# 2000
Era para ser uma brincadeira do Verão de 2016. Era para envolver meia dúzia de amigos. Era para chegar às cem publicações.
Estamos no Outono de 2019. Envolvemos cento e quinze pessoas. Chegámos às duas mil publicações.
Dois mil obrigados.
# 1999
"O tempo é um consumível escasso que não permite reutilização."
Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Teresa Bret Afonso
# 1998
"O céu e coisa nenhuma
Talvez um dia me apeteça ser vento
ser céu
ser coisa nenhuma
e tudo ao mesmo tempo
Talvez um dia me apeteça ser tua
ser minha
ser de ninguém
e de todos ao mesmo tempo
mas sem nunca deixar de ser
Eu
Eu vento
Eu céu
Eu coisa nenhuma
e tudo ao mesmo tempo"
Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Cristina Vicente
# 1997
“ - Mãe, sabes porque assobiam as árvores?
- Sim, porque lhes toca o vento.
- Não mãe, é porque são felizes. “
Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Fernando Silva
# 1996
"Querida Wendy, isto hoje está melhor que a Terra do Nunca. O Peter Pan e a Fada Sininho até já foram dar uns mergulhinhos.
- Que inveja! E eu já por aqui a transpirar. Bem me sabia um mergulho!...
- Está um dia de verão incrível. Ideal para meteres as galinhas na capoeira e vires molhar o pezinho.
- Hoje não é dia de galinhas. Estou de folga e às tantas vou aí de tarde.
- Humm, humm... Estás a fazer de Cinderela. Noutro conto de fadas."
Texto: José Alberto Vasco
Foto: Célia Guerra
# 1994
"É o destino que me empurra? Ou sou eu que arrasto o destino atrás de mim?"
Texto: Paulo Kellerman
Foto: Carla de Sousa
# 1993
"Encontram-se tesouros quando o coração é virado do avesso."
Texto: Guida Isabel Santos
Foto: Artur Gomes
# 1990
"Diria que vejo o reflexo das estrelas espelhado num dia de sol. Diria que vejo as cores da lua a tocar nas do sol. Diria ainda que encontro aqui um amor maior. Um amor do sol à lua, que se apaga na noite só para a ver luzir no escuro. Um amor da lua ao sol, que se esconde no dia, ao vê-la brilhar!"
Texto: Renata Barbosa
Foto: Teresa Marques dos Santos
# 1987
"Venero estas coisas contigo.
Tremendamente.
Inspiras a canção."
Texto: José Alberto Vasco
Foto: Cristina Vicente
# 1986
"Por vezes, o tempo avança tornando os dias em segundos impossíveis de deter.
- Sorrisos que se propagam da boca ao olhar -
Querer ficar, recusando que a memória se aproprie do que se faz sentir tão real.
- Gargalhadas prolongadas para além do que as fez surgir -
Mas a felicidade só existe no lado veloz da vida. Não lhe basta apenas acelerar o coração.
- Estrelas contadas por corpos fundidos de areia molhada -
Ignora que a tristeza surge num tempo que é possível dilatar. Que é na fugacidade de um momento que se concebe a saudade.
- Luz contemplada no mar -
Vagueamos por ritmos que desejaríamos inverter. Procuramos a eternidade para o que mais se faz sentir, para os instantes que nos encontram e de onde emergimos desprezando as palavras que desconhecem as letras de tamanha sensação.
- Silêncio do mundo entre frenéticas respirações -
Gravamos na alma o que mais nos marca a pele, transmutando a felicidade em intensa melancolia. Talvez sejamos fábricas de memórias. Olhamos, ouvimos, saboreamos, cheiramos, sentimos para reabastecer lembranças.
É tanto, e só, nas lembranças que existimos. Nós nos outros, os outros em nós..."
Texto: Catarina Vale
Foto: Maria João Alves
# 1985
"Todos somos ilhas isoladas. Pensou ela antes de lhe pedir um abraço."
Texto: Paulo Kellerman
Foto: Sónia Silva
# 1984
"Quem vive com medo saberá a que me refiro. Desligamo-nos sob o seu manto."
Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Rah Pha
# 1981
"Uma palavra, mesmo que não a certa, e o sangue perde-se no sentido a seguir."
Texto: Catarina Vale
Foto: Teresa Marques dos Santos
# 1978
"hora de vagar
substrato da poesia
uns restos de tarde
ainda boiando
sobre o precipício ansioso
das horas
a desoras
um exílio costeiro
na costura de um sonho
sob o ato da poesia
(...)
dez horas
um vago lume se acende e eu vagamente
subo e trato da poesia"
Texto: calí boreaz
Foto de partida: calí boreaz
Fotos de chegada: Cristina Vicente
# 1977
"Cada vez que te digo o que sinto, abre-se uma janela. Um dia o meu coração voa e pousa no teu."
Texto: Guida Isabel Santos
Foto: Carla de Sousa
# 1976
"Ainda desejo este amor devoluto, por isso envolvo o teu corpo, como a trepadeira cega que abraça a casa à beira de ruir."
Texto: Rosa Boto Caiado
Foto: Célia Guerra
# 1975
"A orfandade caiu sobre o seu coração como a noite. Tamanha sorte, a dela, haver amigos-luz rasgando a treva. Afagos para a melancolia a que haverá de ceder."
Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Maria João Alves
# 1972
"Sou aquilo que não posso ser
Sou apenas o que me sonhei"
Texto: Elsa Margarida Rodrigues
Foto: Rah Pha
# 1971
"Sei o que sentir quando não há o que dizer. É com silêncios que se medem as distâncias."
Texto: Catarina Vale
Foto: Peter A. Gilbert
# 1969
"Devia haver sempre um cofre dentro de nós cheio de purpurinas.
Assim a nossa alma tinha sempre festa e os castelos não eram feitos de sonhos."
Texto: Rute Violante
Foto: Fernando Silva
# 1968
"Como se as memórias se fizessem de pequenos frames que o olhar nos revela. E não faz?"
Texto: Jorge Gomes Pereira
Foto: Raquel Ferreira Coimbra
# 1966
“Algo me sustenta em meio à inconstância do meu mundo. Brota profundo, sólido; assiste impassível ao burburinho, à fluidez dos movimentos incessantes, por vezes inúteis. Seu silêncio é secular, brutal em sua pouca consideração por meus dias mesquinhos. Eu o adivinho, farejo seu olhar, e sei que nada mais importa.”
Texto: Ana Gilbert
Foto: Peter A. Gilbert
# 1963
"Chegou o momento de nos despirmos da poeira, do bafio e do bolor que se incrustou no tempo. Chegou o momento de despir a casa que albergou tudo aquilo que invadiu cada fresta de madeira, cada espaço da trama dos tecidos e matar os ácaros do nosso colchão. Dar-lhe uma nova vida e perguntarmo-nos... Mas por que raio é que temos tantas almofadas?"
Texto e foto: Sandrine Cordeiro
# 1961
"Sou um simples gato preto, aqui colocado para que tu me olhes; se me vês ou não, pouco importa. Especialmente para mim: mesmo que não me vejas, continuarei aqui. Ou seja, o teu olhar é irrelevante; e o que fazes com o teu olhar também é irrelevante. Podes olhar, podes não olhar; podes ver, podes não ver. O que muda? Nada. O mundo permanece inalterado."
Texto: Paulo Kellerman
Foto: Sílvia Bernardino
# 1960
"Não sei se quero fugir. Embora seja a vontade natural de quem tem a porta fechada."
Texto: Mónia Camacho
Foto: Teresa Marques dos Santos
# 1959
"Preencho o céu com memórias de mim e de quem fui... nele moram os sorrisos, os abraços que dei e que guardei. Os que recusei...
Percorro uma vida com gente que me faz gente, que fica ou que parte... construo-me.
Aprendo. Partilho. Mágoas e alegrias.
Há um céu onde os sonhos moram e nele saltito em nuvens de afagos e brisas de algodão...
Acredito."
Texto: Cristina Vicente
Foto: Carla de Sousa
# 1958
"Por sermos reflexos de luz só somos visíveis a quem nos consegue iluminar."
Texto: Catarina Vale
Foto: Frankie Boy
# 1957
"Todos os dias são, para ele, dias pela manhã. Não se sente a amanhecer. A escuridão avança. Anoitece. Nele."
Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Peter A. Gilbert
# 1956
"É tanto, e só, nas lembranças que existimos. Nós nos outros, os outros em nós..."
Texto: Catarina Vale
Foto: Fernando Silva
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