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# 1634



"De todas as vezes que me obrigaste a comer sopa em criança, guardei cada uma das molas que usavas para me apertar o nariz. Deixava de respirar e tinha de abrir a minha pequena boca para onde atiravas uma colher daquela mixórdia que dizias fazer-me bem. Sustive o vómito tantas vezes, mãe, e tu foste ficando sem molas para estender a roupa. Hoje, já crescida e cansada encontrei a solução para não me obrigarem a comer o que a vida me quer dar. E funciona, vê tu bem. Da tua sopa não lhe sinto a falta, de ti, sim e, como sei que onde estás não se fazem sopas, decidi juntar-me a ti."

Texto: Sandrine Cordeiro
Foto: Tânia João

# 1606



"Escorrem-me lágrimas por um único fio de cabelo. Não mereces mais do que um fio e, no entanto, as lágrimas são tantas..."

Texto: Sandrine Cordeiro
Foto: Tânia João

# 1592



"Vivera e morrera naquela casa. Acabou sozinha e fora enterrada no lugar dos sem-nome. Apenas um número, 1189, cujo terreno que, com o tempo, seria de um outro corpo destinado à sua decomposição e assim sucessivamente.
E por essa razão, porque a matéria desaparece, mas a alma permanece, decidiu ficar a habitar naquela que fora sempre a sua casa, não fosse ela ser invadida por outros corpos. Qualquer tentativa seria, por ela, assombrada, não por maldade, mas para preservar a sua existência. Não quis descansar em paz. Quis ficar em casa para sempre."

Texto: Sandrine Cordeiro
Foto: Tânia João

# 1583



"O seu único talento: descortinar as subtilezas da vida."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Tânia João

# 1579



"Nunca entendera a expressão "dar pérolas a porcos". Para que quereria um porco usar um colar de pérolas? As pérolas preciosas criadas pelas ostras e cuspidas diretamente para os pescoços femininos em festividades. Quantas terão tido esse real privilégio? Quantos desses pescoços desnudados vestiram apenas uma reles imitação, oferecida por um tal senhor, para lhes dar o ar de altivez desmerecido? Um porco é um porco e não precisa de pérolas para ser um animal mais nobre."

Texto: Sandrine Cordeiro
Foto: Tânia João

# 1570



"Será a última vez?
Vou-te ter como se fosse...
Chegarei a ti, onde me esperas sempre, decidida a contemplar aquele lugar com a sua melhor recordação. Também ele guarda lembranças, constrói a sua história com o que rouba de nós. Assimila cada uma das sensações que fremem intensamente no ar. 
Aguarda-me, mas será outra a chegar por mim. Concebida em sangue que corre na ausência, alimentada pela fome de te ter. Serei o que nunca fui e tu nunca pensaste existir. Enclausurada em tempo que se perdeu. Um tempo que aproxima desejos, quebra pudores e exacerba o apego.
O reencontro de existências que se dissolvem numa só. O meu corpo a tomar conta do teu. Suores absorvidos pela pele na ressaca de um vício impossível de curar. A levitação do mais insano dos prazeres. Assomamos à esfera da utopia, onde só juntos poderemos chegar.
Abandono-te aí... Regressando pelo trilho construído em crenças estilhaçadas. Convicções continuamente reerguidas que não te cansaste de arruinar. Regresso na ousadia de provares o melhor dos dois. A excitação que desconhecias ser possível de sentir...
Liberto os sentidos impregnando de memórias os teus. Preso no que recusavas dar, arrastarás a loucura na busca do que só eu poderei saciar. Pedaços de nada, matéria sem cor, vestígios ocos do sonho redigido em nós.
Irónico amor que na última vez mais se faz ressurgir..."

Texto: Catarina Vale
Foto: Tânia João

# 1565



"Lavo daqui as minhas mãos! O trabalho sujo é da tua responsabilidade: o sangue que te corre entre os dedos, lambo-o para te proteger. É por amor que o faço, não por ti." 

Texto: Sandrine Cordeiro
Foto: Tânia João

# 1557



"Marta Elétrica não tomava banho há muito tempo – ficara traumatizada com os choques na banheira de criança.
Um dia foi apanhada por uma chuvada de Verão, sem nenhum lugar onde se abrigar.
Marta agora brilha ao longe, porém cheirou a esturricado no bairro durante semanas."

Texto: A. M. Catarino
Foto: Tânia João

# 1547



"Por mais que o caminho indique o meu destino, insistes em contrariar os passos do nosso encontro."

Texto: Sandrine Cordeiro
Foto: Tânia João

# 1522



"Do meu rosto? Revelo apenas o que quero que tu vejas, no entanto, nunca saberei se estarás a olhar para o meu lugar certo."

Texto: Sandrine Cordeiro
Foto: Tânia João

# 1512



'Ela nunca soube a quem agradecer mais, se aos caminhos cruzados e esvoaçantes que passaram e deixaram marcas até deixarem de fazerem sentido na caminhada da sua existência ou se àqueles que permaneceram inscritos nas linhas da palma da sua mão e que ficarão para sempre."

Texto: Sandrine Cordeiro
Foto: Tânia João

# 1505



"Constróis para que seja indestrutível. Com as melhores estruturas: as dos alicerces que não se veem, aos olhos insensíveis dos mais cegos. E depois vem o mar revolto, em dias de tempestade, e torna o indestrutível destrutível. Com a maior força: a da desistência da areia que não bloqueia. Construam-se dunas. Para tornar as estruturas mais duras."

Texto: Renata Barbosa
Foto: Tânia João

# 1498



"Escondida debaixo deste olhar, vê-se ao espelho todas as manhãs... Analisa, por momentos, se esta será a máscara certa para usar naquele dia... E decide, mas nem sempre acerta. Há tantas horas num só dia..."

Texto: Sandrine Cordeiro
Foto: Tânia João

# 1482



"Por mais farpas que me lances, por mais armas que uses para me ferir, tenho a força do meu olhar sempre atento a cada ataque. Os heróis usam máscaras para se esconder... Eu uso a minha para me revelar."

Texto: Sandrine Cordeiro
Foto: Tânia João

# 1467



"Repara no mapa que percorre o meu rosto, de todas as possibilidades do meu ser, escolheste o único caminho que te impede de o viver."

Texto: Sandrine Cordeiro
Foto: Tânia João

# 1459



"Ainda desejo este amor devoluto, por isso envolvo o teu corpo, como a trepadeira cega que abraça a casa à beira de ruir."

Texto: Rosa Boto Caiado
Foto: Tânia João

# 1455



"O mapa traçado no meu rosto, não é aquele que vês, sou muitas mais do que aquela que julgas conhecer."

Texto: Sandrine Cordeiro
Foto: Tânia João

# 1445



"Como podem, ainda, as minhas narinas sentirem o teu odor se nunca estivemos tão perto?"

Texto: Sandrine Cordeiro
Foto: Tânia João