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# 5694



Ela regressa lá.
Muitas vezes.
Todos os dias.
Aproxima-se da beira do poço. Olha-o com os mesmos olhos que o gato olha a sardinha: pretos, gordos, reluzentes, famintos.

Apetece-lhe saltar.
Muitas vezes.
Todos os dias.
Lençóis de alta linhagem para a receber. Brancos. Macios.

Quer sentir.
Muitas vezes.
Todos os dias.
Mas recua sempre, com a certeza de que parece fácil de mais.

Recua muitas vezes. Todos os dias.

Algum dia saltará.


She returns there.
Often.
Every day.
She comes to the edge of the well. She looks at it with the same eyes a cat fixes on a sardine: black, round, gleaming, hungry.

She feels like jumping.
Often.
Every day.
Sheets of a noble kind to receive her. White. Soft.

She wants to feel.
Often.
Every day.
But she always steps back, certain it seems too easy.

She steps back often. Every day.

One day she will jump.

Texto | Text: Diana Erduino
Fotografia | Photography: Priscila Lira

# 5565



A luz mais intensa pertence ao sol e aos que ousam.

The brighter light belongs to the sun and to those who dare.

Texto | Text; Andreia Azevedo Moreira
Fotografia | Photography: Priscila Lira

# 5543



A imaginação explica o mundo.
Tal como o toque explica o amor.

Imagination explains the world.
Just as touch explains love.

Texto | Text: Paulo Kellerman
Fotografia | Photography: Priscila Lira

# 5521



Existe uma civilização dentro do meu corpo.
À espera de ser.

There is a civilization inside my body.
Waiting to be.

Texto | Text: Ana Miguel Socorro
Fotografia | Photography: Priscila Lira

# 5465



Não existem verdades em meu corpo, apenas tempestades de verão.

There are no truths within my body, only summer storms.

Texto | Text: Vinicius Dias
Fotografia | Photography: Priscila Lira