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# 5328



Nenhum Monge do Deserto

Ele sonhou
que era um monge do deserto —
quando acordou
riu do absurdo
porque
amava
demasiado
as tentações da vida.


No Desert Monk

He dreamed
he was a desert monk —
when he woke
he laughed
at the absurdity
because
he loved
life’s temptations
too much.

Texto | Text: Fred Fullerton
Fotografia | Photography: Gwen Julia

# 5291



Nenhum Monge do Deserto

Ele sonhou
que era um monge do deserto —
quando acordou
riu do absurdo
porque
amava
demasiado
as tentações da vida.


No Desert Monk

He dreamed
he was a desert monk —
when he woke
he laughed
at the absurdity
because
he loved
life’s temptations
too much.

Texto | Text: Fred Fullerton
Fotografia | Photography: game.animal

# 4936





Amor como um Enigma

O amor
permanece um enigma
para muitas pessoas
porque ele pode trazer infinita
alegria para uma pessoa
e um sofrimento devastador
para outra.

O amor
pode acender
instantaneamente
quente e intenso
como um incêncio
e então extinguir-se
num instante
deixando em seu rastro
um deserto de aflição
e luto.

O amor
pode confundir e sobrecarregar
aqueles que lutaram
e falharam nesse trio
clichê-
casamento
separação
divórcio

enquanto testemunham casais
que se apaixonaram jovens
e permaneceram apaixonados
devotados um ao outro
até a morte.

Outros, ainda, vivem sem
essas buscas e escolhem
a abstinência ascética
ou se acomodam com amizades

coloridas.


Love As An Enigma

Love
remains an enigma
to many people
because it can bring infinite
joy to one
and devastating misery
to another.

Love
can flare
instantaneously
hot and intense
as a wildfire
then burn itself out
in a flash
leaving in its wake
a wasteland of woe
and mourning.

Love
can puzzle and burden
those who’ve floundered
and failed in that clichéd
trifecta—
marriage
separation
divorce

while witnessing couples
who fell in love young
and remained in love
devoted to each other
until they died.

Still others do without
such quests and choose
ascetic abstinence
or settle with friendships

with benefits.

Texto | Text: Fred Fullerton
Fotografia | Photography: Ana Gilbert

# 4569



Filme de Pele

pele
nosso milagrosamente
multifacetado
manto opaco
abraça-nos com firmeza
como um escudo protetor
da cabeça aos pés
contra uma coreografia
de danos

pele
revela em parte
a jornada do nosso corpo
do nascimento à morte
e o seu abuso
tatuado
com cicatrizes e manchas
gravado com rugas

pele
imagine fotos
antigas e recentes
seguidas
de um vídeo
escaneando
lentamente
os contornos da pele
ao longo do corpo
da cabeça aos pés

uma marca registrada e um lembrete
nada dura para sempre.


Skin Flick

skin
our miraculously
multifaceted
opaque cloak
hugs us firmly
shielding
from head to toe
against a choreography
of damages

skin
reveals in part
our body’s journey
from birth to death
and its abuse
tattooed
with scars and spots
etched with wrinkles

skin
imagine still photos
old and recent
followed
by a video shot
scanning
ever so slowly
skin’s contours
along the body
from head to toe

a hallmark and reminder
nothing endures forever.

Texto | Text: Fred Fullerton
Fotografia | Photography: Ana Gilbert

# 4560



Balé de partículas

O sol de verão perfura
a sombra fresca da sala
com raios de luz
através das lâminas da persiana
enquanto poeira e caspa
dançam entre os zéfiros
impulsionados por um ventilador suspenso-
um balé de partículas
sob os raios de sol.

Em um sofá surrado
em um canto escuro
intocado pelo sol,
dois amantes jazem exaustos
e suando por causa do calor do verão
e dos orgasmos operísticos.


Ballet of Motes

The summer sun pierces
the room’s cool shade
with shafts of light
through a shutter’s louvers
as dust and dander
dance among the zephyrs
driven by an overhead fan-
a ballet of motes
within the sun’s rays.

On a battered couch
in a dim corner
untouched by the sun,
two lovers lie spent
and sweating from the summer heat
and operatic orgasms.

Texto | Text: Fred Fullerton
Fotografia | Photography: Giorgos Kitsos

# 4539



Balé de partículas

O sol de verão perfura
a sombra fresca da sala
com raios de luz
através das lâminas da persiana
enquanto poeira e caspa
dançam entre os zéfiros
impulsionados por um ventilador suspenso-
um balé de partículas
sob os raios de sol.

Em um sofá surrado
em um canto escuro
intocado pelo sol,
dois amantes jazem exaustos
e suando por causa do calor do verão
e dos orgasmos operísticos.


Ballet of Motes

The summer sun pierces
the room’s cool shade
with shafts of light
through a shutter’s louvers
as dust and dander
dance among the zephyrs
driven by an overhead fan-
a ballet of motes
within the sun’s rays.

On a battered couch
in a dim corner
untouched by the sun,
two lovers lie spent
and sweating from the summer heat
and operatic orgasms.

Texto | Text: Fred Fullerton
Fotografia | Photography: Michèle Polak

# 4529



Puzzling Dreams and Connections

Dreams comprise puzzles
connecting pieces
of our lives
experiences
memories
remembered and forgotten

Dreams follow disjointed cycles
mixing repetition
with sudden twists
and new scenarios
locations and players
of a novel mystic life

Dreams’ mysteries persist with a question:
When the dreamer’s final role ends
will there be a curtain call and applause
or only a void and silence?


Sonhos e Conexões Desconcertantes

Sonhos compõem puzzles
conectando peças
de nossas vidas
experiências
memórias
lembradas e esquecidas

Sonhos seguem ciclos desconexos
misturando repetição
com reviravoltas súbitas
e novos cenários
locais e personagens
de uma vida mística inédita

Os mistérios do sonhos persistem com uma pergunta:
Quando o papel final do sonhador termina
haverá um retorno ao palco e aplausos
ou apenas vazio e silêncio?

Texto | Text: Fred Fullerton
Fotografia | Photography: 
Carolina Geiger

# 4494



Ela fica nua diante de mim

Ela abre a porta da casa de banho
e a luz invade o quarto
ela parece uma sombra ambulante
e fica nua junto à escrivaninha
então, timidamente, vira as costas para se vestir.

Contemplo sua nudez de marfim
e reconheço como o tempo
roubou nossos anos
nossas décadas juntos.

Quantas vezes
eu a segurei em meus braços
beijei seus lábios, acariciei seu corpo
e fiz amor com ela?

Ela fica nua diante de mim
reacendendo desejos da juventude
mas o que resta são as memórias.


She Stands Naked Before Me

She opens the bathroom door
and light streams into the bedroom
she appears as a walking shadow
and stands naked at her bureau
then coyly turns her back to dress.

I ponder her ivory nakedness
and recognize how time
has snatched our years
our decades together.

How many times
had I held her in my arms
kissed her lips, fondled her body
and made love to her?

She stands naked before me
rekindling youthful desires
but what remains are memories.

Texto | Text: Fred Fullerton
Fotografia | Photography: Ana Gilbert