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# 5523



Larvas

Quanto vale uma vida?
Dos que não chegaram a vingar no útero de suas mães
Dos que morreram sem chegar a viver
Dos que ficaram estropiados em praias como peixes-voadores
Por armas de guerra escondidas em dunas
Dos que morreram afogados num mar gelado
Por tentarem nadar um sonho de liberdade
Salgado e amargo
Quanto vale uma vida?
Que letras soletrar no código genético?
Que palavras conjugar?
Que gramática utilizar para os deficientes, os esquecidos, os estigmatizados?
Dos que são apenas um erro na tabela
Uma mensagem mal codificada
Uma sequência de aminoácidos malformada na proteína
Quanto vale uma vida?
A todos vós seres bem traduzidos na cadeia polipeptídica da língua da perfeição
Acabada e aborrecida
A todos nós criaturas mal sonhadas pelo encadeamento de nucleotídeos na cabeça de alguém
Tristes e enfezadas
Que no fim somos todos cinza e pó
Numa campa numerada.


Larvae

How much is a life worth?
Of those who never made it in their mothers' wombs
Of those who died without ever living
Of those who were maimed on beaches like flying fish
By weapons of war hidden in the dunes
Of those who drowned in an icy sea
For trying to swim a dream of freedom
Salty and bitter
How much is a life worth?
What letters to spell in the genetic code?
What words to conjugate?
What grammar to use for the disabled, the forgotten, the stigmatized?
Of those who are just a mistake in the table
A poorly encoded message
A malformed amino acid sequence in the protein
How much is a life worth?
To all of you beings well translated in the polypeptide chain of the language of perfection
Finished and boring
To all of us creatures badly dreamed by the chain of nucleotides in someone's head
Sad and sulky
That in the end we are all ash and dust
In a numbered grave.

Texto | Text: Ana Paula Jardim
Fotografia | Photography: José Luís Jorge

# 5212



É na distância que criamos a proximidade.

It is in the distance that we create closeness.

Texto | Text: Ana Miguel Socorro
Fotografia | Photography: José Luís Jorge

# 5151



O meu coração também é dos que ficam pelo caminho. E sigo, de vazio ao largo, a tentar entender a lei das coisas.

My heart is also one of those who fall by the wayside. And I go on, with emptiness in the distance, trying to understand the law of things.

Texto | Text: Cátia Ribeiro
Fotografia | Photography: José Luís Jorge

# 5093



De tanto olhar o céu aprenderei a voar?

Can I learn to fly by looking at the sky?

Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photography: José Luís Jorge

# 5077



À nossa procura, percorremos labirintos.

In search of ourselves, we walked through labyrinths.

Texto | Text: Viviane Lucas
Fotografia | Photography: José Luís Jorge

# 5033



Invento mapas. E depois percorro os caminhos que eles indicam.

I invent maps. And then I follow the paths they indicate.

Texto | Text: Paulo Kellerman
Fotografia | Photography: José Luís Jorge

# 4485



O que somos? Pedras em bruto lentamente esculpidas pelo génio da vida.

What are we? Rough stones slowly sculpted by the genius of life.

Texto | Text: Joana M. Lopes
Fotografia | Photography: José Luís Jorge

# 4447



Há dias que olho ao espelho e não passo de um ser incompleto.

Some days I look in the mirror and I'm nothing but an incomplete being.

Texto | Text: Teresa Bret Afonso
Fotografia | Photography: José Luís Jorge

# 4189




Há um mapa que se segue
São linhas de inquietação
Respondem ao prazer
Nunca ao ser

There is a map that we follow
There are lines of restlessness
Responding to pleasure
Never to being

Texto | Text: Ana Miguel Socorro
Fotografia | Photography: José Luís Jorge

# 4129




A solidão é uma travessia no Inverno dos dias.

Solitude is a crossing in the winter of days.

Texto | Text: Joana M. Lopes
Fotografia | Photography: José Luís Jorge

# 4007




Longe é o pecado maior.

Far is the greatest sin.

Texto | Text: Ana Miguel Socorro
Fotografia | Photography: José Luís Jorge

# 3962




O presente é o passado do futuro.

The present is the past of the future.

Texto | Text: Elsa Margarida Rodrigues
Fotografia | Photography: José Luís Jorge

# 3917




Fala comigo. Não saio daqui até falares comigo.

Talk to me. I'm not leaving here until you talk to me.

Texto | Text: Paulo Kellerman
Fotografia | Photography: José Luís Jorge

# 3820




Ele entrou e um bando de andorinhas pegou em mim e levou-me a visitar o mundo.

[He walked in and a flock of swallows picked me up and took me to visit the world.]

Texto | Text: Cátia Ribeiro
Fotografia | Photography: José Luís Jorge

# 3711




Espero por ti nos lugares das memórias escritas.
Acende-me a palavra uma e outra vez.

[I wait for you in the places of written memories.
Light me the word over and over again.]

Texto | Text: Ana Miguel Socorro
Fotografia | Photo: José Luís Jorge

# 3626



Existirá alguma certeza que não se transforme em dúvida?

[Is there any certainty that doesn’t turn into a doubt?]

Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photo: José Luís Jorge

# 3055




As árvores parecem esticar-se, preguiçosas, em direção ao céu, e transpirar a calma das coisas que permanecem. Até o próprio ar parece ser mais sólido, uma espécie de neblina que envolve a realidade.
Deixa-se ficar um instante a ouvir o silêncio, entrecortado pelo chilrear avulso dos pássaros e o murmurejar da folhagem das árvores.

Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: José Luís Jorge

# 2858




Procurei-te em todas as entrelinhas antes de desistir.

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: José Luís Jorge