequenas coisas sem importância que incitam ao amor; pequenos nadas que fazem o amor e ao mesmo tempo desfazem a possibilidade de responder ao porquê de o amor recair em ti.
às vezes penso que devia usar conjugações menos mundanas para dizer como num qualquer momento em que me julgo distraída, sinto estas miudezas a imporem-se e a ocuparem a vida. às vezes é o teu tronco em céu que vejo no ufanar das velas do barco que passa na minha frente. outras vezes é o brilho do vento embrulhado a sol que faz reaparecer o sorriso dos teus olhos. às vezes acontece muito rápido, um intrincado de sensações que fazem o meu mundo ter a medida de ti.
isto do amor
talvez seja sempre especial e extraordinário. assim do nada, o amor é capaz de fazer com que uma partícula minúscula, um corpúsculo, um acidente dos dias, me leve a ti."

Texto: Isabel Pires
Foto: Sílvia Bernardino

# 2177



"Cada vez que chegava ao fim percebia que conseguia ir mais longe. Permanecemos onde não deixamos de avançar."

Texto: Catarina Vale
Foto: Vanda Teixeira

# 2176



"Sou sempre o que vem a seguir. Não me conjugo no passado."

Texto: Miguel Clemente
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 2175



"Renova-se em mim o espanto deste bater permanente de asas cá dentro."

Texto: Rita Moreira
Foto: Fernando Silva

# 2174



"Os dias abandonam-nos como se nunca nos tivessem pertencido."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Vera Novais

# 2173




"O que te segredam os meus movimentos?"

Texto: Paulo Kellerman
Fotos: Carla de Sousa

# 2172



"A imortalidade acontece no instante em que a beleza se deixa enlaçar."

Texto: Catarina Vale
Foto: Sílvia Bernardino

# 2171




"Quem passou por quem fomos? Quem está onde somos?"

Texto: Cristina Vicente
Fotos: Teresa Bret Afonso

# 2170



"Antes, desorientado, quanto mais me debatia contra a natureza mais ela se impunha."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Raquel Ferreira Coimbra

# 2169



"Enquanto o olhar alcançar, existe permissão para sentir."

Texto: Catarina Vale
Foto: Teresa Maria dos Santos

# 2168



"Gravamos na alma o que mais nos marca a pele, transmutando a felicidade em intensa melancolia. Talvez sejamos fábricas de memórias."

Texto: Catarina Vale
Foto: Cristina Graça

# 2164



"Para transparente, bastam as asas. Deixa-me os meus segredos."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Vera Novais

# 2163



"Quando vejo árvores ao vento, penso:
Desde sempre
Muitos antes
Muito depois
Ouço-as sussurrarem
Rirem de mim baixinho:
Tão pequena, tão breve"

Texto: Lorena Kim Richter
Foto: Selma Preciosa

# 2162



"Ler antes de queimar.
Mesmo que o inverno aperte."

Texto: Sandrine Cordeiro
Foto: Ana Moderno

# 2161





"reverberação

Ao escutar o som amplificado do violino, a primeira reação é de contrariedade: a melancolia do instrumento é corrompida pelo amplificador barato. Irritada, volto ao café, quero aproveitar os últimos minutos antes de começar o dia de trabalho; porém, é mais forte do que eu e me pego a imaginar que o som já terá chegado à sala (reverbera dentro de mim) e que me distrairá das histórias, das pessoas (não quero que se aninhe em algum canto escondido). Um vidro e uma parede me separam (protegem?) da cena. Folheio o livro sem foco, percorro as telas do celular sem interesse, a passar por caricaturas que são vidas, a escoar a minha própria vida. Sinto incômodo. Olho de relance e só agora noto a presença da partitura, o pé a marcar o compasso do texto. A vida entra em modo pause. Espicho o pescoço. Pela primeira vez busco ver o músico e descubro que são dois rapazes a tocar; a mala aberta no piso coberta com o pano cor de vida para receber os trocados que nem sei se dão para alguma coisa.
Tento ler seus olhos: estão lacrados, ou talvez, apenas concentrados naquelas pequenas marcas negras sobre o fundo branco. Partitura. Partido. Partes. Imagino-lhes a vida: estudantes de música, quase com certeza. Devem ser de outra cidade e vieram cursar a faculdade; alugam um quarto numa casa antiga com outros estudantes iguais a eles. Ou quase. O arco desliza, em câmera lenta; vez por outra, sons de buzinas estilhaçam o ar, impacientes. Uma criança de uns três anos se aproxima com uma nota. Quer entregá-la na mão de um dos músicos (a relação se faz de mãos que pedem e nem sempre recebem? que doam e nem sempre são acolhidas?); ainda não percebe as diagonais, as perpendiculares, os trajetos dos desencontros. A mãe indica a mala e ela deposita feliz aquilo que ainda não entende. O livro esquecido, o celular na bolsa, presto atenção à música, um Vivaldi mal executado, um inverno neste verão escaldante e empoeirado, mas que de súbito toca alguma corda em mim e provoca uma ternura por esses seres anônimos, perdidos numa cidade abandonada, a tentar espalhar alguns sorrisos distorcidos pela tecnologia, a tentar ganhar algum dinheiro distorcido pela caridade. E eu olho, penso se tenho dinheiro trocado (deveria dar alguma coisa em retribuição ao que eles provocaram em mim?). Olho as árvores em volta, a rua movimentada, os motores rasgando o asfalto, o estado de sobrevivência, e penso se estou a viver, de verdade. A tecla pause é desligada e a vida continua seu movimento autônomo. A ternura escorre, a comunhão durou pouco; também eu sou feita de desencontros. Uma pergunta grita dentro de mim: o que não fizeste por nós?"

Texto e fotos: Ana Gilbert

# 2160



"Reencontro-me tanta vez, na ausência, que da ausência se fez lar."

Texto: Rita Moreira
Foto: Maria João Faísca

# 2159



"Na profundidade do meu corpo em curvas de mim feitas desejo, cada toque é arrepio, cada recanto é prazer. Todos os lugares sou eu. Unicamente eu, no meu tempo, no meu anseio…"

Texto: Diana R. Castro
Foto: Frankie Boy

# 2158



"Estes são os teus dedos, conheço-os."

Texto e foto: Teresa Marques dos Santos

# 2156




"Somos todos feitos de partes que não podemos entender e é essa a nossa condição."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Fotos: Teresa Bret Afonso

# 2155



“Há dias como naufrágios, que só terminam quando nos deitamos nos destroços, sem qualquer defesa, e paramos então de esbracejar a navios que não passam porque nunca os precisamos, se não fosse o medo.”

Texto: Rita Moreira
Foto: Carla de Sousa

# 2154



"Poderemos parar um momento e chamar-lhe eternidade?"

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Teresa Maria dos Santos

# 2153



"A maior parte das minhas horas: paralisia."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Cristina Graça

# 2152



"Tem uns olhos daqueles que não se podem fechar por dentro. Uns olhos infecháveis."

Texto: Miguel Clemente
Foto: Maria João Alves