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# 5704



Da espera
por trás da qual elogiei o pássaro,
até uma sombra que se segue,
a cidade está suspensa.

Ninguém sabe onde está
até que, inclinando-se, regressa às mãos
e vê o desejo
sentado em fios de luz silenciosos,
a contemplar uma bolha branca.

É noite.
Com medo, não morre.
Dorme sobre o fio de luzes e pergunta:
Como é que ardes por dentro?

A bolha ri
e pálpebras partidas estão presentes sob o sol.

Saltam,
escorregam,
deslizando de forma fragmentada
entre duas feridas:
a imagem imobilizada da
Solidão.


From the waiting
behind which I have praised the bird,
to a shadow afterward,
the city is hanging.

No one knows where it is
until, bending, it comes back upon the hands
and sees desire
sitting on silent strings of light,
gazing into a white bubble.

It is night.
Afraid, it does not die.
It sleeps on the string of lights and asks,
How do you burn inside?

The bubble laughs
and broken eyelids are present beneath the sun.

They leap,
they slip,
slipping brokenly
between two wounds:
the standing image of
Solitude.


از انتظاری که پُشت به آن پرنده سُتوده‌ام
تا سایه‌ای بعد از آن
شهر،
آویختن است.

هیچ کس نمی‌داند کجاست
تا خمیده بازمی‌گردد روی دست‌ها
و خواستن را می‌بیند
نشستن روی ریسه‌های خاموش
و چشم در حبابی سفید دوختن.

شب است
می‌ترسد و نمی‌میرد
روی ریسه‌ می‌خوابد و می‌پرسد
تو در خویش چگونه می‌سوزی.

می‌خندد حباب
و پلک‌های شکسته در آفتاب حاضرند
می پرند
و می‌لغزند
شکسته‌ می‌لغزند
میان دو زخم
ایستادنِ
تصویر تنهایی.

Texto | Text: Sanam Ahmadzadeh
Fotografia | Photography: Susanne Bartels
(Translated from Persian into English by Ali Asadollahi)

# 5663



rastejo ao rio
rente ao riso
para não chorar

i crawl towards the river
close to laughter
so as not to cry

Texto | Text: Cristiana Ribeiro
Fotografia | Photography: Susanne Bartels

# 5611



As raízes mais fundas são as que nos chamam de volta.

The most profound roots are those that call us home.

Texto | Text: Maria Ervilha
Fotografia | Photography: Susanne Bartels

# 5564



Preciso de estar sozinho. A cuidar de ser eu...

I need to be alone. To take care of being me...

Texto | Text: Cátia Ribeiro
Fotografia | Photography: Susanne Bartels

# 5534



Esse simulacro de vida que cabe inteiro na exausta cautela de não sairmos do mesmo lugar, quando na imobilidade tentamos correr de costas, atrás de um tempo que não é nosso, tomado por empréstimo, na disputa com o infatigável zurzir do relógio. Impasse. Em desbalanço, deixámo-nos cair para dentro de nós, vôo de recurso, sem acrobacia que nos distraia do tédio e nos redima do medo.

This simulacrum of life that fits entirely within the exhausted caution of not leaving the same place, when in immobility we try to run backwards, chasing a time that is not ours, borrowed, in competition with the tireless ticking of the clock. Impasse. Off balance, we let ourselves fall into ourselves, a flight of recourse, without acrobatics to distract us from boredom and redeem us from fear.

Texto | Text: Marta Fernandes Silva
Fotografia | Photography: Susanne Bartels

# 5488



A liberdade encontra, sempre, o caminho de regresso.

Freedom always finds its way back.

Texto | Text: Andreia Azevedo Moreira
Fotografia | Photography: Susanne Bartels

# 5474



Gravamos na alma o que mais nos marca a pele, transmutando a felicidade em intensa melancolia. Talvez sejamos fábricas de memórias. Olhamos, ouvimos, saboreamos, cheiramos, sentimos para reabastecer lembranças.

We engrave in our souls what marks our skin the most, turning happiness into intense melancholy. Maybe we are memory factories. We look, we listen, we taste, we smell, we feel, to restore our memories.

Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photography: Susanne Bartels

# 5437



Matéria de Nada

Existir sem provar.

Ser.
Sem causa.
Sem tempo.

Leve.
Inútil.
Inteira.
Plena.
Natural.

O nada basta.


Nothingness

To exist without tasting.

To be.
Without cause.
Without time.

Light.
Useless.
Whole.
Complete
Natural.

Nothingness is enough.

Texto | Text: Fabiana Fraga
Fotografia | Photography: Susanne Bartels

# 5412



O corpo é a tua primeira conversa.

The body is your first conversation.

Texto | Text: Ana Miguel Socorro
Fotografia | Photography: Susanne Bartels

# 5390



Os dias são feitos de reflexos,
sonhos,
cardumes de vozes
e do pó que sacudo.

The days are made up of reflections,
dreams,
shoals of voices
and the dust that I shake off.

Texto | Text: Cristina Vicente
Fotografia | Photography: Susanne Bartels

# 5372



Lar

Reconheci-te no instante em que te encontrei —
o teu sorriso, rebeldia talhada em alegria contida,
as conversas que murmuravas às folhas de chá,
como se o futuro se escondesse no perfume do vapor.
Conhecia a tua alma muito antes
de a tua pele dizer o primeiro olá.
Não foi fogo, nem carne, nem vertigem,
foi apenas o ver através:
as tuas inseguranças — disfarçadas de armadura,
o teu perfume — um mapa sem destino.

Ergui um lar dentro de ti.
Mas o chão tremia,
o vidro partiu-se sob o nosso peso,
e o lar desfez-se — um fantasma de abrigo,
deixando-me órfão de um lugar onde nunca vivi.

Procurei-te noutros rostos,
derramei-me em corações abertos,
na esperança de que guardassem o eco da saudade.
Mas cada casa onde entrei
era um quarto sem ar,
um corpo sem morada.

Ser refugiado ensinou-me
que os lares não se talham em pedra —
a pedra cede sob o peso do exílio.
Um ano, um lugar,
e recomeça-se.
Mas a alma cansa-se
de paredes que não escutam.

Uma casa pode conter o corpo,
mas é o lar que contém o coração.
E se os lares que ergui nos outros
nunca pudessem suportar o peso da minha alma?
E se todo o coração precisar de repouso,
mas nem todo o lugar o puder acolher?
Talvez o lar não seja um destino.
Talvez seja o instante do reconhecimento,
o breve pulsar onde duas almas murmuram:
“Também eu te procurava.”


Home.

I recognised you when I met you,
your grin—rebellion carved in quiet joy,
your whispered debates with tea leaves
as if they held your future in their scent.
I knew your soul, long before
your skin introduced itself.
No fire of attraction, no storm of flesh,
but I saw through the layers:
your insecurities—dressed as armor,
your perfume—a map to nowhere.

I built a home within you.
The foundation trembled,
glass fractured beneath our weight,
and suddenly, the home dissolved—
a phantom of safety,
leaving me homesick for a place
I've never been.

I searched for you in others,
emptied myself into open hearts,
hoping they'd catch the echo of longing,
but every house I entered
was a room empty of air.

Being a refugee taught me
homes aren’t carved in stone;
stone crumbles under the weight of exile.
One year, one place,
then you build again,
but the soul grows weary
of walls that don't listen.

A house may hold the body,
but a home holds the heart.
What if the homes I’ve built in others
could not hold my soul’s weight?
What if every heart needs a place to rest,
but not every place can carry the heart?
Perhaps home isn’t a destination.
Perhaps it’s the pulse of recognition,
perhaps it's the moment two souls whisper,
“I’ve been looking for you, too.”

Texto | Text: ~nassr
Fotografia | Photography: Susanne Bartels

# 5359



O tempo é apenas uma sequência de acasos. A eternidade é apenas uma sequência de acasos. A existência é apenas uma sequência de acasos. Tu és apenas uma sequência de acasos.

Time is just a sequence of coincidences. Eternity is just a sequence of coincidences. Existence is just a sequence of coincidences. You are just a sequence of coincidences.

Texto | Text; Paulo Kellerman
Fotografia | Photography: Susanne Bartels

# 5340



Talvez sonhar seja a primeira forma de existir…

Perhaps dreaming is the first way to exist...

Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photography: Susanne Bartels