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# 1154



"Janelas. Podemos abrir. Podemos fechar. Podemos semicerrar. Podemos deixar entrar a luz. Ou fechar, se queremos a escuridão. Podemos entreabrir e sussurrar, em misterioso lusco-fusco. E apreciar o movimento das sombras. Deixá-las lentamente fluir ou brincar com elas. Janelas. Há um sabor apimentado ao saltar a janela. Um cheiro a perigo e um sentir os pés em terreno movediço. Janelas. São muito melhor que portas. São as janelas."

Texto: Renata Barbosa
Foto: Teresa Bret Afonso

# 1144



"Benditas as águas que nos fazem felizes. Sejam salgadas, bromadas ou até cloradas. Sejam lágrimas que nos aliviam as dores, sejam lágrimas que largamos de tanto rir, sejam as águas da chuva que nos lavam a alma e que arrastam os males pelas sarjetas. As melhores águas rebentaram-me há uns anos. E hoje, a cada dia, celebramos com água este nosso laço. Este elo umbilical que nos une e que assume a culpa do nó cego que há muito me cegou de amor. A melhor laçada da minha vida. E a única que nunca quererei desenlaçar..."

Texto: Renata Barbosa
Foto: Teresa Bret Afonso

# 1137



"Sempre fui mulher de trilhar caminhos. Caminhos que desaguam mas que nunca acabam de fluir. Caminhos sem fim e com finais felizes. A ajudar no percorrer dos caminhos, escolho comboios. Sempre adorei comboios. Comboios que nos levam mas que também nos trazem. Nos trazem o mundo pondo-nos nele. Nos levam ao mundo, largando-nos nele. E o quanto aprecio que me deixem em qualquer apeadeiro perdido no mundo. É nesse apeadeiro esquecido que encontro o caminho. O caminho que me leva e que me traz de volta. A linha que não curva, tão reta que não serpenteia de tão traçada que está. Este caminho melancólico ao som do comboio, palpita desenfreadamente a cada paragem, inspirando aventura ao encher o coração de sangue renovado e o pulmão de ar fresco. Este caminho. O que escolhemos ou pelo qual nos deixamos conduzir. A vida. De comboio, a cavalo, de pé na terra e sentimento a voar. A vida. Um mapa complexo de caminhos. Imensamente adoráveis de se viver."

Texto: Renata Barbosa
Foto: Tânia João

# 1131



"Chovia tanto que parecia que os céus se abriam para castigar os da terra, que se abria também em rios, arrastando a felicidade dela. Na tormenta, adormeceu. E quando acordou viu que da fenda aberta surgiu o sol e a luz que a aqueceu. Viu que o solo tinha absorvido as águas revoltas. Viu que desse solo molhado surgira uma flor. E escreveu: depois do hoje vem o amanhã. E não haverá nunca amanhã sem hoje."

Texto: Renata Barbosa
Foto: Teresa Bret Afonso