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# 1911



Dores silenciosas d’alma…
Tristeza e solidão.
Engavetadas…


Palavras que são escritas em contagem decrescente com a prata riscada em traços curvados de letras, elas que ligadas entre si, transportam dilemas sofridos, desgastados, talham e silenciam emoções...
E na cegueira sensorial, o suave som da tinta vai espalhando, em espirais retorcidas, os sentidos por elas delineados. Letra por letra. Sílaba a sílaba.
E nas reticências, ponto a ponto suspende-se o tempo, por um tempo, esse de uma gaveta que é aberta e que nela se deixa cair, sendo esquecido até não ser mais do que passado no tempo."


Texto e foto: Cristina Vicente

# 1900



"[dum lugar íntimo do espanto]

no vazio pachorrento que te fura
por ali passa a centelha
e enquanto passa
dilata-o."

Texto: calí boreaz
Foto: Cristina Vicente

# 1887



"Sonha com as asas que tens, voa com os sonhos que te iluminam..."

Texto e foto: Cristina Vicente

# 1870



"Telhados todos temos, uns resistentes, outros fragilizados, de telhas duras ou baças, de vidro ou plastificadas... mas o que abriga o telhado? Vozes, pessoas, estórias, vivências e do tudo e do nada, sombras, nossas e dos outros... não deixar que a sombra seja maior do que a luz é uma enorme batalha, constante e diária. Aprender, caminhar, partilhar... eis que a zona de luz aumenta e o equilíbrio acontece... simplesmente!"

Texto e foto: Cristina Vicente

# 1857



"Mão ante mão percorri-te,
decorei-te. Guardei-te.
como um segredo.
Não percebendo que
pé ante pé,
secretamente,
te foste afastando. Partindo.
Até seres apenas uma memória."

Texto: Helena Silva
Foto: Cristina Vicente

# 1840



"Para toda a força existe a sua versão oposta e, sem exceção, tudo o que se opõe deriva da mesma fonte, por isso, naquela noite, existia a essência da luz manifestada, quer na luminescência assustadora dos raios enraizando o céu, quer numa arbórea luminosidade, compassiva e arredondada, desenhada como copa de árvore no topo de um candeeiro a petróleo, aceso no interior de uma casa."

Texto: Joana M. Lopes
Foto: Cristina Vicente

# 1827



"Caem as cortinas. Caem as máscaras. Caem as folhas. As estações passam, a vida prossegue. Ciclicamente... Renovamo-nos na esperança da permanência.
Mas nada é nosso... nem a vida."

Texto e foto: Cristina Vicente

# 1813



"Nas intermitências dos dias, na brancura das noites, interpreto silêncios. Uns são longos, duram eternidades. Outros breves, duram instantes. Não são ausências. Pelo contrário. Sei-te presente em cada um desses silêncios. Como te sei presente em mim. Sinto neles, os teus duelos, as tuas resistências, os teus sorrisos e o... desejo. Sinto-o. Inevitável. Inexorável. Como a tua voz. E não sei escrever, não sei resistir a cristalizar em imagens, senão o que sinto."

Texto: Clara Vales
Foto: Cristina Vicente

# 1799



"O caminho ainda é o que me alimenta. E eu vou. Caminho."

Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Cristina Vicente

# 1753



"Esta noite dormimos juntos. Nossos corpos perfilados, um junto ao outro. Nada aconteceu além do contacto da pele e do respirar, quase uníssono antes do estertor do adormecer. Ou será que tudo aconteceu? Aí. Simples. Assim. Estávamos exaustos. Senti o teu calor. O nosso calor. Preferi afastar o lençol a afastar o teu corpo de mim. E permanecemos no silêncio da noite. Algures. Suspensos no tempo. Até amanhecer. Não houve ali, contudo, noite. Apenas um profundo e sentido dia."


Texto: Clara Vales
Foto: Cristina Vicente

# 1744






"Desequilibra-me o caminho por onde insistes em me levar. Desconheço a melhor maneira de o percorrer ou se chegará a ter um fim. Perseguem-me os olhos que sempre foram calor, libertando-me na esperança de nunca me verem partir. Onde já tudo foi pressa, agora, reside a lentidão. Calma que prossegue numa réstia de vontade de avançar.
Talvez desconheças, mais do que eu, esta viagem. Talvez me tenhas arrastado sem dares conta que o fizeste. Movimentos em sentidos opostos deixam-me entre paragens que me fazem despertar. Olho à volta e desconheço onde estou, ou qual parte de mim aqui se encontrará. Existirá um lugar onde permanecemos inteiros? Algum lugar de onde nunca almejamos sair? Onde estás quando te chamo? Onde estás quando me abandonas ao frio, sem uma mão para segurar, petrificada no receio de ignorar se vais voltar? A espera numa bipolaridade de emoções que arrasam o que neste instante se ergueu.
Chegará o instante em que a alma abandona o corpo, em que regressarei sozinha de ti mas mais comigo do que nunca. Coração que acredita é impossível de abismar. Outros serão o abismo de si mesmo, arruinados na luxúria da própria contemplação. Corações que batem para se sentirem respirar desconhecendo que existir é aumentar respirações.
Há dimensões que só na humildade seremos capazes de alcançar. O meu mundo tão maior do que o teu. Como se vive numa loucura impossível de controlar? Perdes-te numa não semelhança que persistes em perscrutar criando a ilusão que a perdida sou eu. Imperfeições revestidas na perversidade de não se conseguirem inverter. Sentidos, que ferem pela mágoa de não conceberem o sentir, anestesiam cada uma das partes que mais faziam viver.
Fica. Fica no limite que não te cansas de dilatar. Não se retorna ao que está cada vez mais longe…"

Texto: Catarina Vale
Fotos: Cristina Vicente

# 1730



"Quantas personagens vivem em mim?
Quanto dos outros sou? Linhas ou diagonais? Energia...
Vozes, murmúrios que inquietam, ladainhas. Saio de mim..."

Texto e foto: Cristina Vicente

# 1719



"Deixo o Norte, não procuro o Sul... não há pontos cardeais para me orientar. Fecho os olhos e agora que estendo a mão, deixo que me guiem os sons, a melodia das palavras, os cheiros de memórias, soltas, procuradas. Seguirei o raio de luz que me trespassa e aquece, arrepiando a pele... sentirei a brisa que me fustiga, ou o vento agreste que me acaricia. Banhar-me-ei nas intempéries com o tempo que me resta... Solto-me, aos poucos, neste corpo que é meu, nesta liberdade que me abraça... numa solidão que não me desampara."

Texto: Cristina Vicente
Foto: Célia Guerra

# 1713



"Porque nunca nos basta a felicidade que temos?
Perguntou ele. E depois voou, em busca de uma resposta."

Texto: Paulo Kellerman
Foto: Cristina Vicente

# 1701



"Recuo no desabrigo da mão que mais te quis segurar..."

Texto: Catarina Vale
Foto: Cristina Vicente

# 1685

 



"Como se deixa de ouvir o que ecoa dentro de nós?"

Texto: Catarina Vale
Fotos: Cristina Vicente

# 1676



"Querido Ausente, 
Para chegar ao teatro, faço sempre a rua de São Paulo. O mesmo são Paulo que cegou por ter visto Cristo. Cegou para depois voltar a ver. Quantas vezes terás que te enganar até acertar? Quantas vezes terás de desacreditar até estares preparada para a confirmação? Por quantas mágoas terás que passar até que a dor não passe de mero conceito? Quantos desamores até veres o amor? Crer para ver ou ver para crer? "Senhor, que queres que faça?", gritou São Paulo. Como recomeçar?, grita a geometria europeia. A minha bisavó Ana tinha uma figueira no quintal de sua casa. Ali passei parte da minha infância. Ela ficava sentada no banco que estava debaixo da figueira, a ver-me brincar. Não me lembro a que brincava eu. Brincava quase sempre sozinha, mas as crianças não precisam de mais crianças para poderem brincar. Brincam a qualquer coisa, e do nada criam casinhas e histórias. E criam porque desconhecem o valor da Coisa. E a Coisa afinal que valor tem? Talvez goste tanto de figos porque me lembram o tempo em que a Coisa não existia. Era ausência. Longe da eloquência persuasiva da sabedoria, os figos são Cordeiro e Leão ao mesmo tempo. Perto das figueiras, não há mísseis, atentados, ou enganos. Há meninas de quinze anos com rapazes de dezassete a beijá-las. Os figos são a memória da inocência do mundo, são a terra prometida.
Beijos da tua rapariga simples"

Texto: Susana Sá
Foto: Cristina Vicente