# 2010



"Somos um conjunto de transparentes memórias. Infinitas sobreposições de imagens feitas de água e vidro."

Texto: Joana M. Lopes
Foto: Artur Gomes

# 2007



"Não se retorna ao que está cada vez mais longe…"

Texto: Catarina Vale
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 2006



"Não sei o que mais pesa em mim: se o silêncio, se o vazio, se o riso, se o medo, se o prazer, se a angústia, se o sonho, se a indecisão, se a esperança, se a saudade. Sinto-me uma acumulação de pesos, que oscilam e se contorcem, buscando a supremacia. Compondo o puzzle que sou. 
E vou gerindo e equilibrando todas estas forças contraditórias como se a minha vida fosse uma espécie de ginástica permanente de emoções. Por vezes, não vivo: faço gestão de pesos. Evito quedas. Respiro. Sonho com a possibilidade de leveza. Sem saber o que mais pesa em mim."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Maria João Dias

# 2005



“Andava apenas a passar o tempo, como quem fala para o espelho.”

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Fernando Silva

# 2000

Era para ser uma brincadeira do Verão de 2016. Era para envolver meia dúzia de amigos. Era para chegar às cem publicações. 
Estamos no Outono de 2019. Envolvemos cento e quinze pessoas. Chegámos às duas mil publicações.
Dois mil obrigados.

# 1999



"O tempo é um consumível escasso que não permite reutilização."

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Teresa Bret Afonso

# 1998



"O céu e coisa nenhuma

Talvez um dia me apeteça ser vento
ser céu
ser coisa nenhuma
e tudo ao mesmo tempo

Talvez um dia me apeteça ser tua
ser minha
ser de ninguém
e de todos ao mesmo tempo

mas sem nunca deixar de ser
Eu
Eu vento
Eu céu
Eu coisa nenhuma
e tudo ao mesmo tempo"

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Cristina Vicente

# 1997



“ - Mãe, sabes porque assobiam as árvores?
- Sim, porque lhes toca o vento.
- Não mãe, é porque são felizes. “

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Fernando Silva

# 1996



"Querida Wendy, isto hoje está melhor que a Terra do Nunca. O Peter Pan e a Fada Sininho até já foram dar uns mergulhinhos.
- Que inveja! E eu já por aqui a transpirar. Bem me sabia um mergulho!...
- Está um dia de verão incrível. Ideal para meteres as galinhas na capoeira e vires molhar o pezinho.
- Hoje não é dia de galinhas. Estou de folga e às tantas vou aí de tarde.
- Humm, humm... Estás a fazer de Cinderela. Noutro conto de fadas."

Texto: José Alberto Vasco
Foto: Célia Guerra

# 1994



"É o destino que me empurra? Ou sou eu que arrasto o destino atrás de mim?"

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Carla de Sousa

# 1993



"Encontram-se tesouros quando o coração é virado do avesso."

Texto: Guida Isabel Santos
Foto: Artur Gomes

# 1990



"Diria que vejo o reflexo das estrelas espelhado num dia de sol. Diria que vejo as cores da lua a tocar nas do sol. Diria ainda que encontro aqui um amor maior. Um amor do sol à lua, que se apaga na noite só para a ver luzir no escuro. Um amor da lua ao sol, que se esconde no dia, ao vê-la brilhar!"

Texto: Renata Barbosa
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 1989



“Poderão os sentidos
Ser melhores que a razão?”

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Vanda Teixeira

# 1988



“Os dias escoam, frouxos, enquanto espero por ti. 
Os dias ecoam, frouxos, enquanto espero por ti.”

Texto: Ana Gilbert / Paulo Kellerman
Foto: Ana Gilbert

# 1987



"Venero estas coisas contigo.
Tremendamente.
Inspiras a canção."

Texto: José Alberto Vasco
Foto: Cristina Vicente

# 1986



"Por vezes, o tempo avança tornando os dias em segundos impossíveis de deter. 
- Sorrisos que se propagam da boca ao olhar -
Querer ficar, recusando que a memória se aproprie do que se faz sentir tão real.
- Gargalhadas prolongadas para além do que as fez surgir -
Mas a felicidade só existe no lado veloz da vida. Não lhe basta apenas acelerar o coração.
- Estrelas contadas por corpos fundidos de areia molhada -
Ignora que a tristeza surge num tempo que é possível dilatar. Que é na fugacidade de um momento que se concebe a saudade.
- Luz contemplada no mar -
Vagueamos por ritmos que desejaríamos inverter. Procuramos a eternidade para o que mais se faz sentir, para os instantes que nos encontram e de onde emergimos desprezando as palavras que desconhecem as letras de tamanha sensação. 
- Silêncio do mundo entre frenéticas respirações -
Gravamos na alma o que mais nos marca a pele, transmutando a felicidade em intensa melancolia. Talvez sejamos fábricas de memórias. Olhamos, ouvimos, saboreamos, cheiramos, sentimos para reabastecer lembranças.
É tanto, e só, nas lembranças que existimos. Nós nos outros, os outros em nós..."

Texto: Catarina Vale
Foto: Maria João Alves

# 1985



"Todos somos ilhas isoladas. Pensou ela antes de lhe pedir um abraço."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Sónia Silva

# 1984



"Quem vive com medo saberá a que me refiro. Desligamo-nos sob o seu manto."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Rah Pha

# 1983



“Não conseguia decifrar em que pensava, o que sentia, a vontade que lhe subia ao peito e faria mover as mãos.”

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Frankie Boy

# 1982



"Quantos gestos livres tive hoje?"

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Teresa Maria dos Santos

# 1981



"Uma palavra, mesmo que não a certa, e o sangue perde-se no sentido a seguir."

Texto: Catarina Vale
Foto: Teresa Marques dos Santos

# 1980



"Sabia-se personagem secundária da sua própria história.

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Artur Gomes

# 1979



"Havia obstáculos, o apelo à desistência, dúvidas-martírio e a solidão desmedida, só que era às estrelas que concedia importância."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Sónia Silva

# 1978





"hora de vagar

substrato da poesia
uns restos de tarde
ainda boiando
sobre o precipício ansioso
das horas
a desoras
um exílio costeiro
na costura de um sonho
sob o ato da poesia

(...)

dez horas
um vago lume se acende e eu vagamente
subo e trato da poesia"

Texto: calí boreaz
Foto de partida: calí boreaz
Fotos de chegada: Cristina Vicente

# 1977



"Cada vez que te digo o que sinto, abre-se uma janela. Um dia o meu coração voa e pousa no teu."

Texto: Guida Isabel Santos
Foto: Carla de Sousa

# 1976



"Ainda desejo este amor devoluto, por isso envolvo o teu corpo, como a trepadeira cega que abraça a casa à beira de ruir." 

Texto: Rosa Boto Caiado
Foto: Célia Guerra

# 1975



"A orfandade caiu sobre o seu coração como a noite. Tamanha sorte, a dela, haver amigos-luz rasgando a treva. Afagos para a melancolia a que haverá de ceder."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Maria João Alves

# 1974



"Sou livre. Até as ruas o sentem."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Sílvia Bernardino

# 1973



"Tenho de arranjar um par de olhos que não sejam os meus, para poder olhar para mim."

Texto e foto: Sandrine Cordeiro

# 1972



"Sou aquilo que não posso ser
Sou apenas o que me sonhei"

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Rah Pha

# 1971



"Sei o que sentir quando não há o que dizer. É com silêncios que se medem as distâncias."

Texto: Catarina Vale
Foto: Peter A. Gilbert

# 1969



"Devia haver sempre um cofre dentro de nós cheio de purpurinas.
Assim a nossa alma tinha sempre festa e os castelos não eram feitos de sonhos." 

Texto: Rute Violante
Foto: Fernando Silva

# 1968



"Como se as memórias se fizessem de pequenos frames que o olhar nos revela. E não faz?"

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Raquel Ferreira Coimbra

# 1966



“Algo me sustenta em meio à inconstância do meu mundo. Brota profundo, sólido; assiste impassível ao burburinho, à fluidez dos movimentos incessantes, por vezes inúteis. Seu silêncio é secular, brutal em sua pouca consideração por meus dias mesquinhos. Eu o adivinho, farejo seu olhar, e sei que nada mais importa.”

Texto: Ana Gilbert
Foto: Peter A. Gilbert

# 1965



“Ficamos a medir-nos como duas janelas por abrir.”

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Célia Guerra