# 3042



Agigantam-se os fantasmas diante de mim agarrado a um raio de luz.

Texto: Nuno Pinto Bastos
Foto: Maria Jorge Soares

# 3041




[textura]

a solidão devolvia-lhe a si mesma
e pela primeira vez
sentia a aspereza de seus vazios

Texto: Dulci Dantas
Foto: Elsa Arrais

# 3040




Sabes a mar. Sim, sabes a mar. E quando te beijo sinto-me transportado. Como se cada beijo teu me levasse numa viagem da qual não quero regressar.

Texto: Maria João Faísca
Foto: Vilma Serrano

# 3035



Há no silêncio a nostalgia de um tempo que passa [quase que se desperdiça].

Texto: Nuno Pinto Bastos
Foto: Ana França

# 3034



Ao longe vislumbrei a tua silhueta, desvanecendo-se na esquina do dia!

Texto: Clara Ribeiro
Foto: Cristina Vicente

# 3029




Já não fazemos amor como fazíamos. A noite deixou de nos saciar e, das janelas, o único cheiro que sinto é o do inverno.
Por isso vai,
antes que o silêncio atroz nos roube os sonhos,
antes que naufraguemos nas nossas próprias lágrimas,
antes que as palavras nos abram feridas profundas na alma,
antes que nunca mais façamos amor.

Texto: Liliana Silva
Foto: Vanda Cristina

# 3028




Mergulho em mim, acendo o sol, encontro a lua, brilhando na ponta dos dedos que soltam os risos de puro prazer.

Texto: Catarina Vale
Foto: Diana R. Castro

# 3027




Houve dias em que foi ausência e apenas eu dancei a nossa canção.

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: João Oliveira

# 3026



Entre as metáforas da vida e as mentiras das palavras, o que sobra?

Texto: Cristina Vicente
Foto: Ana Isa

# 3025



O meu corpo é a minha fronteira.

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Célia Góis

# 3024



Dá ao corpo e ao espírito uns minutos de sossego, de paz, de satisfação plena, sem pensamentos, sem desejos, sem medos. Apenas paz.
Um breve momento de nada.

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Ana Leiria

# 3023



Agora é a tua vez de partir.

Peço que me leves apenas em quantidade suficiente para respirar. Mais que isso, ocupará espaço e tu precisas do vazio para caberes sem aperto. Não te permitas a chorar. Se o fizeres, limpa-te com as memórias que te lembram como eras infeliz. Acredita num sol que aquece e num vento que adormece. Não aceites a rotina de uma ideia: é cortante e dilui-se no primeiro copo de vinho. Afasta-te das palavras fáceis. Escreve-as e queima-as. A facilidade nunca foi um bom augúrio. E depois, esquece-me.

Texto: Rita Rosa
Foto: António Carreira

# 3022



E se formos o que sentimos, deixaremos de fingir o que somos?

Texto: Catarina Vale
Foto: Elsa Arrais

# 3019



Tudo se transforma nas ruínas do que foi.

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Vanda Cristina

# 3018



A minha sombra arde ao pensar-te, embora a voz traidora cautelosa ordene o teu afastamento. Uivo à noite a solidão.

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Carla de Sousa

# 3017




Vou soprar para o vento me ouvir, gritar para o silêncio me escutar. Vou ficar paciente porque essa é a minha forma de ser!

Texto: Joana Gonçalves
Foto: Célia Góis

# 3016




Não somos o que vestimos mas os farrapos que escondemos...

Texto: Cristina Vicente
Foto: Ana Gilbert

# 3015



Uma verdade nunca desvanece no passado. Ela é um futuro que ainda há-de voltar.

Texto: Nuno Pinto Bastos
Foto: Maria João Dias

# 3014



Paira no ar, presa por fios invisíveis, suspensa na ampulheta do tempo, quietude inquieta em espera daquilo que nem ela conhece... Lá em baixo? Todos bulem e ninguém a vislumbra, ainda que todos a vejam sorrir!

Texto: Clara Ribeiro
Foto: Maria Jorge Soares

# 3013



E fico mais um pouco, gosto que anoiteça.

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Fernando Silva

# 3012



As nossas raízes entrelaçaram-se para jamais esquecermos o caminho de volta.

Texto: Maria João Rocha
Foto: Manuel Pereira

# 3011



O caminho é longo para chegar, mas longuíssimo é o tempo de ficar.

Texto: Renata Barbosa
Foto: Sílvia Bernardino

# 3008



E se formos o que sentimos, deixaremos de fingir o que somos?

Texto: Catarina Vale
Foto: Célia Góis

# 3007



Sucumbimos a chamadas de atenção, fugimos ou desesperadamente escondemo-nos. Conseguimos ou não? Por um tempo conseguimos, por um tempo sossegamos, por um tempo deixamos de querer fugir.

Texto: Joana Gonçalves
Foto: Raquel Ferreira Coimbra

# 3004



Ainda que possamos renascer, nunca o faremos senão a partir das próprias cinzas. Nunca seremos outro para além de nós.

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Francisca Santos

# 3003



Vou soprar para o vento me ouvir, gritar para o silêncio me escutar. Vou ficar paciente porque essa é a minha forma de ser!

Texto: Joana Gonçalves
Foto: Ana Marques

# 3002




O corpo transformou-se no mero envelope de uma alma que já ali não mora.
De tão avassalador, só resta calar. Chiu…

Texto: Sandra Francisco
Foto: Célia Góis

# 3001




A luz vai mudando com os dias e as paredes, vazias, aguardam os esboços que preencham as horas.

Texto: Cristina Vicente
Foto: Carla de Sousa

# 3000



Num corpo alheio, ainda te sonhas no meu.

Texto: Maria João Rocha
Foto: Frankie Boy

# 2999



Quem sabe se toda a sua vida não tinha servido apenas para o trazer até àquele momento, o momento em que percebe que a vida, na sua origem primordial, na sua génese e no seu fim, nada é mais do que beleza. A beleza de uma ordem originária, da qual nos esquecemos porque nos enredamos no caos que vamos criando.

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Elsa Arrais

# 2998



[ausência]

estender os braços no escuro
e colher silêncios

Texto: Dulci Dantas
Foto: Juliana Monteiro Carrascoza

# 2997



Percorremos tanto para chegar à solidão ou para uma presença ausente de amor.

Texto: Maria João Rocha
Foto: Manuel Pereira