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# 5597



Se a felicidade se misturar de melancolia como palpitará o coração?

If happiness is mingled with melancholy, how will the heart palpitate?

Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photography: Michèle Polak

# 5502



Matéria de Nada

Existir sem provar.

Ser.
Sem causa.
Sem tempo.

Leve.
Inútil.
Inteira.
Plena.
Natural.

O nada basta.


Nothingness

To exist without tasting.

To be.
Without cause.
Without time.

Light.
Useless.
Whole.
Complete
Natural.

Nothingness is enough.

Texto | Text: Fabiana Fraga
Fotografia | Photography: Michèle Polak

# 5426



Limpo

Claro mais claro do que a espuma do mar nos poemas
É apenas o buraco de silêncio que fica
depois do mar penetrar terra lisa,
De se quebrar suicida
contra o delta
de uma garganta fria.


Clear

More clear than the sea’s foam is poems
Is only the holy of silence that linger
After the sea penetrates smooth land,
Breaking suicidal
Against the delta
Of a
Cold
Throat.

Texto | Text: Maria Duran
Fotografia | Photography: Michèle Polak

# 5349



Geometria
No murmúrio das folhas que recusam cair, elevam-se as sombras reconhecendo o seu lugar. Inventamo-nos numa geometria de impossível definição. Ângulos perfeitos na interseção dos infinitos de cada ser. Figuras que se formam em cada pedaço de pele, que ao toque se transmutam numa só. Diz-me… Em quantas formas poderemos acontecer?

Geometry
In the murmur of leaves that refuse to fall, shadows rise, recognising their
place. We invent ourselves in a geometry that is impossible to define. Perfect angles at the intersection of the infinities of each being. Figures that form on each piece of skin, which when touched transmute into one. Tell me... In how many forms can we happen?

Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photography: Michèle Polak

# 5308



Cativa-me e o meu coração será teu.

Captivate me and my heart will be yours.

Texto | Text: Cátia Ribeiro
Fotografia | Photography: Michèle Polak

# 5213



Se as lágrimas me chegam aos olhos
antes das palavras ao papel,
então vale a pena o poema.

If tears come to my eyes
before the words hit the paper,
then the poem is worth it.

Texto | Text: João Coutinhas
Fotografia | Photography: Michèle Polak

# 5155



Talvez olhar o céu seja a única forma de sentir que estamos no mesmo lugar…

Perhaps looking at the sky is the only way to feel that we're in the same place...

Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photography: Michèle Polak

# 5006



A luz mais intensa pertence ao sol e aos que ousam.

The brighter light belongs to the sun and to those who dare.

Texto | Text; Andreia Azevedo Moreira
Fotografia | Photography: Michèle Polak

# 4956



Perseidas

Decoro e delírio.
Como um díptico, assim emergiu.

Mas depois o sol de Agosto sensualizou este poema e indeferiu.
E eu reescrevi-o como um tríptico: Decoro, delírio e calidez.


Perseids

This was a diptych: decorum and delirium.
Then the August sun overruled.

Triptych it is: decorum, delirium and apricity.

Texto | Text: Ana Sofia Elias
Fotografia | Photography: Michèle Polak

# 4923



Perseidas

Decoro e delírio.
Como um díptico, assim emergiu.

Mas depois o sol de Agosto sensualizou este poema e indeferiu.
E eu reescrevi-o como um tríptico: Decoro, delírio e calidez.


Perseids

This was a diptych: decorum and delirium.
Then the August sun overruled.

Triptych it is: decorum, delirium and apricity.

Texto | Text: Ana Sofia Elias
Fotografia | Photography: Michèle Polak

# 4874



Voei até onde o meu olhar pode dançar.

I flew as far as my eyes could dance.

Texto | Text: Maria Ervilha
Fotografia | Photography: Michèle Polak

# 4819



Gravamos na alma o que mais nos marca a pele, transmutando a felicidade em intensa melancolia. Talvez sejamos fábricas de memórias. Olhamos, ouvimos, saboreamos, cheiramos, sentimos para reabastecer lembranças.

We engrave in our souls what marks our skin the most, turning happiness into intense melancholy. Maybe we are memory factories. We look, we listen, we taste, we smell, we feel, to restore our memories.

Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photography: Michèle Polak

# 4743



Ser a um só tempo, um mundo e um ninho.

To be at once a world and a nest.

Texto | Text: Viviane Lucas
Fotografia | Photography: Michèle Polak

# 4645



As mãos. O espaço vazio entre os dedos. Há quanto tempo estaria assim, por preencher?

The hands. The empty space between the fingers. How long had it been like this, unfulfilled?

Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photography: Michèle Polak

# 4610



O tempo desliza devagar pelo corpo.
Agarra-se à pele.
Quer ficar.

Time slips slowly through the body.
It holds on to the skin.
It wants to stay.

Texto | Text: Paulo Kellerman
Fotografia | Photography: Michèle Polak

# 4539



Balé de partículas

O sol de verão perfura
a sombra fresca da sala
com raios de luz
através das lâminas da persiana
enquanto poeira e caspa
dançam entre os zéfiros
impulsionados por um ventilador suspenso-
um balé de partículas
sob os raios de sol.

Em um sofá surrado
em um canto escuro
intocado pelo sol,
dois amantes jazem exaustos
e suando por causa do calor do verão
e dos orgasmos operísticos.


Ballet of Motes

The summer sun pierces
the room’s cool shade
with shafts of light
through a shutter’s louvers
as dust and dander
dance among the zephyrs
driven by an overhead fan-
a ballet of motes
within the sun’s rays.

On a battered couch
in a dim corner
untouched by the sun,
two lovers lie spent
and sweating from the summer heat
and operatic orgasms.

Texto | Text: Fred Fullerton
Fotografia | Photography: Michèle Polak

# 4522



Silencia-se o desejo com lábios cheios de palavras, em vez de beijos.

Desire is silenced with lips full of words, instead of kisses.

Texto | Text: Márcia Oliveira
Fotografia | Photography: Michèle Polak

# 4437



lá fora, o vento parece encenar a dramaturgia
do que falta à multidão encolhida
atravessa ramos e folhagem
para elevar as vozes
e choca contra os troncos
para desafiar o espaço público

cá dentro, fantasio com
percorrer os teus cabelos com os dedos
sentir a tua respiração num beijo
desmanchar a tua roupa num gesto


outside, the wind stages the dramaturgy
of what is missing to a huddled crowd
it crosses branches and foliage
to raise the voices
and bumps into the trunks
to defy the public space

inside, I fantasize with
running through your hair with my fingers
feeling your breath in a kiss
undress your clothes with a gesture

Texto | Text: José Manuel
Fotografia | Photography: Michèle Polak

# 4396



Essa. Eu quero ser aquela árvore que observa;
aquela com as raízes fortes e erguidas;
aquela que se arrancou do solo para voar;
a que permanece pousada na sua colina.

Nua quero passar o meu tempo, tal como ele;
receber a noite entre os meus braços, como ele;
ouvir a noite; hospedar, germinar, como ele.
Para me lembrar sempre. Parto para voltar.


That one. I want to be that tree that is watching;
the one with the strong upraised roots;
the one that ripped itself from the soil to fly;
the one that remains perched on its hill.

Naked I want to spend my time, just like him;
receive the evening between my arms, just like him;
listen to the night; host, germinate, just like him.
To remember always. I leave to come back.


Ese. Yo quiero ser el árbol que mira,
el de raíces fuertes levantadas;
el que se arrancó de la tierra para volar;
el que sigue posado en su colina.

Desnuda quiero pasar el tiempo como él;
recibir la tarde entre mis brazos como él;
escuchar la noche, acoger, germinar como él.
Recordar siempre. Irme para volver.

Texto | Text: Carolina Samper
Fotographia | Photography: Michèle Polak

# 4299



quem te rasga
aprende,
romã,
que és um universo

one who tears you
learns,
pomegranate,
that you are a universe

Texto | Text: José Manuel
Fotografia | Photography: Michèle Polak