Por vezes, sente vontade de falar e, desse modo, expulsar as vozes para fora de si; por vezes, inventa-lhes um destino e o seu espírito divaga, levando consigo o olhar...
"Algumas folhas sobre a mesa e você correndo. Do outono que a faz bela, entardece. Seu vestido desbotado ainda rodopia .Os cabelos esvoaçam brancos. Do desejo você não leva nada a ser vento."
"A bolsa rompe. Mais um cano a me trazer o mar. Uma delicada embarcação traz quatro letras em seu casco: E L I S. Abre-se a fenda que te faz nascer revolta. Como gritas. Busco-te. Cheiro-te a pele envolta em panos que não cabem em ti. E te beijo a pequena cabeça .Se eu fosse bicho te lamberia. Queria ser bicho em estábulo quente de terra pisada. Bicho carece de palavra. Só cala. Beijo-te outra vez. Outra fenda se abre e traz a palavra revolvida: Aquela que diz o amor."