# 1402



"Até na desistência há beleza. No cativeiro. Na própria morte. Lembrou-se disso enquanto prendia o cabelo. Depois, esperou."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Frankie Boy

# 1401



"A tua aceitação do meu corpo comove."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Filipa Bocchi

# 1400



"Urgência perdida na indefinição. Um tanto faz de querer sem saber que o quer. Formas inventadas para um não existir. Tempo perdido guardado na algibeira de um casaco vulgar. A luz que não brilha no quarto que afaga. Sussurros que ecoam entre o céu e o mar. Bilhete de volta rasgado na ida. Promessas de giz baralhadas no ar. Árvore de sonhos desprovida de si. O café que transporta sem sequer despertar. Livro de letras atiradas para ali. Pálpebras que fecham prostradas de ler. A mão, enlevada, folheando a enlouquecer..."

Texto: Catarina Vale
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 1399



“Fecha os olhos e vem comigo ver estrelas.
No caminho te ilumino.”

Texto: Letícia A.
Foto: Ana Gilbert

# 1398



"Dissolvo-me a cada instante para me reconstruir de seguida deixando vazios espaços antes ocupados pela essência volátil de que sou feita."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Maria João Alves

# 1397



"Não era a desordem exterior que a perturbava. O problema é que ao cair qualquer coisa dentro de si se quebrara. Sararam as mãos. Os joelhos. As articulações recompuseram-se. Aconteceu que nem tudo tivesse conserto. Desde aquela hora havia uma dor indefinível a comê-la por dentro."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Sónia Silva

# 1396



"E o menino disse: - um dia quero ter a forma das nuvens, como eu as imagino."

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Vilma Serrano

# 1395



"É no sentir do teu olhar que eu me (re)vejo."

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Teresa Bret Afonso

# 1394



"Eu era o voyeur do lado de dentro da porta vermelha. Desejava-te.
Invejava as ondas que nos teus pés espumavam de cio."


Texto: Joana M. Lopes
Foto: Tânia João

# 1393



"Carregamos toda a nossa existência no incerto de decisões nascidas no medo, trémulas em assertividade, que nos empurram para ir no simultâneo de ficar."

Texto: Catarina Vale
Foto: Luís Miguel Grou

# 1392



“Nossos céus são diferentes, mas nossa lua é a mesma.”

Texto: Letícia A.
Foto: Carla de Sousa

# 1391



"É quando o sol beija a terra que tudo se pinta de uma nova cor. A hora é certa. O minuto talvez. Mas é no segundo que tudo acontece.É rápido e veloz a percorrer cada centímetro de nós. Devora alegrias e tristezas como uma trituradora em filme de ficção. Petrifica o mal. E faz correr o vento, que leva as tempestades para longe. Hoje, o momento tem fim na mais bela cor pintada nos céus. Mas amanhã, ó artista dos céus pincelados, pintarás novamente essa cor em mim. Assim será amanhã, saberás tu. Quando, novamente, o sol lentamente descer a beijar terra."

Texto: Renata Barbosa
Foto: Sílvia Bernardino

# 1390



"Depois, porque no peito da minha avó havia sempre um sol, imaginava as flores emergirem ao contrário, não para fora, mas para dentro, para dentro da minha avó velha, como se fossem plantas graciosas a nascer para os segredos da terra, a enfeitar o escuro e aquilo que ninguém vê."

Texto: Joana M. Lopes
Foto: Paulo Carrasqueira

# 1389



"Parti. Para um lugar longe de mim, onde tu não existes."

Texto: Clara Vales
Foto: Paula Melo

# 1387



“Se soubesse matemática dedicar-se-ia nesse momento ao cálculo das probabilidades de se encontrar a pessoa para quem se nasce.”

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 1386



"Boelina caía, sabendo que as pombas ainda voavam.
Apesar da morte, as pombas voariam sempre."

Texto: Joana M. Lopes
Foto: Fátima Pires

# 1385



"(…)

(Somos um espaço entre parêntesis. Nele, habitas as reticências que acomodo entre as minhas palavras e também todo o meu corpo. E assim, vivemos, confinados ao desejo que nos consome…)"

Texto: Clara Vales
Foto: Chico Vilaça

# 1384



"Onde houver luz há escolha."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Selma Preciosa

# 1383



"Há momentos, que de tanto os esquecer, ficarão em mim para sempre."

Texto: Catarina Vale
Foto: Carla de Sousa

# 1382



"Sei-te na ponta da língua."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Frankie Boy

# 1381



"A vida, por vezes, suja-nos a alma com maldade. Muitas vezes escreve sujo. Tudo, para que laves bem essa sujidade e ponhas a brancura da tua alma a corar ao sol. No final, cheira tão bem a limpo…"

Texto: Renata Barbosa
Foto: Tânia João

# 1380



"areia, mar, rochas, nuvens e outras loucuras da nossa solidão evoluem a um ritmo aparentemente esbatido pelo silêncio, perante o nosso olhar e a nossa atenção"

Texto: José Alberto Vasco
Foto: Paula Melo

# 1379



"Terá havido antes algo no sítio daquilo que agora somos?"

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Sílvia Bernardino

# 1378



"Perante o aflorar silencioso da indiferença vizinha, Boelina acasulava-se na companhia branca das pombas, com finos fios de solidão."

Texto: Joana M. Lopes
Foto: Carla de Sousa

# 1377



É no sonho que está a nossa identidade."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Rosa Paixão

# 1376



"Não sei se quero fugir. Embora seja a vontade natural de quem tem a porta fechada."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Fátima Pires

# 1375



"Não importa a direcção escolhida. Olhe para onde olhar, escolha o caminho que escolher, vejo sempre o mesmo. Vejo liberdade."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Teresa Bret Afonso

# 1374



"Sou um segredo que sonha para além da dureza das coisas."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Frankie Boy

# 1373



"O passado ganha forma neste segmento de tempo, materializa ‑se à frente dos meus olhos, como se agora as aves agitassem as asas e todo o pó suspenso, por anos e anos, nas penas e plumas se espalhasse diante da minha face, como partículas iguais a telas de cinema onde se projetam, em simultâneo, frações de um tempo muito antigo."

Texto: Joana M. Lopes
Foto: Ana Gilbert

# 1372



"Tudo se transforma nas ruínas do que foi."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Elisabete Antunes

# 1371



"O tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem. E cura, dizem por aí. Mas a cura não vem do adiantar do relógio. Nem de o acidentar. Vem do tempo. Desse tempo quanto tempo a cura atempar."

Texto: Renata Barbosa
Foto: Sónia Silva

# 1370



“Andava apenas a passar o tempo, como quem fala para o espelho.”

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Selma Preciosa

# 1367



"Conspiração

Sei-te igual.
Sei-te estranho.
Sei-te de cor.
Sei-te o sal,
O odor
e o intento.
Sei-te aqui.
Sei-te aí.
Sei-te onde for.
Sei-te como ser.
Sei-te o nome.
Sei-te o rosto.
Sei-te a boca.
Sei-te o corpo.
Sei-te o sexo.
E o desejo.

E não sei 

nada de ti."

Texto: Clara Vales
Foto: Ana Gilbert

# 1366



“A verdade e o amor são como a água: procuram sempre uma saída.”

Texto: Mónia Camacho
Foto: Sílvia Bernardino

# 1365



"As pessoas são misturas instáveis e volúveis que escapam a qualquer compreensão ou domínio."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Fátima Pires

# 1364



"Não fugi, fui procurar-me noutro lugar."

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Peter A. Gilbert

# 1363



"Se o espírito sonha, também a pele deverá ter os seus próprios sonhos. Todo o corpo deverá ter os seus próprios sonhos. Os dedos. A boca. Os olhos. Os seios. O coração. Todo o corpo a sonhar, infinitos sonhos a cruzarem-se por todo o lado, por todo o corpo. Como sangue."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Tânia João

# 1362



"Empurro-te. Sempre que precisares. Levanto-te. Sempre que caíres. Porque sei que no dia em que eu ficar tu me vais puxar. Estamos juntos nesta viagem."

Texto: Renata Barbosa
Foto: Maria João Alves

# 1361



"Por momentos esqueci o horizonte:
a vida era aquele trapézio.
Sustive o equilíbrio num fio de cabelo.
Desfaleci no sopro da tua boca.
Qual suave amparo feito de turbilhão e maresia.
Por momentos esqueci. Vivi."

Texto: Clara Vales
Foto: Carla de Sousa

# 1360



"Amante coroada
em redentora orgia de sexo e calcário.
Desvairo de arte e paixão."


Texto: José Alberto Vasco
Foto: Vilma Serrano

# 1359



"Há momentos, que de tanto os esquecer, ficarão em mim para sempre."

Texto: Catarina Vale
Foto: Paula Melo

# 1358



"É a sentir a liberdade dos outros que me acontece ser eu."

Texto: Mónia Camacho
Foto: Teresa Bret Afonso

# 1357



“O sentido das coisas depende da loucura de quem as observa.”

Texto: Mónia Camacho
Foto: Paulo Carrasqueira

# 1356



"Lembranças invadem-me o corpo tornando cada sentido escravo do seu prazer. Guardadas, tecidas pela imaginação, confusas entre o que foram e o desejo de terem sido.
Lembranças de mim, dos outros, lembranças dos outros em mim... Toque de sangue quente, fervilhando a razão. Risos soltos em tolices inventadas. Brilhos de olhares em êxtase de brilharem noutros. Lua que fez esquecer o Sol. Mãos que dançavam sem sequer sentir. Cheiro de abraço que parava o mundo. Sabor da pele banhada no mar. Roçar de lábios em beijos escondidos. Palavras libertas em promessas quebradas…
Fecho os olhos, enclausurando a memória em brumas de esquecimento. Fecho os olhos... Apagar-se-á na escuridão o que se ilumina de saudade para viver?"


Texto: Catarina Vale
Foto: Carla de Sousa

# 1354



"Só a minha língua consegue perceber onde termina a tua pele e começa a escuridão."

Texto: Miguel Clemente
Foto: Sónia Silva

# 1353



"O instinto é o nosso cérebro a fazer poupança de energia."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Luciana Esteves