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Memória

A Goretti (Crow Xposure) teve uma participação breve mas intensa no projecto Fotografar Palavras. Sempre com um espírito acutilante e um entusiasmo genuíno. Com uma boa-disposição contagiante. Com generosidade.
A Goretti faleceu, e não há forma de encontrar um sentido nisso. Há apenas incredulidade e tristeza. E abraços, solidários e silenciosos, a familiares e amigos.
Ficam os textos, ficam as fotos. Fica a memória.

# 2647




Acho honestamente que estou tão lúcida que estou a ficar louca.

Texto: Crow Xposure
Foto: Frankie Boy

# 2636



Hoje caminhamos de mão e dada sem medo de nos perdemos. Ambos sabemos que foram os caminhos sem saída que nos juntaram…

Texto: Liliana Silva
Foto: Crow Xposure

# 2616




O meu ser não tem limite... se calhar é melhor não ser, antes que me destrua.

Texto: Crow Xposure
Foto: Cristina Vicente

# 2598



[assim assim]
Não quero um amor morno,
uma tristeza assim assim,
uma dor que não sangra.
Não!
Não sei ser esse meio termo de coisa nenhuma.
Preciso de suor, lágrimas ou gargalhadas.
De tudo ou nada.

Texto: Andreia Marques
Foto: Crow Xposure

# 2588




Não envelhecer
é descobrir a alma
antes de o corpo padecer

Texto: Crow Xposure
Foto: Francisco Válga

# 2577



Tantas vezes sucumbi na libertária negritude da tatuagem do teu peito que acabei por esquecer o que sempre entendi celebrar. Recordo apenas a incorpórea imensidão voluptuosa do teu olhar azul impelindo-me a mergulhar sem rede no palpitante pulsar que nos fuzilava naqueles épicos instantes em que éramos vórtice e precipício. Esgotámo-nos felizes naquele abismo de ódio e paixão libertando sem dor o patético vulcão que pulverizámos. Sem gelo e sem vírgulas. Apenas inícios sem fim.

Texto: José Alberto Vasco
Foto: Crow Xposure 

# 2565



Porque não me escreves uma carta de amor? Pergunto-me, todos os dias, enquanto subo vagarosamente as escadas.

Texto: Renata Barbosa
Foto: Crow Xposure

# 2552



Perante o desejo, o medo verga-se e deixa de respirar.

Texto: Catarina Vale
Foto: Crow Xposure

# 2537



De certa forma, deixou de existir. Estamos constantemente a matar pessoas, por não as recordarmos. Pensar nos outros é dar-lhes vida. 

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Crow Xposure