fotografar palavras
[transformar palavra em fotografia | to turn word into photography]
# 5134
Texturas.
Um toque.
A fusão:
entre a terra que dá vida
e a vida que honra a terra.
Textures.
A touch.
A fusion:
between the earth that gives life
and the life that honors the earth.
Texto | Text: Cristiana Ribeiro
Fotografia | Photography: Mariana Costa
# 5133
24 MM
É bem melhor fechar um por-do-sol dentro dos olhos
Abrir planícies infinitas dentro da íris
Como uma lente com 24mm de diâmetro
E dez mil cores todas diferentes
Fotografar esse instante dentro da córnea
Para sempre
Ver sobreiros como desenhos irreais espalhados pela paisagem
Mulheres gigantes com ventres volumosos encostadas
No meio postes de alta tensão
Iluminados
A disparar balas de eletricidade como farpas
Que nos atingem o peito
E nos deixam eletrocutadas contra o banco
Ficar quieta como uma gazela amarrada no tejadilho
Depois de um dia de caça
Passar por pastagens e ver rebanhos de animais
Reconhecê-los como iguais
Comendo a mansidão e a erva do chão
Na engorda
À espera de ir para o matadouro
Para serem degolados.
24 MM
It's much better to close a sunset inside your eyes
Open infinite plains inside the iris
Like a lens with a diameter of 24mm
And ten thousand different colors
Photographing that instant inside the cornea
Forever
Seeing cork oaks as unreal drawings scattered across the landscape
Giant women with bulging bellies leaning against
In the middle of high-voltage poles
Illuminated
Firing bullets of electricity like barbs
That hit us in the chest
And leave us electrocuted against the bench
Standing still like a gazelle tied to the roof
After a day's hunting
Passing pastures and seeing herds of animals
Recognizing them as equals
Eating the gentleness and the grass on the ground
Fattening up
Waiting to go to the slaughterhouse
To be beheaded.
Texto | Text: Ana Paula Jardim
Fotografia | Photography: Ana Gilbert
# 5132
O silêncio de hoje falou, em silêncio, de amor-bom.
Today's silence spoke, in silence, of love-good.
Texto | Text: Cristiana Ribeiro
Fotografia | Photography: Giorgos Kitsos
# 5131
Na luz foges dos teus medos, mas eles permanecem na sombra, à tua espera.
E agora?
In the light you run away from your fears, but they remain in the shadow, waiting for you.
What now?
Texto | Text: Cristina Vicente
Fotografia | Photography: Vera Fernandes
# 5130
Quão frágeis são os reflexos que se desfazem em ondas cíclicas ao primeiro sopro.
How fragile are the reflections that fall apart into cyclical waves at the first breath.
Texto | Text: Márcia Oliveira
Fotografia | Photography: André Malheiro
# 5129
E naquele segundo,
entre a rapidez dos movimentos
e o abrandar do momento:
a vida toda
a acontecer.
And in that second,
between the speed of movement
and the slowing of the moment:
all of life
happening.
Texto | Text: Cristiana Ribeiro
Fotografia | Photography: Karen Ghostlaw Pomarico
# 5128
O amor não basta, é preciso a palavra e a dança.
Love is not enough, words and dance are needed.
Texto | Text: Ana Miguel Socorro
Fotografia | Photography: Ana Cichowicz
# 5127
A luz mais intensa pertence ao sol e aos que ousam.
The brighter light belongs to the sun and to those who dare.
Texto | Text; Andreia Azevedo Moreira
Fotografia | Photography: Maraia
# 5126
Onde me abrigo das memórias que se recusam a extinguir?
Where can I take shelter from the memories that resist to extinguish?
Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photography: Anne-Laure Guéret
# 5125
Livres
no voo
dançam
no chão
secas
descansam
outono
em festa.
Free
in flight
dancing
on the ground
dry
resting
autumn
in celebration.
Texto | Text: Cris Ferreira
Fotografia | Photography: Ana Martins
# 5124
A cada instante, a eternidade...
At every moment, eternity...
Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photography: Linus Wincenth
# 5123
Na luz foges dos teus medos, mas eles permanecem na sombra, à tua espera.
E agora?
In the light you run away from your fears, but they remain in the shadow, waiting for you.
What now?
Texto | Text: Cristina Vicente
Fotografia | Photography: Carolina Geiger
# 5122
todos os dias têm poesia
uma linha que seja
quando não a vejo
fecho os olhos
para sentir o vento a dançar
every day has poetry
even one line
when I don't see it
I close my eyes
to feel the wind dancing
Texto | Text: Isabel Pires
Fotografia | Photography: Sonia Simbolo
# 5121
Se, em algum instante, esquecer quem sou, leva-me pela mão ao lugar onde começámos a existir.
If, at any moment, I forget who I am, take me by the hand to the place where we began to exist.
Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photography: Alex Glavtchev
# 5120
in.sô.ni.a
escuridão branca
que invade meus olhos
ainda que meus olhos vejam,
nada posso enxergar.
in.som.ni.a
a white darkness
which invades my eyes
though my eyes can see,
I behold nothing.
Texto | Text: Vinicius Dias
Fotografia | Photography: Dean Garlick
# 5119
Sinto que invado as tuas memórias com o meu cheiro.
E gosto.
Sinto o teu toque quando desenhas na tua memória os meus tornozelos.
E gosto.
Sinto um tremor quando descreves minuciosamente o contorno dos meus mamilos.
E gosto.
Quero acabar com as tuas memórias.
Quero fazer nascer as nossas.
I feel like I'm invading your memories with my scent.
And I like it.
I feel your touch when you draw my ankles in your memory.
And I like it.
I feel a tremor when you minutely describe the outline of my nipples.
And I like it.
I want to end your memories.
I want to give birth to ours.
Texto | Text: Renata Barbosa
Fotografia | Photography: Federica (final_girl_7)
# 5118
O que somos? Pedras em bruto lentamente esculpidas pelo génio da vida.
What are we? Rough stones slowly sculpted by the genius of life.
Texto | Text: Joana M. Lopes
Fotografia | Photography: Martha Takahashi
# 5117
A chuva inunda todos os sentidos com o cheiro da terra. Em breve, tornar-se-à parte da memória de uma vida cosida a um lugar vazio. Quem sabe, na primavera, floresça uma erva daninha.
The rain floods all the senses with soil smell. Soon, it will become part of the memory of a life sewn to an empty place. Perhaps in the spring a weed will bloom.
Texto | Text: Márcia Oliveira
Fotografia | Photography: Rui Santos
# 5116
in.sô.ni.a
escuridão branca
que invade meus olhos
ainda que meus olhos vejam,
nada posso enxergar.
in.som.ni.a
a white darkness
which invades my eyes
though my eyes can see,
I behold nothing.
Texto | Text: Vinicius Dias
Fotografia | Photography: Filo_melita_byn
# 5115
À nossa procura, percorremos labirintos.
In search of ourselves, we walked through labyrinths.
Texto | Text: Viviane Lucas
Fotografia | Photography: Anna Monica Rigon
# 5114
Digerir, com a devida subtileza, o prazer que se quer, na vida de quem vê, com os olhos de quem prova.
To digest, with due subtlety, the pleasure you want, in the life of the beholder, with the eyes of the one who tastes.
Texto | Text: Cristiana Ribeiro
Fotografia | Photography: Kika Yuste
# 5113
É difícil ser íntimo.
It's hard to be intimate.
Texto | Text: Andreia Azevedo Moreira
Fotografia | Photography: Frankie Boy
# 5112
Dístico de deuses e demónios
Gaza é uma longa noite; anoitecem os dias
na mortalha esterilizada do mundo.
Deus é uma longa noite; turvam os versos
no gás carbónico da fiúza.
Poesia é uma longa noite; tombam os gazeus
na terra suja dos eleitos.
Paz é uma longa noite; fartam os silêncios
no verbo impiedoso do vazio.
Mundo é uma longa noite; adoida o mundo
na primavera sem idioma.
Homem é uma longa noite; vela o suicídio
no oceano como uma moção.
Gazeante é a prece em sua bárbara herança:
uma longa noite em seu gazel.
A couplet of gods and demons
Gaza is a long night; the days grow dark
in the sterile shroud of the world.
God is a long night; verses blur
in the carbon dioxide of fury.
Poetry is a long night; the gazebos fall
in the dirty earth of the elect.
Peace is a long night; silences are fed up
in the merciless verb of emptiness.
The world is a long night; the world sickens
in spring without language.
Man is a long night; he sails suicide
in the ocean like a motion.
Gazing is the prayer in its barbaric inheritance:
a long night in his ghazal.
Texto | Text: João Rasteiro
Fotografia | Photography: Nadir Social Lens
# 5111
Na luz foges dos teus medos, mas eles permanecem na sombra, à tua espera.
E agora?
In the light you run away from your fears, but they remain in the shadow, waiting for you.
What now?
Texto | Text: Cristina Vicente
Fotografia | Photography: Diana V. Almeida
# 5110
Murmuraram as ruas o nosso nome, ansiando por nos levarem pela mão...
The streets whispered our name, yearning to take us by the hand...
Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia: Photography: Martha Takahashi
# 5109
Tenho em mim mil medos, proporcionais aos mil desejos que me habitam
I have a thousand fears in me, proportional to the thousand desires that inhabit me
Texto | Text: Cristiana Ribeiro
Fotografia | Photography: Linus Wincenth
# 5108
Como trespassam a pele as palavras que matam pedaços do coração?
How do words that kill pieces of the heart pierce the skin?
Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photography: Vera Fernandes
# 5107
A face da percepção
“to tell the truth the way words lie”
Robert Duncan
Até que o musgo venha a nossos olhos
e nossos longínquos nomes oculte,
a réstia de alegria é cinza que subsiste.
Estou tão, tão furioso connosco!
Não nos julgo. Só sinto a nossa falta.
Esse fundo deserto onde mergulhámos
“é o lugar da primeira permissão”,
o eterno e terrível “presságio do que é”.
Não me julgo. Só tenho a culpa assim.
Vou amar-te até ao fim dos meus dias!
Esta percepção é, em si mesma, a derrota,
o poema que se reduz à devoção.
Não o julgo. Nem à sua audaz verdade.
The face of perception
“to tell the truth the way words lie”
Robert Duncan
Until the moss comes to our eyes
and hide our distant names,
the glimmer of joy is the ash that remains.
I'm so, so angry with us!
I don't judge us. I just miss us.
That desert bottom we plunged into
“is the place of the first permission”,
the eternal and terrible “harbinger of what is.”
I don't judge myself. I only have myself to blame.
I'll love you until the end of my days!
This realization is defeat in itself,
the poem that is reduced to devotion.
I don't judge it. Nor its audacious truth
Texto | Text: João Rasteiro
Fotografia | Photography: Cristina Vicente
Fotografia | Photography: Cristina Vicente
# 5106
SEM PALAVRAS
Sou dos afetos, do abraço, do beijo,
do falar com o olhar sem exigir.
Sou dos afetos sem medo do excesso, sem medo de sentir.
WORDLESS
I am of affection,
of hugs, of kisses,
of speaking with my eyes without demanding.
I am of affection,
without fear of excess,
without fear of feeling.
Texto | Text: Maria Ervilha
Fotografia | Photography: Bea Berg
I am of affection,
of hugs, of kisses,
of speaking with my eyes without demanding.
I am of affection,
without fear of excess,
without fear of feeling.
Texto | Text: Maria Ervilha
Fotografia | Photography: Bea Berg
# 5105
Invento mapas. E depois percorro os caminhos que eles indicam.
I invent maps. And then I follow the paths they indicate.
Texto | Text: Paulo Kellerman
Fotografia | Photography: Ana Cichowicz
# 5104
Vamos conversar. E deixar raízes profundas.
Let's talk. And leave deep roots.
Texto | Text: Vítor Vieira
Fotografia | Photography: André Malheiro
# 5103
É difícil ser íntimo.
It's hard to be intimate.
Texto | Text: Andreia Azevedo Moreira
Fotografia | Photography: Clarice Stanger
# 5102
todos os dias têm poesia
uma linha que seja
quando não a vejo
fecho os olhos
para sentir o vento a dançar
every day has poetry
even one line
when I don't see it
I close my eyes
to feel the wind dancing
Texto | Text: Isabel Pires
Fotografia | Photography: Jelena Stankovic
# 5101
Esta poesia que legas
Como sobreviver a toda a solidão?
Alguém amou o que pressentiu
ou alguém pressentiu o que amou?
Nos seus tentáculos rubros, a derrota
aguenta todo o volátil movimento.
Para que servem estes versos se são
como todos os outros, insondáveis
no corpo solar de um Portugal de mar?
Os dias, em sua ferocidade, iludiram-me;
as noites, em sua violência, acusaram-me.
Esta derrota que distribuis, esta poesia
que legas, sabes, criar a ilusão no mundo
foi profundo e imundo por entre açucenas.
This poetry you bequeath
How to survive all loneliness?
Did someone love what they sensed
or did someone sense what they loved?
In its crimson tentacles, defeat
endures all volatile motion.
What use are these verses if they are
like all others, unfathomable
in the solar body of a Portugal of sea?
The days, in their ferocity, deceived me;
the nights, in their violence, accused me.
This defeat you disseminate, this poetry
you bequeath, you already know, to create an illusion in the world
was profound and filthy among lilies.
Texto | Text: João Rasteiro
Fotografia | Photography: Ana Gilbert
# 5100
Tinha os pés descalços.
Através deles olhava o mundo.
Ter sapatos era uma forma de cegueira.
Da terra dizia ser livro.
Dos pés dizia serem olhos.
Enfiava os pés na terra húmida,
sentia-lhe as virtudes e as palavras.
Continuava o caminho
e contava estórias.
She had bare feet.
Through them she looked at the world.
Having shoes was a form of blindness.
The soil, she said it was a book.
Her feet, she said they were eyes.
She stuck her feet in the damp earth,
felt the virtues and the words.
She continued on her way
and told stories.
Texto | Text: Ana Miguel Socorro
Fotografia | Photography: Maria Jorge Soares
# 5099
Estes são os fluídos com que escrevemos a nossa mitologia íntima.
These are the fluids with which we write our intimate mythology.
Texto | Text: Joana M. Lopes
Fotografia | Photography: José Manuel
# 5098
Um dia não faz falta quando se mistura com os outros dias.
A day isn't missed when it's mixed in with the other days.
Texto | Text: Ana Miguel Socorro
Fotografia | Photography: Elsa Arrais
# 5097
Frágil. Por favor não abraçar. Risco de colapsar.
Fragile. Please don't hug. Risk of collapsing.
Texto | Text: Márcia Oliveira
Fotografia | Photography: Nuria Mendoza
# 5096
Estar parado também é uma forma de avançar, mas mais lenta.
Standing still is also a way of moving forward, but a slower one.
Texto | Text: Paulo Kellerman
Fotografia | Photography: Panos Chatzistefanou
# 5095
o crescimento dos dias-luz tem algo de promissor
com a claridade a vestir-se de doçura
e a suavidade pendurada ao peito
tal como a magia das tardes arrastadas do verão tardio
the growth of the light days has something promising about it
with clarity dressed in sweetness
and softness hanging from the chest
like the magic of late summer's dragging afternoons
Texto | Text: Isabel Pires
Fotografia | Photography: Vera Fernandes
# 5094
Um beijo pode ser uma semente pousada sobre a língua.
A kiss can be a seed resting on the tongue.
Texto | Text: Joana M. Lopes
Fotografia | Photography: Elsa Martins
# 5093
De tanto olhar o céu aprenderei a voar?
Can I learn to fly by looking at the sky?
Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photography: José Luís Jorge
# 5092
O meu poema é um soutien
Desaperta>{o}<
This poem is a bra
Unhook >{it}<
Texto | Text: Ana Sofia Elias
Fotografia | Photography: Vanda Cristina
# 5091
Mergulhemos juntos neste rio de águas passadas.
Let's dive into this river of past waters together.
Texto | Text: Joana M. Lopes
Fotografia | Photography: Carla Sofia Sousa
# 5090
Confiança
Podes entrar sem mostrar a pulseira no pulso.
Trust
No need to show the bracelet in your wrist.
You can come in.
Texto | Text: Ana Sofia Elias
Fotografia | Photography: Agnes Burger
# 5089
Sinto que invado as tuas memórias com o meu cheiro.
E gosto.
Sinto o teu toque quando desenhas na tua memória os meus tornozelos.
E gosto.
Sinto um tremor quando descreves minuciosamente o contorno dos meus mamilos.
E gosto.
Quero acabar com as tuas memórias.
Quero fazer nascer as nossas.
I feel like I'm invading your memories with my scent.
And I like it.
I feel your touch when you draw my ankles in your memory.
And I like it.
I feel a tremor when you minutely describe the outline of my nipples.
And I like it.
I want to end your memories.
I want to give birth to ours.
Texto | Text: Renata Barbosa
Fotografia | Photography: Federica (final_girl_7)
# 5088
o amor também se faz de
abrir o coração dos caminhos-rotina
e deitar lá para dentro flores festivas
uma espécie de era uma vez das histórias infantis
love is also about
opening the heart of routine paths
and throwing in festive flowers
a kind of once upon a time from children's stories
Texto | Text: Isabel Pires
Fotografia | Photography: Teresa Marques dos Santos
# 5087
Até amanhã.
Until tomorrow.
Texto | Text: Paulo Kellerman
Fotografia | Photography: Teresa Maria dos Santos
# 5086
Tenho em mim mil medos, proporcionais aos mil desejos que me habitam
I have a thousand fears in me, proportional to the thousand desires that inhabit me
Texto | Text: Cristiana Ribeiro
Fotografia | Photography: Anna Monica Rigon
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