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# 4375



bebo o café da manhã
já de olhos abertos
apesar do nevoeiro da mente

bebo o café da manhã
na esperança de encontrar
os teus olhos

bebo o café da manhã
procurando-te
na casa que habito

bebo o café da manhã
para poder acordar
e abraçar a realidade

a tua ausência


having the morning coffee
with open eyes
amidst the foggy mind

having the morning coffee
hoping to find
your eyes

having the morning coffee
looking for you
in the house I live in

having the morning coffee
to make me wake up
and embrace the reality

your absence

Texto | Text: José Manuel
Fotografia | Photography: João Oliveira

# 4294



Anda
Vem rasgar a noite
Como se um deus qualquer
Nos devolvesse a eternidade

Come on
Come tear the night
As if some god
Gives us back eternity

Texto | Text: Cátia Ribeiro
Fotografia | Photography: João Oliveira

# 4188




Têm muito valor os que aceitam a invisibilidade.

Those who accept invisibility are very valuable.

Texto | Text: Andreia Azevedo Moreira
Fotografia | Photography: João Oliveira

# 3981



Gosto de ouvir o bater do teu coração.
Tem sempre o mesmo ritmo.
O bater do meu coração é mais inconstante.

I like to hear your heartbeat.
It always has the same rhythm.
My heartbeat is more inconstant.

Texto | Text: Cátia Ribeiro
Fotografia | Photography: João Oliveira

# 3862



Um homem só se aventura no mar quando carrega ao peito o medo. O medo imobiliza e acorda. Um homem só se aventura na vida quando a loucura lhe ilumina o olhar. A loucura é fresca. Ou fria. Ou mar.

A man only ventures into the sea when he carries fear in his chest. Fear freezes, but also wakes you up. A man only ventures into life when madness lights up his eyes. Madness is refreshing. Or freezing. Or sea.

Texto | Text: Andreia Mateus
Fotografia | Photography: João Oliveira

# 3775



Nascer é aprender a ser só.

[To be born is to learn to be alone.]

Texto | Text: Ana Gilbert
Fotografia | Photography: João Oliveira

# 3495



À FLOR DA PELE
Um amanhecer à flor da pele
uma flor do avesso
não é vida fresca, começo,
é a vida tal como é:
fim e recomeço.

[UNDER THE SKIN
A raw dawn
one flower inside out
is not fresh life, beginning,
is life as it is:
end and fresh start.]

Texto | Text: Maria Ervilha
Fotografia | Photo: João Oliveira

# 3413



O Amor não se compensa em exaustão de palavras, não existem regras de três simples para o que se perdeu, nem prova dos nove para batimentos cardíacos.

Texto: Sara Viscondessa
Fotografia: João Oliveira

# 3384



Faz a pergunta.
A resposta é menos importante. É mutável.
A pergunta é o caminho.
A busca.
Quando tiveres a resposta para tudo, chegaste ao fim.

Texto: Inês Henriques
Fotografia: João Oliveira

# 3347




há uma inquietação imprecisa na espera de ti
um desassossego que me cativa e encanta
e apazigua
pelo enlaçado de bulício interior e murmúrio de mar

Texto: Isabel Pires
Fotografia: João Oliveira

# 3318




Deita-te em mim, como se houvesse uma causa natural para a morte.

Texto: Sandra Francisco
Fotografia: João Oliveira

# 3296




Deita-te em mim, como se houvesse uma causa natural para a morte.

Texto: Sandra Francisco
Fotografia: João Oliveira

# 3140



O que queres saber? Toca-me...
Sou um catálogo vivo de patologias, uma espécie de compêndio médico escrito por leiga.

Texto: Sandra Francisco
Foto: João Oliveira

# 3103



O vazio dos espaços urbanos e rurais, o vazio dos lugares do autocarro, o vazio preenchido com a morte de alguém, o vazio dos nossos empregos, o vazio dos nossos conhecidos e amigos, o vazio das horas, o vazio dos minutos.
No fundo, o vazio de muitas e muitas vidas....

Texto: Vítor Vieira
Foto: João Oliveira

# 3085



Destrinça-se com deleite ignorando os murmúrios da teia de memórias.

Texto: Diana R. Castro
Foto: João Oliveira

# 3027




Houve dias em que foi ausência e apenas eu dancei a nossa canção.

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: João Oliveira

# 2985




O peso que te oprime o peito foi macerado por anos, misturando minutos com segundos intermináveis de acontecimentos ocos e repletos de tudo.

Texto: Clara Ribeiro
Foto: João Oliveira

# 2910



Induzes lubricidade nessa tua perenidade feita de mar e terra, sugerindo a sensibilidade da serpente e a nudez do sentir. Adivinho em ti o sabor da maçã, o contundente desígnio do fruto proibido, a morte que silenciosamente me aguarda à beira da praia. Denuncio-me na ínclita cupidez do teu vulcânico olhar, libertando desejo carnal e votos de lava e incêndio. Suicido-me nos despojos do onanismo tecido na fronteira de insensatez do branco de tentação em que seduzes esta minha vontade de buganvília.

Texto: José Alberto Vasco
Foto: João Oliveira