# 2754



Agigantam-se os fantasmas diante de mim agarrado a um raio de luz.

Texto: Nuno Pinto Bastos
Foto: Pale Pink

# 2753



As crianças sonham sempre.
E depois, crescem.

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Teresa Maria dos Santos

# 2752



Procuro-te, como a um sopro de luz, no negrume dos dias iguais.

Texto: Liliana Silva
Foto: Raquel Ferreira Coimbra

# 2751




A minha pele é memória de uma vida, de uma história.

Texto: Maria João Rocha
Foto: Frankie Boy

# 2750



Vou fazer como os passarinhos, e subir saltitando de ramo em ramo até chegar a ti. 

Texto: Maria João Faísca
Foto: Cristina Vicente

# 2749



Ele despia-a à distância, na suavidade e toque da palavra, percorrendo-lhe a pele, letra a letra, poro a poro.

Texto: Renata Barbosa
Foto: Vilma Serrano

# 2748




Encontramo-nos no desencontro do caminho.

Texto: Maria João Rocha
Foto: Carla de Sousa

# 2747




Caminhamos

Caminhamos?
Fazemos do chão os nossos pés e das ruas os nossos braços.
Prendemos os olhos nas janelas e vagueamos pelas paredes, sem as apagar.
Descobrimos vida no inanimado dos passeios, levamos nos bolsos a música que se abandona pelos ouvidos. Com ela, preenchemos o vazio intersticial dos passos.
Caminhamos.
Corremos. Quando o tempo sobra a escassear. Sem pressa, sem lugar ou destino.
Chegamos, sem bagagem, cheios de fome e de caminho e queremos voltar.

Texto: Elisabete Neves
Foto: António Carreira

# 2746



Da incomensurável entrega ao que faço não aguardo dividendos. É acto puro.

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Paula Calheiros

# 2745




Há sítios que apenas se percebem se os percorreres descalça.

Texto: Mónia Camacho
Foto: Ana Rodrigues

# 2744




O dia só começa depois do teu sorriso.
E tu sorris! E o dia começa!

Texto: Mar Graciosa
Foto: Jorge Gomes Pereira

# 2743




Gosto da presença do teu cheiro nas minhas memórias.

Texto: Liliana Silva
Foto: Sílvia Bernardino

# 2742



quando chegaste
deixei de acreditar que a água era o melhor vestido para o meu corpo

Texto: Isabel Pires
Foto: Elsa Arrais

# 2741



Há momentos em que nos sentimos tão especiais que queremos eternizá-los, guardá-los carinhosa e calorosamente nas nossas memórias. Tal e qual eles nos se apresentam. Sabes como se faz? Ensinas-me?

Texto: Patrícia Grilo
Foto: Helena Abreu

# 2740



Reapareces-me sempre que te consigo finalmente esquecer. Enigma progressivo. Memória de um tempo não tão longínquo em que a minha música eras tu. Pacto insubmisso entre a deusa e o diabo, diariamente celebrado a sangue e canções de afeto. Serás sempre aquelas noites iniciadas pelo walking across the sitting-room que diligenciava o nosso desejo e a nossa denegação. Verbo intangível, suicídio eviterno. Princípio de um fim que dissimula navegar na eternidade. Jardim povoado de rosas assaltadas e degraus de areia desvanecida. Pulverização de uma morte adiada. Beleza crua.

Texto: José Alberto Vasco
Foto: Vilma Serrano

# 2739




«Até que nos possamos abraçar a céu aberto!»
Gritou. Todos, no Bairro, ouviram.
«Que a premência seja espalhar o Amor e não, apenas, sobreviver.»
Aplaudimos à janela.

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Renata Barbosa

# 2738




o meu amor também é um movimento invisível do corpo
no desenho dos dias
um dobrar oculto e silencioso
um balanço às imagens e pensamentos de ti
que ilumina e estremece os fios da rotina

Texto: Isabel Pires
Foto: Maria Jorge Soares

# 2737




Sonho perdido em ti. Leio poemas nos teus ouvidos.

Texto: Nuno Pinto Bastos
Foto: Chico Vilaça

# 2736




Procuro-te, como a um sopro de luz, no negrume dos dias iguais.

Texto: Liliana Silva
Foto: João Oliveira

# 2735



Talvez seja isso o amor: a sensação de que ainda falta dizer tudo, apesar de tudo já ter sido dito.

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Ana Gilbert

# 2734




Perfumas o meu sorriso a cada intenção de beijo.

Texto: Renata Barbosa
Foto: Pale Pink

# 2733



O lugar onde pensas estar já não existe. Há muito que a corda bamba baloiça sozinha.

Texto: Nuno Pinto Bastos
Foto: Cristina Vicente

# 2732



Os humanos perdem humanidade quando não se tocam. E é também na pele que o sentimento existe e se expande.

Texto: Mónia Camacho
Foto: Helena Abreu

# 2731




Caminhamos

Caminhamos?
Fazemos do chão os nossos pés e das ruas os nossos braços.
Prendemos os olhos nas janelas e vagueamos pelas paredes, sem as apagar.
Descobrimos vida no inanimado dos passeios, levamos nos bolsos a música que se abandona pelos ouvidos. Com ela, preenchemos o vazio intersticial dos passos.
Caminhamos.
Corremos. Quando o tempo sobra a escassear. Sem pressa, sem lugar ou destino.
Chegamos, sem bagagem, cheios de fome e de caminho e queremos voltar.

Texto: Elisabete Neves
Foto: Elsa Arrais

# 2730




Lembra-se da emoção do momento, o momento que antecede as grandes coisas. Lembra-se do nervosismo que sentiu, do corpo mole e do estômago a doer. Da excitação. Da antecipação das possibilidades.

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Nuno Sousa Dias

# 2727




Serão os caminhos uma forma do mundo nos mostrar que só podemos ser felizes se sairmos dos lugares que habitamos?

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Maria Jorge Soares

# 2726




O tempo é apenas espera quando o meu nome se perde na tua voz.

Texto: Catarina Vale
Foto: Luciana Esteves

# 2725



sent'aqui

o amor tem aquela particularidade estranha de ser grande e insinuar-se em miudezas, como um jogo de provocação.
pode ser um gesto, uma palavra ou frase curta, a memória da temperatura da respiração sobre a pele, um fio de luz nos cabelos, o ondulado da boca naquele dia, um lastro de almíscar, uma réstia do azul da camisola, um sabor a movimento de estuário, as mãos em poesia.
como um sopro.
o amor tem a particularidade de misturar o tempo e o lugar, e transferir gestos, palavras, olhares e tons, de um sítio para outro, a erguerem-se em almanaques brilhantes.
como uma aparição.

sent'aqui.
na intersecção do sol com o negrume da noite.

Texto: Isabel Pires
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 2724




[como estás?]
- Como estou?
(como o orvalho gelado,
ao sol de uma manhã de inverno,
depois da noite mais longa
e fria de todas.)
- Bem, e tu?

Texto: Andreia Marques
Foto: Cristina Vicente

# 2723



No caminho encontrei uma pedra. Lapidei-a em flor. Todos os dias a rego. Acho que já cresceu.

Texto: Renata Barbosa
Foto: Ana Moderno

# 2722




Não irei morrer sem saber quem eu sou. Penso e repito para dentro, para que todos os meus órgãos internos ressoem esta ideia e me obedeçam.

Texto: Rita Rosa
Foto: Ana Leiria

# 2721




Nunca serei um pássaro só por saber cantar.
Quero a alegria da manhã lúcida,
Da água fria que acorda os músculos,
Que enlouquece as asas e faz voar.

Texto: Fernando Silva
Foto: Frankie Boy

# 2720





Desligo-te.
A vaga ideia de ti, paira
como um novelo de ontens.
Promessas de páginas confinadas na agenda.
Da mão, caem-me as massinhas da canja
que te faria amanhã.
Baralham-se as letras,
Esqueço o teu nome.

Texto: Pale Pink
Fotos: Ana Gilbert

# 2719




Colo os pedaços de mim, escondidos no teu interior.

Texto: Maria João Rocha
Foto: Vilma Serrano

# 2718



A temperatura da tua pele acolhe o meu arrepio. Pesquiso nos teus olhos onde pairam as tuas asas. Perdeste-as?

Texto: Rita Rosa
Foto: Sílvia Bernardino

# 2717



Não há coincidências. Só beijos na boca.

Texto: Mónia Camacho
Foto: João Oliveira

# 2716



Deixei o meu último suspiro nas tuas memórias.

Texto: Maria João Rocha
Foto: Luciana Esteves

# 2715




Há utopias que não nos cansamos de querer alcançar. A liberdade de ser é uma delas.

Texto: Patrícia Grilo
Foto: Teresa Bret Afonso

# 2714




«Deus, a existir, instalado em cada coração!»
Uma prece ao contrário. Na vez de dirigida às divindades, a nós próprios.

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Ana Trindade

# 2713



A imensidão é a pequena parte de nós.

Texto: Ana Miguel Socorro
Foto: Chico Vilaça

# 2712



Era o resto do tempo que lhe significava o tudo no pouco que tinha.

Texto: Renata Barbosa
Foto: Pale Pink

# 2711




O que não conseguimos ver cega-nos.

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Teresa Maria dos Santos

# 2710




As reais peregrinações são sempre para lugares invisíveis, pois o verdadeiro caminho é sempre para dentro.

Texto: Joana M. Lopes
Foto: Maria Jorge Soares

# 2709



por sobre o teu ombro
as ondas chegam à praia.

Texto: Helder Magalhães
Foto: Cristina Vicente

# 2708



Mais importante que o caminho, é partir.

Texto: Nuno Pinto Bastos
Foto: Raquel Ferreira Coimbra

# 2707




Por vezes, sente vontade de falar e, desse modo, expulsar as vozes para fora de si;
por vezes, inventa-lhes um destino
e o seu espírito divaga, levando consigo o olhar...

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Luciana Esteves