# 2688



Era aqui que passávamos horas e horas a conversar, lembras-te? Na verdade, pareciam minutos. Olhávamos para o relógio e, em uníssono, entoávamos: já??? Tu contavas-me os teus dias, de forma minuciosa e divertida, confiavas-me as tuas ânsias e sonhos. E eu ouvia-te, atentamente, projectando imagens nossas, sorvendo aquela sensação povoada de bem estar que o momento me proporcionava, procurando eternizá-lo; transportá-lo em mim. Um dia, inexplicavelmente, deixaste de aparecer. 
Voltei àquele lugar vezes sem conta. Para te encontrar. Para recuperar aquela sensação levitante. Em vão. Acabei por desistir daquele lugar. Daquela mesa. De ti. Foi nessa altura que percebi que estive sempre sozinha naquela mesa. Agora és uma memória. És passado. E eu estou, finalmente, no presente. 

Texto e foto: Patrícia Grilo

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