"O calor da lareira e o conforto do chá príncipe, aqueciam-lhe a alma, e a memória de quando lhe chamavam princesa. Adormeceu, e na manhã seguinte pintou os lábios de cor de rosa, na esperança de enfeitar os pequenos sulcos que a idade já não disfarçava.”
"Sentia a sua cabeça tão vazia como um buraco negro, como se o encontro fortuito com algumas pessoas fosse o maquiavélico carregar no reset, que lhe apagava momentaneamente o discernimento."
"Criara um mundo muito seu de plasticina cor de rosa... ali sentia-se em paz, misantropo... afastando qualquer hipótese de o colorir de outras cores. - Agrada-me a monotonia! Dizia peremptório, aos que o questionavam..."
"Sabes, ultimamente sinto o meu coração tão pequenino..." Disse-lhe sorvendo mais um cigarro... "Foi bom estar contigo, mas também ainda não o fizeste crescer..."
“A cidade dava-lhe calafrios... como se se sentisse solitário, encolhido na sua pequenez, tentando passar despercebido na multidão, entre os edifícios altos, rumo a casa... És e sempre serás um eremita, disse condescendente para consigo...”
“Todos os anos no mesmo 5 de Outubro, lembrava as mãos enrugadas, encortiçadas do avô Manel e quase lhes conseguia sentir o cheiro a mosto da vindima...”