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# 3872



Ficava sempre para trás. Mas lá ia.
Quando já ninguém o esperava, chegava.
Não lhe interessava ser primeiro. Gostava de olhar em volta, apalpar terreno. Sentir cada passo.
Talvez lhe faltasse coragem. O rasgo. Ousadia. Mas ia.
Carregado de sonhos. Os pés pisando em terra firme. E a alma, leve, leve.

He was always left behind. But he went anyway.
When nobody was waiting for him anymore, he arrived.
He wasn't interested in being first. He liked to look around, to feel the terrain. To feel every step.
Maybe he lacked courage. The rip. Boldness. But he kept going.
Loaded with dreams. Feet stepping on solid ground. And the soul, light, light.

Texto | Text: A Escriturária
Fotografia | Photography: Ana Paula Fadoni

# 3546




A Pausa
Regras a observar.
1. É proibido esforçar-se. Adopte uma posição de conforto onde se sinta totalmente relaxado. Se sentir as pernas, os braços, ou qualquer tipo de músculo, por mais pequeno que seja, isso quer dizer que ainda não atingiu o ponto de rebuçado. Estique-se, espreguice-se e estacione-se num qualquer lugar feliz.
2. Abstenha-se de qualquer tipo de pensamento. Fechar os olhos pode ajudar, mas não chega. O objetivo é desligar. Colocar o cérebro em modo de voo e deixar o coração a comandar.
3. Não fale. Oiça. O único ruído presente deve ser o som do silêncio. Escute o que ele tem para lhe dizer.
Se ainda assim lhe for difícil relaxar, inspire-se no pato. Que, dependendo da situação, anda, voa ou nada. Mas é exímio na arte de se poupar. Afinal, porquê correr quando pode deslizar?

[The break
Rules to observe.
1. All kind of effort is prohibited. Adopt a comfortable position where you feel totally relaxed. If you feel your legs, arms, or any kind of muscle, no matter how small, it means you haven't reached your sweet spot. Stretch out, spread, and plant yourself in a happy place.
2. Refrain from any kind of thinking. Closing your eyes can help, but it's not enough. The goal is to turn off. Put your brain in flight mode and let your heart take the lead.
3. Don't talk. Listen. The only noise present must be the sound of silence. Listen to what he has to say to you.
If you still find it difficult to relax, take inspiration from the duck. Which, depending on the situation, walks, flies, or swims. But is an expert in the art of preserve himself. After all, why run when you can slide?]

Texto | Text: A Escriturária
Fotografia | Photo: Isabel Pires

# 3442




Por último

Ficava sempre para trás. Mas lá ia.
Quando já ninguém o esperava, chegava.
Não lhe interessava ser primeiro. Gostava de olhar em volta, apalpar terreno. Sentir cada passo.
Talvez lhe faltasse coragem. O rasgo. Ousadia. Mas ia.
Carregado de sonhos. Os pés pisando em terra firme. E a alma, leve, leve.

Texto: A Escriturária
Fotografia: Maria Jorge Soares

# 3420




Por inteiro

Vejo nela, tanto.
Vejo nela, muito.
Vejo nela, tudo.
Mas nada me prende, como o que não me mostra.
Nada me seduz, como o pouco que não consigo ver.
Pois nela, tudo me cativa. Todos os nadas. Tantos os muitos. Todos os todos. Tudo, mas mesmo, mesmo, tudo.

Texto: A Escriturária
Fotografia: Frankie Boy

# 3410




A outra margem

Passamos a vida além: no lugar errado. Ora a ganhar balanço para tentar antecipar o futuro, ora a suspirar enquanto nos libertamos do passado. Não sabemos permanecer. Simplesmente, estar. Não ali, ou, por aí. Estar. Agora. Aqui.
Se ao menos soubéssemos imitar o mar. Que vai e vem. Dá e leva. Estende-se por todo lado. Que consegue ser igual e, no entanto, diferente. Mas que está sempre, sempre, presente.

Texto: A Escriturária
Fotografia: Cristina Vicente

# 3392



Encosta-te a mim

Vou contar-te um segredo:
Da próxima vez que me beijares, deixo os olhos abertos. Faço uso de todos os sentidos. Não me chega o toque, o cheiro ou o sabor. Quero ver-te por inteiro.
O essencial pode ser invisível aos olhos (Antoine de Saint-Exupéry) mas eu quero mergulhar a fundo no coração onde me enrosco.

Texto: A Escriturária
Fotografia: Cristina Vicente

# 3383



Sem sombra de dúvida

Caminhar parece fácil. Afinal, para andar, basta pôr um pé à frente do outro. Direito, esquerdo, direito, esquerdo. Com o tempo, é -nos tão natural que nos esquecemos de tudo o que envolve e implica: equilíbrio; ritmo; coordenação; direcção.
Esquecemos-nos de ter medo. Medo de tropeçar, de cair, de nos magoarmos. Porque recomeçar é simples. Basta pôr um pé à frente do outro. Direito, esquerdo, direito, esquerdo. Ir, e confiar.

Texto: A Escriturária
Fotografia: Vanda Cristina