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# 5669
O nome do vento
Se os meus pés andarem,
que corram para quem me faz bem.
Se a brisa me tocar o rosto,
que me devolva o fôlego.
Que eu nunca me habitue
ao que me devolve a calma
sem fazer barulho.
The name of the wind
if my feet should wander,
may they run
to those who do me good.
If the breeze brushes my face,
may it give me back my breath.
May I never grow used
to what brings me back to calm
without making a sound.
Texto | Text: Ubuntu
Fotografia | Photography: Callie Eh
# 5620
deixei palavras por dizer. talvez seja demasiado tarde para me iludir nos versos, ouvir-me sem neles reconhecer a minha voz. deixo palavras por dizer.
I left words unsaid. perhaps it is too late to deceive myself in verses, listen to myself without recognizing in them my own voice. I leave words unsaid.
Texto | Text: Luísa Azevedo
Fotografia | Photography: Callie Eh
# 5589
É ao fim do dia que o mar sente mais saudades de casa.
It's at the end of the day that the sea misses home the most.
Texto | Text: Paulo Kellerman
Fotografia | Photography: Callie Eh
# 5530
É ao fim do dia que o mar sente mais saudades de casa.
It's at the end of the day that the sea misses home the most.
Texto | Text: Paulo Kellerman
Fotografia | Photography: Callie Eh
# 5459
Costurava o tempo com as mãos, entrelaçando linhas invisíveis no ar.
Na vibração dos seus dedos, acendiam-se pontos de luz. Bordavam-se destinos.
Numa dança de fios, os emaranhados eram lanternas. E os silêncios, caminhos.
Uma tecelã.
Entre nós e novelos luminosos, entregava as estórias e os lugares.
Uma tecelâ do universo, tecendo memória.
She sewed time with her hands, weaving invisible threads in the air.
The vibration of her fingers lit up points of light. Destinies were embroidered.
In a dance of threads, the tangles were lanterns. And the silences, paths.
A weaver.
Between knots and luminous skeins, she delivered stories and places.
A weaver of the universe, weaving memory.
Texto | Text: Ana Miguel Socorro
Fotografia | Photography: Callie Eh
# 5376
Lar
Reconheci-te no instante em que te encontrei —
o teu sorriso, rebeldia talhada em alegria contida,
as conversas que murmuravas às folhas de chá,
como se o futuro se escondesse no perfume do vapor.
Conhecia a tua alma muito antes
de a tua pele dizer o primeiro olá.
Não foi fogo, nem carne, nem vertigem,
foi apenas o ver através:
as tuas inseguranças — disfarçadas de armadura,
o teu perfume — um mapa sem destino.
Ergui um lar dentro de ti.
Mas o chão tremia,
o vidro partiu-se sob o nosso peso,
e o lar desfez-se — um fantasma de abrigo,
deixando-me órfão de um lugar onde nunca vivi.
Procurei-te noutros rostos,
derramei-me em corações abertos,
na esperança de que guardassem o eco da saudade.
Mas cada casa onde entrei
era um quarto sem ar,
um corpo sem morada.
Ser refugiado ensinou-me
que os lares não se talham em pedra —
a pedra cede sob o peso do exílio.
Um ano, um lugar,
e recomeça-se.
Mas a alma cansa-se
de paredes que não escutam.
Uma casa pode conter o corpo,
mas é o lar que contém o coração.
E se os lares que ergui nos outros
nunca pudessem suportar o peso da minha alma?
E se todo o coração precisar de repouso,
mas nem todo o lugar o puder acolher?
Talvez o lar não seja um destino.
Talvez seja o instante do reconhecimento,
o breve pulsar onde duas almas murmuram:
“Também eu te procurava.”
Home.
I recognised you when I met you,
your grin—rebellion carved in quiet joy,
your whispered debates with tea leaves
as if they held your future in their scent.
I knew your soul, long before
your skin introduced itself.
No fire of attraction, no storm of flesh,
but I saw through the layers:
your insecurities—dressed as armor,
your perfume—a map to nowhere.
I built a home within you.
The foundation trembled,
glass fractured beneath our weight,
and suddenly, the home dissolved—
a phantom of safety,
leaving me homesick for a place
I've never been.
I searched for you in others,
emptied myself into open hearts,
hoping they'd catch the echo of longing,
but every house I entered
was a room empty of air.
Being a refugee taught me
homes aren’t carved in stone;
stone crumbles under the weight of exile.
One year, one place,
then you build again,
but the soul grows weary
of walls that don't listen.
A house may hold the body,
but a home holds the heart.
What if the homes I’ve built in others
could not hold my soul’s weight?
What if every heart needs a place to rest,
but not every place can carry the heart?
Perhaps home isn’t a destination.
Perhaps it’s the pulse of recognition,
perhaps it's the moment two souls whisper,
“I’ve been looking for you, too.”
Texto | Text: ~nassr
Fotografia | Photography: Callie Eh
# 5281
É na distância que criamos a proximidade.
It is in the distance that we create closeness.
Texto | Text: Ana Miguel Socorro
Fotografia | Photography: Callie Eh
# 5215
Metamorfose
Aqui em cima, nas minhas falésias,
só há o céu,
e gaivotas que constroem ninhos nos parapeitos dos edifícios abandonados.
Lentamente, estou a trocar a linguagem humana pelos seus lamentos,
confortando-me com a sua constância
e a confiança com que enfrentam cada dia
Não é o canto dos pássaros,
esta dodecafonia, este fluxo e refluxo incessante e sincopado,
que só diminui à medida que a noite tardia e não totalmente negra
cai gradualmente.
Sou um dos seis cisnes em marcha atrás.
O tempo esgotar-se-á
e eu manterei um braço humano
para não esquecer o meu passado.
Metamorphosis
Up here on my sea cliffs
there’s only the sky,
and gulls who build nests on ledges of abandoned buildings.
Slowly I am exchanging human speech for their cries,
taking comfort in their constancy
and the confidence with which they meet each day
It isn’t birdsong,
this dodecaphony, this incessant syncopated
ebb and flow,
that subsides only as the late, not quite black night
gradually falls.
I am one of six swans in reverse.
Time will run out
and I will keep one human arm
not to forget my past.
Texto | Text: Sue Bard
Fotografia | Photography: Callie Eh
# 5170
Onde tens estado tu, que nunca mais te vi?
Eu estou aqui, perdida no tempo.
Where have you been, as I never saw you again?
I'm here, lost in time.
Texto | Text: Maria João Faísca
Fotografia | Photography: Callie Eh
# 5011
O que somos? Pedras em bruto lentamente esculpidas pelo génio da vida.
What are we? Rough stones slowly sculpted by the genius of life.
Texto | Text: Joana M. Lopes
Fotografia | Photography: Callie Eh
# 4914
Em quantos dias sem existirmos acabamos por nos perder?
In how many days without existing do we end up losing ourselves?
Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photography: Callie Eh
# 4833
pontes
ligação seria a palavra que me ocorreria mais imediatamente para dar como resposta a um pedido de sinónimo de ponte. depois de pensar alguns minutos, poucos, a ligação transformar-se-ia em braço ou braços. os braços que ligam um lado ao outro. as pontes são braços.
mas do que eu gosto mesmo é que das pontes brotem abraços.
bridges
connection would be the word that would come to mind most immediately in response to a request for a synonym for bridge. after a few minutes of thought, connection would be transformed into arm or arms. the arms that connect one side to the other. bridges are arms.
but what I really like is for bridges to sprout hugs.
Texto | Text: Isabel Pires
Fotografia | Photography: Callie Eh
# 4770
Tento jogar às escondidas com o tempo mas ele encontra-me sempre.
I try to play hide and seek with time but it always finds me.
Texto | Text: Márcia Oliveira
Fotografia | Photography: Callie Eh
# 4727
O tempo cai suavemente sobre nós. E por vezes, parece que conseguimos segurá-lo entre os dedos.
Time falls gently on us. And sometimes it feels like we can hold it between our fingers.
Texto | Text: Paulo Kellerman
Fotografia | Photography: Callie Eh
# 4653
Deus construiu o mundo com banalidades. Delas, fez-se o extraordinário.
God built the world with banalities. From them, the extraordinary was made.
Texto | Text: Ana Miguel Socorro
Fotografia | Photography: Callie Eh
# 4596
O tempo cai suavemente sobre nós. E por vezes, parece que conseguimos segurá-lo entre os dedos.
Time falls gently on us. And sometimes it feels like we can hold it between our fingers.
Texto | Text: Paulo Kellerman
Fotografia | Photography: Callie Eh
# 4550
O tempo cai suavemente sobre nós. E por vezes, parece que conseguimos segurá-lo entre os dedos.
Time falls gently on us. And sometimes it feels like we can hold it between our fingers.
Texto | Text: Paulo Kellerman
Fotografia | Photography: Callie Eh
# 4463
Fulguram impossibilidades à minha volta.
Impossibilities flicker all around me.
Texto | Text: Mónia Camacho
Fotografia | Photography: Callie Eh
# 4423
A paixão é uma indumentária difícil de usar, ainda assim, absolutamente irrecusável.
Passion is a difficult outfit to wear, but it's absolutely irresistible.
Texto | Text: Sandra Francisco
Fotografia | Photography: Callie Eh
# 4393
A paixão é uma indumentária difícil de usar, ainda assim, absolutamente irrecusável.
Passion is a difficult outfit to wear, but it's absolutely irresistible.
Texto | Text: Sandra Francisco
Fotografia | Photography: Callie Eh
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