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# 5135
E naquele segundo,
entre a rapidez dos movimentos
e o abrandar do momento:
a vida toda
a acontecer.
And in that second,
between the speed of movement
and the slowing of the moment:
all of life
happening.
Texto | Text: Cristiana Ribeiro
Fotografia | Photography: Maria Jorge Soares
# 5100
Tinha os pés descalços.
Através deles olhava o mundo.
Ter sapatos era uma forma de cegueira.
Da terra dizia ser livro.
Dos pés dizia serem olhos.
Enfiava os pés na terra húmida,
sentia-lhe as virtudes e as palavras.
Continuava o caminho
e contava estórias.
She had bare feet.
Through them she looked at the world.
Having shoes was a form of blindness.
The soil, she said it was a book.
Her feet, she said they were eyes.
She stuck her feet in the damp earth,
felt the virtues and the words.
She continued on her way
and told stories.
Texto | Text: Ana Miguel Socorro
Fotografia | Photography: Maria Jorge Soares
# 4993
De sombras e sóis são feitos os dias. E nós.
From shadows and suns, days are made. And we.
Texto | Text: Viviane Lucas
Fotografia | Photography: Maria Jorge Soares
# 4968
E por vezes
No espaço circunscrito do meu jardim
Olho para o céu
E finjo ouvir o mar
Para ser mais suportável o dia
And sometimes
In the confined space of my garden
I look at the sky
And pretend to hear the sea
To make the day more bearable
Texto | Text: Cátia Ribeiro
Fotografia | Photography: Maria Jorge Soares
# 3442
Por último
Ficava sempre para trás. Mas lá ia.
Quando já ninguém o esperava, chegava.
Não lhe interessava ser primeiro. Gostava de olhar em volta, apalpar terreno. Sentir cada passo.
Talvez lhe faltasse coragem. O rasgo. Ousadia. Mas ia.
Carregado de sonhos. Os pés pisando em terra firme. E a alma, leve, leve.
Ficava sempre para trás. Mas lá ia.
Quando já ninguém o esperava, chegava.
Não lhe interessava ser primeiro. Gostava de olhar em volta, apalpar terreno. Sentir cada passo.
Talvez lhe faltasse coragem. O rasgo. Ousadia. Mas ia.
Carregado de sonhos. Os pés pisando em terra firme. E a alma, leve, leve.
Texto: A Escriturária
Fotografia: Maria Jorge Soares
# 3431
AMIGO
Naquele fim de dia
caminhaste comigo,
ouviste o meu silêncio
foste, como sempre, abrigo.
És farol, és regresso a casa.
Obrigada, meu amigo.
Texto: Maria Ervilha
Fotografia: Maria Jorge Soares
# 3375
Nem me viram. Passaram a rir, provavelmente a caminho de uma sala quente onde beberão chá. Passaram e nem me viram. Também eu, já ri e bebi chá.
Texto: Inês Henriques
Fotografia: Maria Jorge Soares
# 3282
Há chuva dentro de nós. Na água que o mundo tem há uma réstia que nos pertence. Escondida na fonte de um coração amolecido. No brilho dos olhos. Nas palavras de uma voz que ri e que chora. Que ela caia como veludo. Que dilua a matéria que nos consome. Que nos traga alívio. É por isso que a chuva vem. É para isso que a chuva serve.
Texto: Ana Miguel Socorro
Fotografia: Maria Jorge Soares
# 3083
Uma verdade nunca desvanece no passado. Ela é um futuro que ainda há-de voltar.
Texto: Nuno Pinto Bastos
Foto: Maria Jorge Soares
# 3042
Agigantam-se os fantasmas diante de mim agarrado a um raio de luz.
Texto: Nuno Pinto Bastos
Foto: Maria Jorge Soares
Texto: Nuno Pinto Bastos
Foto: Maria Jorge Soares
# 3014

Paira no ar, presa por fios invisíveis, suspensa na ampulheta do tempo, quietude inquieta em espera daquilo que nem ela conhece... Lá em baixo? Todos bulem e ninguém a vislumbra, ainda que todos a vejam sorrir!
Texto: Clara Ribeiro
Foto: Maria Jorge Soares
# 2908
Os teus passos tornam-se mais e mais pequenos. São construídos com o vagar que o passar dos anos te permite. Olhas-me ao longe, sem distância chamo-te e vens. Por uma estrada que se alonga a cada passo. No negro, vejo-te agora o branco e toda a tua doçura. De sempre, és minha e eu, como sempre, tua.
Texto: Elisabete Neves
Foto: Maria Jorge Soares
# 2884
o meu amor também é um movimento invisível do corpo
no desenho dos dias
um dobrar oculto e silencioso
um balanço às imagens e pensamentos de ti
que ilumina e estremece os fios da rotina
Texto: Isabel Pires
Foto: Maria Jorge Soares
# 2843
Ascenderei ao melhor ou pior de mim, cada vez que o desejo me levar?
Texto: Catarina Vale
Foto: Maria Jorge Soares
# 2826
Os nossos sons são sublimes, os silêncios repletos de conteúdo.
Texto: Clara Ribeiro
Foto: Maria Jorge Soares
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