# 4824



De que país vêm os teus sonhos?

What country do your dreams come from?


Texto | Text: Ana Miguel Socorro
Fotografia | Photography: Ana França

# 4823



NOITE
Nos teus dedos
mora a melodia do silêncio
que apenas ecoa
onde os pirilampos brilham.

NIGHT
In your fingers
resides the melody of silence
that only echoes
where fireflies shine.

Texto | Text: Maria Ervilha
Fotografia | Photography: Kika Yuste

# 4822



O que somos? Pedras em bruto lentamente esculpidas pelo génio da vida.

What are we? Rough stones slowly sculpted by the genius of life.

Texto | Text: Joana M. Lopes
Fotografia | Photography: Diana V. Almeida

# 4821



É tudo o que sou
Pequeno grão, e outro ainda
De dor ou alegria

Eco em queda silenciosa
Corro livre no paraíso


Everything I am
A tiny grain, one by one
Lies on fear or joy

Silent echo in the fall
Running towards paradise

Texto | Text: Mafalda Carmona
Fotografia | Photography: Clément Thuault (@clemtuo)

# 4820



Às vezes, um colo pequeno é tudo o que precisamos.

Sometimes a small lap is all we need.

Texto | Text: Márcia Oliveira
Fotografia | Photography: Sílvia Bernardino

# 4819



Gravamos na alma o que mais nos marca a pele, transmutando a felicidade em intensa melancolia. Talvez sejamos fábricas de memórias. Olhamos, ouvimos, saboreamos, cheiramos, sentimos para reabastecer lembranças.

We engrave in our souls what marks our skin the most, turning happiness into intense melancholy. Maybe we are memory factories. We look, we listen, we taste, we smell, we feel, to restore our memories.

Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photography: Michèle Polak

# 4818



Talvez. Não sei. Sabes porque sou montanhista? Porque quero subir às montanhas mais altas e a partir delas construir degraus com cordas, para fazer baloiços, para as crianças que vão para o céu. A minha avó disse-me que talvez fossem...

Maybe. I don't know. Do you know why I'm a mountaineer? Because I want to climb the highest mountains and from there build steps with ropes, to make swings, for children who go to heaven. My grandmother told me that maybe they were...

Texto | Text: Rosário Costa
Fotografia | Photography: Mariana Costa

# 4817



O meu coração também é dos que ficam pelo caminho. E sigo, de vazio ao largo, a tentar entender a lei das coisas.

My heart is also one of those who fall by the wayside. And I go on, with emptiness in the distance, trying to understand the law of things.

Texto | Text: Cátia Ribeiro
Fotografia | Photography: Eduardo Vales

# 4816



Na imensidão do céu, tricotamos os dias com fios remendados.

In the immensity of the sky, we knit the days with patched threads.

Texto | Text: Márcia Oliveira
Fotografia | Photography: Jelena Stankovic

# 4815



Eu estava perdida, perdida, perdida
em ti
agora estou de volta
A
Mim mesma

I was lost, lost, lost
in you
now I’m back
with
Myself

Texto | Text: Patricia Blok
Fotografia | Photography: Sandra Fine

# 4814



se o amor fosse uma casa
tinha tecto de céu, chão de luz e janelas para os dias felizes

if love was a house
it would have a ceiling of sky, floor of light and windows for happy days

Texto | Text: Isabel Pires
Fotografia | Photography: Theo Bunge

# 4813



É a sentir a liberdade dos outros que me acontece ser eu.

It is when feeling the freedom of others that I happen to be myself.

Texto | Text: Mónia Camacho
Fotografia | Photography: Laetitia Graber

# 4812



Procura-me nos lugares esquecidos, onde a nossa essência possa, sem receio, despontar...

Look for me in the forgotten places, where our essence can emerge without fear...

Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photography: Vanda Cristina

# 4811



Invento mapas. E depois percorro os caminhos que eles indicam.

I invent maps. And then I follow the paths they indicate.

Texto | Text: Paulo Kellerman
Fotografia | Photography: Kate Hrynko

# 4810



O amor não basta, é preciso a palavra e a dança.

Love is not enough, words and dance are needed.

Texto | Text: Ana Miguel Socorro
Fotografia | Photography: Mia Depaola

# 4809



Na cadeira
Aos pés da cama
Despe
O corpo
O coração

On the chair
At the foot of the bed
Undresses
The body
The heart

Texto | Text: Maria Moreno
Fotografia | Photography: Federica (final_girl_7)

# 4808



Quem sou no teu olhar?

Who am I in your eyes?

Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photography: Teresa Maria dos Santos

# 4807



Ecologia sonora
Presenças, ausências e o (des)encanto nos silêncios e nas palavras que enchem salas vazias.

Sound ecology
Presences, absences and (dis)enchantment in the silences and words that fill empty rooms.

Texto | Text: Márcia Oliveira
Fotogrqafia | Photography: Dean Garlick

# 4806



Temos de continuar a cantar...
     Mesmo com
Areia nas nossas gargantas.

We must go on singing…
     Even with
Sand in our throats.

Texto | Text: Patricia Blok
Fotografia | Photography: Elsa Martins

# 4805



porque não me canso
da geometria do teu corpo?

why can't I get enough
of the geometry of your body?

Texto | Text: Isabel Pires
Fotografia | Photography: Ana Gilbert

# 4804



É este o caminho?
É este o caminho.
Sempre que fizeres a pergunta, dá mais um passo.

Is this the way?
This is the way.
Every time you ask the question, take one more step.

Texto | Text: Ana Miguel Socorro
Fotografia | Photography: Bea Berg

# 4803



descobertas
intenções
acabam
com
finais
infelizes

finding
true
intentions
ends
unhappy
endings

Texto | Text: Mafalda Carmona
Fotografia | Photography: Luana Lessa

# 4802




Sem argumentos válidos, o absurdo grita demasiado alto. Pouco barulho, se faz favor.

Without valid arguments, the absurd shouts too loudly. Keep it down, please.

Texto | Text: Sandra Francisco
Fotografia | Photography: Gwen Julia

# 4801



Para onde vai o tempo quando paramos de dançar?

Where does time go when we stop dancing?

Texto | Text: Ana Miguel Socorro
Fotografia | Photography: Agnes Burger

# 4800



Não faz mal. Dou-te a mão, sem ver o teu sorriso, és um rosto anónimo, mas dou-te a mão, para que saibas que há esperança, que a humanidade não morreu. Não faz mal, não sabes quem sou, eu não sei quem és.

It's all right. I'm holding your hand, without seeing your smile, you're an anonymous face, but I'm holding your hand so that you know there's hope, that humanity isn't dead. It's okay, you don't know who I am, I don't know who you are.

Texto | Text: Rosário Costa
Fotografia | Photography: Cristina Vicente

# 4799



Dia sim, dia não, amanheces sol e mostras-te horizonte.

Every other day, you rise sun and show yourself horizon.

Texto | Text: Márcia Oliveira
Fotografia | Photography: Lynne Buchanan

# 4798



Nascemos a conhecer a poesia. As conversas virginais. O lugar da magia. As pontes da antiga sabedoria.
Nascemos numa casa poética.

We were born knowing poetry. The virginal conversations. The place of magic. The bridges of ancient wisdom.
We were born in a poetic house.

Texto | Text: Ana Miguel Socorro
Fotografia | Photography: Gunlög Mjörnheden

# 4797



O meu coração também é dos que ficam pelo caminho. E sigo, de vazio ao largo, a tentar entender a lei das coisas.

My heart is also one of those who fall by the wayside. And I go on, with emptiness in the distance, trying to understand the law of things.

Texto | Text: Cátia Ribeiro
Fotografia | Photography: Clément Thuault (@clemtuo)

# 4796



Como não florescer nas mãos de incontáveis primaveras no olhar?

How can you not blossom in the hands of countless springs in the eye?

Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photography: Carolina Geiger

# 4795



Espanta -me a confusão
de errar caminhos
já tão percorridos,
mas enxergar com tanta precisão
as pupilas nos olhos dos passarinhos.

I'm amazed at the confusion
of going off the beaten track
so many times traveled,
but to see with such precision
the pupils in the eyes of birds.

Texto | Text: Glória Guará Tavares
Fotografia | Photography: Ana Martins

# 4794



Existirá maior submissão do que a insuficiência de um querer?

Is there any greater submission than the insufficiency of a will?

Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photography: Nadir Social Lens

# 4793



Mar. Turquesa, disse ela. Era a cor do mar da sua ilha, dos seus olhos lindos. Quando se via no reflexo do mar, misturada nele, regressava ao ventre da sua mãe. Pequenina, chorava. Depois, a mãe partia...

Sea. Turquoise, she said. It was the color of the sea on her island, of her beautiful eyes. When she saw herself in the reflection of the sea, blending into it, she returned to her mother's womb. Tiny, she cried. Then her mother left...

Texto | Text: Rosário Costa
Fotografia | Photography: Matteo Magni (Ubris Project)

# 4792



Amar torna-se a busca da nossa própria eternidade, dentro da imortalidade que vemos no outro.

Love becomes the search for our own eternity, within the immortality we see in the other.

Texto | Text: Joana M. Lopes
Fotografia | Photography: game.animal

# 4791



O sorriso do olhar é o mais bonito.

The smile in the eyes is the most beautiful.

Texto | Text: Maria Ervilha
Fotografia | Photography: Marcelo Celeste

# 4790



Se soubesse, ensinava o tempo a relaxar. Até lá, observo e aprendo.

If I knew, I would teach time to relax. Until then, I observe and learn.

Texto | Text: Sandra Francisco
Fotografia | Photography: Teresa Marques dos Santos

# 4789



Mulher é terra de rios a correr. Nas veias, dos olhos, dos seios, da vulva. Na casa mulher todo rio é vida.

Woman is a land of flowing rivers. In the veins, from the eyes, from the breasts, from the vulva. In the home-woman, every river is life.

Text | Text: Glória Guará Tavares
Fotografia | Photography: Filo_melita_byn

# 4788



Onde me abrigo das memórias que se recusam a extinguir?

Where can I take shelter from the memories that resist to extinguish?

Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photography: Cristina Vicente

# 4787



NOITE
Nos teus dedos
mora a melodia do silêncio
que apenas ecoa
onde os pirilampos brilham.

NIGHT
In your fingers
resides the melody of silence
that only echoes
where fireflies shine.

Texto | Text: Maria Ervilha
Fotografia | Photography: Elsa Arrais

# 4786



certas memórias existem apenas no corpo.

some memories exist only in the body.

Texto | Text: Ana Gilbert
Fotografia | Photography: Gunlög Mjörnheden

# 4785



Os olhos podem ver quando estão fechados, o coração pode ouvir o silêncio.

The eyes can see when they are closed.The heart can hear silence.

Oči mogu da vide kada su sklopljene.Srce može da čuje tišinu.

Texto | Text: Jelena Stankovic
Fotografia | Photography: Carla Sofia Sousa

# 4784



A cada manhã
Perfeita
De imperfeição
Um voo
No penhasco
De cada dia

Every morning
Perfect
Of imperfection
A flight
On the cliff
Of each day

Texto | Text: Glória Guará Tavares
Fotografia | Photography: Ray Meller

# 4783



destas palavras nenhuma
se encomenda em carta para
pessoa destinatária.

todas estas palavras
procuram uma resposta ecoada
no coração da pessoa lendo.


none of these words
are requested in a letter
to a recipient.

every of these words
are looking for an echoed answer
in the reader's heart.

Texto | Text: José Manuel
Fotografia | Photography: Jelena Stankovic

# 4782



É a sentir a liberdade dos outros que me acontece ser eu.

It is when feeling the freedom of others that I happen to be myself.

Texto | Text: Mónia Camacho
Fotografia | Photography: Clément Thuault (@clemtuo)

# 4781



Vida é um incrível por um triz de instante e memória.

Life is an incredible close call of instant and memory.

Texto | Text: Glória Guará Tavares
Fotografia | Photography: Giorgos Kitsos

# 4780



Invento mapas. E depois percorro os caminhos que eles indicam.

I invent maps. And then I follow the paths they indicate.

Texto | Text: Paulo Kellerman
Fotografia | Photography: Madame Liné

# 4779



Por vezes, é preciso algum distanciamento para, realmente, vermos.

Sometimes it takes some distance to truly see.

Texto | Text: Maria Ervilha
Fotografia | Photography: Mariana Costa

# 4778



Sem

Acedemos ao portal da imaginação. Fresta na medida do verdadeiro sentir.
Sem anúncio, a chegada…
À espera a contemplação. Olhar refletido no mais puro dos espelhos. Vermo-nos onde
queremos ficar. O espaço a ceder ao tempo. Tempo sem se querer medir. Caminhamos
desconhecendo onde pisar. O destino guia dos corações. Dentro do peito, o grito da emoção
gigante na liberdade. Melodia de notas perdidas achadas na mesma pauta.
Sem ensaios, a melhor dança…
Movimentos incessantes na sincronia da vontade. Universo a deslocar-se ao compasso da
respiração precipitando o limite de existir. Cessa a orquestra os acordes da fantasia. Mundo
paralelo na extinção do seu ser. Contagem decrescente a principiar. A beleza a fechar-se no
silêncio. Silêncio entorpecido aguardando por sorrir.
Sem promessas, a convicção…


Without

We enter the portal of the imagination. A fringe in the measure of true feeling.
Unannounced arrival...
Contemplation awaits. Our gaze reflected in the purest of mirrors. Seeing ourselves where we want to be. Space surrendering to time. Time without wanting to measure itself. We walk not knowing where to step. Destiny guides hearts. Inside our chests, the cry of giant emotion in freedom. A melody of lost notes found on the same score.
Without rehearsals, the best dance...
Incessant movements in the synchrony of will. The universe moving to the beat of the breath, precipitating the limit of existence. The orchestra ceases the chords of fantasy. A parallel world in the extinction of its being. The countdown begins. Beauty closing in on silence. Numb silence waiting to smile.
No promises, conviction...

Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photography: Semmada Arrais

# 4777



Tudo começou quando disseram que as viagens eram metáforas.

It all started when it was said that journeys were metaphors.

Texto | Text: Ana Miguel Socorro
Fotografia | Photography: Agnes Burger

# 4776



Estava saindo com uma pessoa
Ela fechou os olhos e pediu para que eu fechasse os meus
Ela tomou minhas mãos pelas delas e levou-as ao seu rosto
Havia um sorriso
O sorriso mais belo que eu soube

I was going out with someone
They closed their eyes and asked me to close mine
They took my hands in theirs and brought mine to their face
There was a smile
The most beautiful smile I ever knew

Texto | Text: Vinicius Dias
Fotografia | Photography: Matteo Magni (Ubris Project)

# 4775



Mulher é terra de rios a correr. Nas veias, dos olhos, dos seios, da vulva. Na casa mulher todo rio é vida.

Woman is a land of flowing rivers. In the veins, from the eyes, from the breasts, from the vulva. In the home-woman, every river is life.

Text | Text: Glória Guará Tavares
Fotografia | Photography: Nadir Social Lens